Os fundos de investimento em Ações (FIA) são fundos que tem os seus recursos investidos em sua maior parte em ações.

Esses fundos devem investir, no mínimo, 67% do seu patrimônio em ativos, que podem ser:

  • Ações listadas na B3
  • Bônus, Recibos de Subscrições de Ações ou Certificados de Depósitos de Ações
  • Cotas de Fundos de Ações ou cotas de Fundos de Índice de Ações
  • Brazilian Depositary Receipts (BDR’s)

Os recursos excedentes podem estar investidos em quaisquer outros ativos financeiros, desde que respeitem os limites de concentração de fundos, impostos pela CVM. Esses limites são:

  1. No máximo 20% (em conjunto) para os investimentos:
  • Cotas de Fundos de Investimento
  • Cotas de Fundos de Investimento em cotas de Fundos de Investimento (os famosos Fundos de Fundos)
  • Cotas de Fundos destinados a Investidores Qualificados
  • Cotas de Fundos de Fundos destinados a Investidores Qualificados
  • Cotas de Fundos de Investimento Imobiliário (FII)
  • Cotas de Fundos em Direitos Creditórios (FIDC)
  • Cotas de Fundos de Fundos FIDC (FIC-FIDC)
  • CRI's
  1. No máximo 5% (em conjunto) para os investimentos:
  • Cotas de Fundos em Direitos Creditórios Não Padronizados (FIDC-NP)
  • Cotas de Fundos de Fundos FIDC-NP (FIC-FIDC-NP)
  • Cotas de Fundos destinados a Investidores Profissionais
  • Cotas de Fundos de Fundos destinados a Investidores Profissionais

Por outro lado, não há limite de concentração para os seguintes investimentos:

  • Títulos públicos federais e operações compromissadas lastreadas nestes títulos
  • Ouro, desde que proveniente de negociações realizadas em mercado organizado
  • Títulos de emissão ou coobrigação de instituições financeiras
  • Notas promissórias, debêntures e ações, desde que tenham sido emitidas por companhias abertas e objeto de oferta pública
  • Contratos derivativos que não tenham relação com os ativos listados nos números 1 e 2

Essas são as “regras básicas” para os FIA’s.

Eles ainda são divididos 4 categorias, de acordo com o tipo de gestão e a estratégia do fundo. (Classificação nível 2 da Anbima)

São elas:

  • Indexado
  • Ativo
  • Investimento no Exterior
  • Específico

Fundo de Investimento em Ação Indexado

Os fundos classificados como “Indexado” têm como objetivo replicar indicadores de referência do mercado de Renda Variável. Por isso, são fundos que não deixam muita “liberdade de escolha” para seu gestor.

Esse índice de referência, normalmente, é o Ibovespa, mas nada impede que seja outro, por exemplo, o IBrX-100. Quem define isso é o gestor do fundo.

Os recursos restantes do fundo devem estar investidos em cotas de fundos Renda Fixa – Duração Baixa – Grau de Investimento ou em outros ativos, desde que preservadas as regras apresentadas no início deste texto.

 Fundo de Investimento em Ação Ativo

Os fundos ativos, por sua vez, têm por finalidade superar um índice de referência, o famoso “bater o mercado”.

A seleção dos ativos para compor sua carteira é baseada em uma estratégia para que o fundo consiga completar seu objetivo, definida na sua política de investimentos. Essa política pode ser encontrada em um documento chamado “regulamento" do fundo. Ele é o principal documento divulgado pelo fundo e expõe todas as características dele.

Todos os fundos são obrigados a divulgar esse documento para poder captar investimentos.

Outros documentos que os fundos são obrigados a divulgar são:

Lâmina de Informações Essenciais - contém as principais informações sobre o fundo de forma resumida, tais como:

Termo de Adesão - uma espécie de contrato que você assina para atestar que está ciente dos riscos e da política do fundo (não é literalmente exigida a assinatura do investidor, caso esteja investindo pela internet).

Formulário de Informações Complementares - dispõe sobre outras informações que podem estar contidas ou não no regulamento do fundo. Essas informações são informadas na página do Portal do Investidor.

Relatório Mensal - documento com informações referentes a sua composição setorial, evolução do patrimônio líquido, entre outras, do período em questão.

Os recursos restantes do fundo seguem a mesma regra do FIA Indexado.

Como você deve imaginar, existem diversas estratégias possíveis para os fundos conseguirem ter bons resultados e “baterem o mercado”.

Então, para facilitar a vida dos investidores, a ANBIMA criou diferentes classificações relacionadas à estratégia usada pelo gestor do fundo para alcançar tal objetivo.

São elas:

  • Índice Ativo
  • Valor/Crescimento
  • Setorial
  • Dividendos
  • Small Caps
  • Sustentabilidade/Governança
  • Livre

Fundo de Investimento em Ação Ativo - Índice Ativo

Sua finalidade é basicamente replicar o seu índice de referência, ao mesmo tempo que busca ter um desempenho melhor que o mesmo.

Isso é possível por meio de deslocamentos táticos em relação ao índice, utilizando a gestão ativa de investimentos.

