O capital é a matéria prima, os juros compostos a ferramenta e a rentabilidade média anual ao longo dos anos é a obra do investidor de longo prazo. Para continuar a sua obra (ou sua carteira de investimento de longo prazo), não pode faltar matéria prima. Afinal, supondo que não haja abastecimento contínuo de novo estoque de capital, é necessário preservar o atual.

O investimento de longo prazo é realizado de fato pelo investidor que está disposto a esperar a sua carteira de investimentos maturar. Assim, os mais pacientes, que esperam os resultados operacionais das empresas acontecerem no tempo costumam ser bem recompensados.

Eu, particularmente, já cometi muitos erros investindo. Outros erros, foram cometidos por amigos próximos anteriormente. Errar, desde que não seja um erro fatal, é saudável para uma profunda reflexão. Aprender com os erros é parte do processo. Além disso, aprender com os erros dos outros sai muito mais barato do que aprender com os próprios.

No final do artigo vou indicar alguns livros que contam experiências de investidores e traders, no Brasil e exterior. São verdadeiras aulas!

No banner abaixo temos o ebook do Henrique Carvalho, indicado pela nossa equipe para os iniciantes no mundo dos investimentos.

Ainda assim, há algumas razões comuns para os investidores não terem sucesso no longo prazo. Não adianta estar certo e morrer no meio do caminho. Os mercados podem ficar irracionais por muito tempo e você precisa estar preparado.

obs: O investimento de longo prazo é uma expressão muito abrangente e pode ter um significado diferente para cada investidor. Portanto, eu prefiro acompanhar o médio prazo para ter algumas respostas em um período mais curto de tempo. A partir dessas informações realizo ajustes na minha carteira de investimento de longo prazo.

Cenários ruins para o investidor

  • Primeiro cenário: Quebrar;
  • Segundo cenário: Performance ruim por um período razoável de tempo;
  • Terceiro cenário: Performance ruim em um curto espaço de tempo.

No primeiro cenário, a ideia de investimento de longo prazo estará muito prejudicada. O investidor terá que acumular capital novamente e isso não é simples. O tempo é o maior aliado dos seus investimentos, e voltar a estaca zero vai atrasar muito ou impossibilitar os seus planos de acumular patrimônio. Nesse cenário, o investidor tem a certeza, rapidamente, que estava errado.

No segundo cenário, o investidor acredita ter uma estratégia boa e leva anos até perceber o que não está dando certo. Aprender um pouco com aqueles que já conseguiram alcançar o objetivo e em condições parecidas com as suas (país, capital inicial, etc) é interessante. Em algum momento esse investidor com performance ruim no médio prazo, vai precisar ajustar a sua estratégia.

O terceiro cenário, é aquele que vai gerar dúvidas. Enquanto seu patrimônio diminui, suas convicções são postas à prova rapidamente. É provável que um ótimo investimento demore mais tempo para maturar do que o esperado. Nesse meio tempo, você pode acabar saindo, no prejuízo, de uma posição que seria vencedora.

Princípios de investimento de longo prazo

Para ajudar você investidor, a preservar o seu capital, acelerar o processo de aprendizado e ter mais chance de sucesso no longo prazo, vamos revelar algumas regras que utilizamos no nosso Clube de Investimentos. Essas regras vão ajudá-lo a evitar os erros fatais e garantir longevidade a sua carteira de investimentos de longo prazo.

Citando um dos fundadores do clube: “Bolsa de valores não é só sobre empresas, é sobre se manter racional pelo maior tempo possível”.

Para começar, acreditamos que a exposição em ações deva ser dada com uma parte do seu patrimônio. Não todo. O ambiente de bolsa de valores no Brasil, ainda é muito hostil e a renda fixa historicamente paga muito bem.

Dessa forma, o patrimônio dos investidores deve estar diversificado com outras classes de ativos, por exemplo a renda fixa. Essa diversificação, permite buscar uma exposição maior ou menor em bolsa, dependendo do ciclo de mercado. Adotamos, em média, a exposição de ~33% (ou 1/3) em bolsa que pode variar dependendo do perfil de risco do investidor. Se você for realmente bom, essa porcentagem vai subir naturalmente.

Da parte dedicada ao investimento de longo prazo em ações, seguem nossos princípios em resumo:

Nossos princípios de investimento de longo prazo:

1. Nunca dê all-in:

Errou, tá fora!

2. Não busque alavancagem:

Alavancagem em momentos de estresse podem arruinar toda a sua carteira. Dessa forma, estar muito alavancado, no momento errado, te tira do jogo. Eventualmente, alguma alavancagem pode ser realizada com uma pequena fração do patrimônio, por exemplo, via opções (1–2%), que possuem risco limitado, ou operação long & short, que tem um risco direcional menor (máximo de 120 long/20 short).

3. Limite as exposições na carteira (diversificação):

A carteira de ações não pode ter uma exposição maior do que 10% ativamente e de 15% passivamente em cada ativo. Exposição ativa é aquela efetivamente comprada, enquanto passiva é a exposição que a posição toma na carteira após sucessivas valorizações. Ou seja, se uma posição de 10% subir pra cima de 15% da carteira, seremos obrigados a realizar uma parte do lucro naquele ativo e procurar outros ativos para investir.

