Na escola aprendemos que o homem é um ser racional. Quando olhamos o comportamento dos investidores, percebemos que esses seres racionais podem passar a tomar decisões irracionais rapidamente. Como resultado, a irracionalidade toma conta dos mercados, tanto em períodos de baixa como de alta. Dessa forma, muitos vieses comportamentais vêm a tona e acabam influenciando a tomada de decisão dos agentes que nele operam.

Uma análise de investimento realizada profissionalmente, em princípio, é feita por mais de uma cabeça. Além disso, as teses que surgem dessas análises são escrutinadas por outros analistas (atuando como advogados do diabo) que não tiveram participação direta na análise original. Desse modo, essa interação quando bem feita, ajuda a suavizar o efeito dos vieses comportamentais.

Entretanto, não é impossível que uma casa de research (independente, corretora ou banco de investimentos) tenha também um viés próprio. Desse modo, se os analistas absorvem esse viés, mesmo sem querer, eles passam para a análise em questão.

Se eliminar um viés em uma decisão de investimento é uma tarefa muito difícil para os profissionais, para o investidor pessoa física é ainda mais difícil.

Na impossibilidade de eliminar os vieses comportamentais, o mais adequado é, sobretudo, entender que eles existem. Conhecer o problema e ficar atento, para que não faça parte do processo decisório é o melhor a se fazer. Entretanto, ficar paralisado com medo de errar não é uma opção aqui!

Os vieses comportamentais variam de pessoa pra pessoa e estão relacionados basicamente a personalidade do investidor.

A noção de vieses cognitivos foi introduzida por Amos Tversky e Daniel Kahneman em 1972. Desde então, uma lista extensa de vieses cognitivos foi identificada nas últimas décadas. Esses estudos ficaram mais famosos através do livro Rápido e Devagar.

As pesquisas acerca do julgamento humano e da tomada de decisão na ciência cognitiva, psicologia social e economia comportamental seguem avançando. A lista de vieses não para de crescer…

Se quiser entender mais sobre investimentos e alocação de ativos, nossa equipe indica o Ebook abaixo do Henrique Carvalho.

Os vieses comportamentais são divididos em dois tipos:

Cognitivos: Tendência a pensar e agir de determinada maneira ou seguir determinados padrões;

Emocionais: Tendência a agir com base em sentimentos e não em fatos.

Esse artigo têm como objetivo listar os vieses mais importantes para servir como uma consulta no momento de sua análise. A ideia é que essa lista seja atualizada constantemente.

Lista de vieses:

Viés de confirmação ou ancoragem:

A primeira impressão do investidor é difícil de mudar porque o ser humano tende a ter filtros seletivos, prestando mais atenção nas informações que suportam a opinião original. Dessa forma, o investidor enviesado procura apenas informações que confirmem a tese original de investimento ao invés de procurar as contradições.

Viés de aversão ao arrependimento:

Conhecido como aversão a perda, descreve a necessidade do investidor de evitar o sentimento de arrependimento por escolhas com resultado negativo. Investidores com esse viés acabam tomando menos risco, já em antecipação ao futuro arrependimento e isso limita o seu potencial. Por outro lado, quando estão em uma posição perdedora, esses investidores tendem a relutar para aceitar a perda e sair do investimento.

Viés do efeito de disposição:

Este viés se refere a tendência de rotular os investimentos como vencedores ou perdedores. Esse comportamento direciona o investidor a segurar um investimento que foi vencedor no passado mas que não necessariamente possui bom potencial de ganho no futuro. Também como resultado desse viés, o investidor perde potenciais bons investimentos por entender que a performance ruim do passado mais recente irá persistir.

Viés de retrospectiva:

Olhando em retrospectiva o investidor tende a achar que os eventos passados eram totalmente previsíveis e óbvios, quando na verdade os acontecimentos não poderiam ter sido previstos.

Viés de familiaridade:

Preferência que o investidor possui por investimentos familiares e bem conhecidos por ele, ao invés de diversificar e colher os frutos positivos disso. O investidor pode ficar ansioso quando está em ativos pouco conhecidos. Desse modo, esse comportamento leva a portfólios subótimos com baixo potencial de ganho para um risco similar tomado.

Viés de auto-atribuição:

Tomado por esse viés, o investidor atribui a si os resultados positivos das suas ações e os negativos a fatores externos. Em resumo, esse é um modo de autoproteção que costuma gerar investidores muito confiantes.

Como evitar os vieses?

Após conhecer os principais vieses você ainda não se sente preparado? Os planejadores financeiros costumam incentivar um comportamento sistemático na hora de investir que lhe pode ser útil.

A sistemática é feita da seguinte forma:

Mitigação do risco: Entender a tolerância ao risco do investidor e limitar a exposição a determinadas classes de ativos. Dessa forma, o investidor não deverá ultrapassar a alocação que ele tende a se sentir confortável dado seu perfil de risco, limitando, por exemplo, o percentual de investimento em ações em relação ao patrimônio total e focando o restante em outras classes, como por exemplo, a renda fixa.

Alocação sistemática: Realizar a estratégia de preço médio, de uma forma inteligente, dentro de cada classe de ativo. Depois de definido o limite de exposição, este deve comprar quando os preços caem, com o objetivo de manter a exposição ideal no seu portfólio. Essa estratégia obriga a comprar ações quando elas estão mais baratas até o limite da exposição definido no item anterior.

O investidor ainda pode criar o seu guia de investimentos para evitar o distanciamento do seu pensamento mais racional.

Estaremos constantemente atualizando a lista de vieses mais importantes. Para os ansiosos, abaixo um gráfico com todos os vieses catalogados.

mapa de vieses

Caso o mercado se torne enviesado e isso resulte em algum potencial de ganho para a nossa carteira, ficaremos atentos.

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Referências:

Daniel Kahneman. Rápido e devagar: Duas formas de pensar.