Fundo de Investimento em Ação Ativo - Valor/Crescimento

O objetivo desse tipo de fundo é encontrar empresas que estejam sendo negociadas abaixo do seu “valor justo” utilizando modelos de avaliação de ações e/ou empresas com histórico ou perspectiva de gerar forte crescimento de lucros, receitas e fluxos de caixa em relação às outras.

Como você pode perceber, esses critérios são subjetivos e definidos pelo gestor do fundo.

Fundo de Investimento em Ação Ativo - Setorial

Esses fundos investem em empresas de um mesmo setor ou conjunto de setores relacionados. Na política de investimento do fundo, você encontra os critérios usados para a definição dos setores, subsetores ou segmentos.

É importante lembrar que investir apenas em empresas de um único setor aumenta o seu risco como investidor.

Você já deve ter ouvido aquele ditado: “Nunca coloque todos os ovos em uma mesma cesta.”

Fazer isso é arriscado, porque caso a cesta caia (o setor enfrente uma crise) todos os seus ovos quebrarão (o preço das suas ações despencarão).

Já foi comprovado, pela Teoria Moderna do Portfólio (ou Teoria de Markowitz), que diversificar a sua carteira reduz os seus riscos.

Por isso, caso você invista nesse tipo de fundo, certifique-se de não colocar todo o seu dinheiro nele.

Diversifique seus investimentos.

Fundo de Investimento em Ação Ativo - Dividendos

Esses fundos buscam investir em empresas que apresentem uma boa perspectiva de distribuição de dividendos. Essa análise é baseada no histórico de dividend yield da ação e outros critérios mais complexos que variam de gestor para gestor.

Fundo de Investimento em Ação Ativo - Small Caps

Os fundos de Small Caps possuem uma regra mais específica do que os já vistos até agora. Eles devem possuir uma carteira/portfólio com, no mínimo, 85% de ações que não estejam incluídas entre as 25 maiores concentrações do índice IBrX-100 (Índice Brasil). Os 15% que sobraram podem ser investidos em outras ações, desde que não estejam entre as 10 maiores do IBrX.

Esse índice apresenta, por ordem de concentração, as 100 maiores empresas do país listadas na Bolsa de Valores. Dessa forma, a “maior empresa” vai ter uma maior concentração no índice e assim por diante.

Você pode conferir mais detalhes sobre o IBrX-100 no site da B3.

Fundo de Investimento em Ação Ativo - Sustentabilidade/Governança

Esse tipo de fundo investe em empresas que apresentam bons níveis de governança corporativa ou que se destacam em responsabilidade social e sustentabilidade empresarial por vários anos.

Os critérios para essa avaliação são estabelecidos por entidades do mercado como, por exemplo, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

Como era de se esperar, o critério utilizado para a escolha das ações é explicitado na política de investimentos de fundo.

Fundo de Investimento em Ação Ativo - Livre

Os fundos classificados como “Livre” são os que permitem maior liberdade ao gestor, permitindo que ele possa usar de toda a sua capacidade técnica para montar uma estratégia que permita uma boa relação entre risco e retorno.

Esses fundos não possuem o compromisso de seguir nenhuma estratégia específica. Apesar disso, seu objetivo precisa estar especificado no regulamento do fundo.

Fundo de Investimento em Ação Investimento no Exterior

Devem possuir, no mínimo, 40% investido em ações no exterior. Além disso, o fundo deve divulgar algumas informações sobre os tipos de ativos que   busca investir no exterior, como:

  • A região geográfica em que foram emitidos
  • O tipo de gestão (ativa ou passiva)
  • Se é permitida a compra de cotas de fundos e veículos de investimento no exterior
  • O risco envolvido nos investimentos

Geralmente, esses fundos estão disponíveis apenas para investidores qualificados.

Fundo de Investimento em Ação Específico

Os fundos classificados como “Específico” são fundos que possuem característica específicas diferentes das já mencionadas. Ou seja, são fundos que não se encaixaram em nenhuma das anteriores.

Por isso, eles recebem subclassificações quanto ao tipo de característica.

Subclassificações

Fundos Fechados de Ações

Fundos de condomínio fechado. Em um fundo de condomínio fechado, o investidor só pode deixar o fundo (resgatar sua cota) caso consiga vender suas cotas no mercado secundário para outro investidor.

Caso contrário, deve permanecer no fundo até a sua data de liquidação. Ou seja, são fundos com liquidez reduzida.

Exemplo: BLUEFIN FUNDO DE INVESTIMENTO EM AÇÕES

Fundos de Ações FMP-FGTS

O Fundo Mútuo de Privatização - FGTS (FMP-FGTS) é um tipo de fundo que permite ao investidor utilizar os recursos do seu FGTS para investir em ações de empresas estatais que passaram por privatização.

Atualmente, essas empresas são a Petrobras e a Vale. Ou seja, todos os fundos com essa classificação investem apenas em uma dessas duas empresas.

Por exemplo, observe os limites de aplicação do fundo "CAIXA FMP FGTS VALE I”:

Fundos de Mono Ação

Fundos que investem em uma única ação.

Exemplo: BRADESCO FIA CIELO