4. Não faça preço médio (muito raro):

Se você tem uma posição na carteira e ela só desvaloriza, não faz muito sentido ficar aumentando a exposição nela. O preço médio precisa ser muito bem pensado para evitar que uma posição traga a performance da carteira toda pra baixo. Deve haver um interesse genuíno do investidor para adquirir mais daquelas ações, não apenas o objetivo de recuperar o dinheiro inicial investido. Esse dinheiro, as vezes, pode ser recuperado de maneira muito mais fácil em outras posições.

5. Não use stop loss automático:

Mais dinheiro já foi perdido utilizando stop loss do que esperando o investimento maturar. Dessa forma, o Stop loss só é indicado quando a tese inicial de investimento vai por água abaixo. Diversificar e evitar fazer preço médio por exemplo, já são ótimos limitadores de prejuízo na carteira.

6. Ajuste o risco do portfólio:

Para cada nível de preço, associado às probabilidades de riscos no cenário, o portfólio pode ter uma certa agressividade. No clube, o limite mínimo para investir em ações é de 67%. Dessa forma, preços altos e riscos altos levam a gente a buscar o mínimo de exposição e o máximo de caixa (renda fixa). Para diminuir essa exposição pode-se optar, principalmente, pela venda de parte das ações e em outros casos por algum hedge barato. Usar hedge sempre, custa caro.

De acordo com Luis Stuhlberger (um dos melhores gestores multimercado do Brasil) uma vez: “Nada como comprar um seguro para tempestade num dia de sol”

7. Encontre investimentos descorrelacionados e assimétricos:

Não adianta diversificar as empresas, mas concentrar em um mesmo setor. Investimentos descorrelacionados permitem que enquanto um vá mal, o outro possa ir melhor. Já a assimetria, permite que um investimento possa ganhar muito se as coisas derem certo e perder pouco quando tudo dá errado. Nesse sentido, quando a descorrelação vai ao encontro da assimetria, é possível que ativos descorrelacionados andem juntos (na mesma tendência) e em uma direção positiva para o investidor.

8. Evite o consenso:

No momento em que um consenso se forma, há pouca oportunidade para ganhar dinheiro. Quando ele erra e você apostou contra, as chances de ganhar dinheiro são enormes. O segredo é se perguntar: “O consenso está certo?”. Se a resposta for “sim”, deve-se ficar quieto. Caso a resposta seja “não”, uma oportunidade é identificada. Apostar contra o consenso, em geral, é barato.

9. Invista em empresas de qualidade:

Investir grande parte da carteira em empresas com modelo de negócios de qualidade superior, uma excelente gestão e com um preço atrativo.

a) Modelo de negócios: Empresas dominantes, com vantagens competitivas estruturais e potencial relevante de crescimento com rentabilidade, presença de barreiras a entrada em seus negócios e baixo custo de produção. Dessa forma, todas essas qualidades permitem um alto nível de rentabilidade (ROE e ROIC) acima do custo de capital, que proporcionam um alto potencial de geração de caixa que aumenta do patrimônio da empresa no longo do tempo e sua valorização em bolsa por consequência.

b) Gestão: Histórico de gestão eficiente, com os incentivos dos administradores alinhados aos acionistas. Parte do resultado das empresas dependem de fatores internos e ,além disso, uma boa gestão é capaz de navegar melhor em um ambiente com os fatores externos desfavoráveis.

c) Preço atrativo: Além de todas as características acima a empresa precisa estar barata, negociar muito abaixo do seu valor intrínseco e com ampla margem de segurança. Não é um trabalho fácil e é necessário muita paciência para esperar os preços certos. Não acreditar em promessas de crescimento insustentáveis nos lucros (múltiplos estratosféricos) que não condizem com uma realidade factível.

obs: Não acreditar em cases mirabolantes de turn around. Um modelo de negócio ou uma gestão ruim são difíceis de mudar. Uma vez que pouquíssimos turn arounds no Brasil dão certo, esse ponto é de extrema importância pois os investidores mais novos são atraídos pelos investimentos mais problemáticos e pelas promessas de lucros rápidos. E isso não existe.

10. Evite empresas estatais:

Os controladores de empresas estatais (políticos), não almejam geração de valor no longo prazo, eles querem apenas se reeleger. Além disso, uma parte da população também acredita que essas empresas devam ser usadas exclusividade para servir os cidadãos. Dessa forma, o lucro acaba ficando em segundo plano ao mesmo tempo que essas forças tendem a destruição de valor no longo prazo.

Melhore os princípios de investimento de longo prazo

Por fim, esses são os nossos princípios (ou regras), que foram elaboradas a partir de experiências pessoais e de terceiros. Alguns são quantitativas, enquanto outras, mais qualitativas e que dependem de alguma interpretação.

Portanto, elas são o nosso guia para tomar decisões racionais em um mercado irracional e gerar alpha no longo prazo.

Seja como for, espero que esse material sirva para você criar os seus próprios princípios. Se você já segue alguns, diga pra gente nos comentários!

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