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Desmistificando uma OPA : Saiba como funciona a Oferta Pública de Aquisição para Fechamento de Capital

Quinta-feira, 27 de junho.

As ações da Unipar Carbocloro (UNIP3, UNIP5 e UNIP6), empresa fabricante de cloro, derivados e soda cáustica, estão agendadas para entrar em leilão no dia seguinte, sexta-feira.

O motivo? Uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) movida pelo seu controlador, a Vila Velha S.A. (administradora da família Geyer).

O intuito dessa oferta é fechar o capital da Unipar — em bom português, retirar as ações de negociação da bolsa de valores.

Para isso, a Vila Velha S.A. se oferece para comprar as ações dos demais acionistas por um determinado preço. Nesse caso, foi oferecido R$7,50 por ação.

Nessa situação, diversas pessoas que tinham investido nas ações da empresa ficaram em dúvida sobre como deveriam proceder e algumas até acreditaram no mito de que poderiam perder todo o dinheiro investido.

Se você é um deles, fique tranquilo, as notícias são boas.

Nós desmistificamos completamente a Oferta Pública de Ações (OPA) para fechamento de capital.

Nesse artigo você irá aprender sobre:

  • Como funciona uma OPA para fechamento de capital
  • Quais são suas opções e como você deve agir
  • O que você deve esperar?

Como funciona uma OPA para fechamento de capital

Esse tipo de oferta pública de aquisição acontece quando o controlador da empresa ou a própria empresa (chamado de ofertante) decide fechar o capital da companhia.

Como seria injusto forçar os demais acionistas a serem sócios de uma empresa de capital fechado (que não negocia na bolsa, dificultando a venda de suas ações), o controlador ou a empresa é obrigado a se oferecer para comprar essas ações (daí o nome ofertante), permitindo que os investidores se desliguem da empresa.

Além disso, no intuito de garantir que os investidores recebam um preço justo pelas suas ações, uma empresa (em geral, banco) é contratada para elaborar um laudo de avaliação da companhia, indicando o valor justo de cada ação.

Após isso, o ofertante deve escolher um valor igual ou maior que o da avaliação (no caso da Unipar, foi escolhido R$7,50).

Uma exceção é quando a empresa fez um aumento de capital (ofereceu novas ações ao mercado) e menos de 1 ano depois decide fazer um OPA para fechar o capital. Nesse caso, o preço oferecido deve ser no mínimo igual ao que ela recebeu por ação quando fez o aumento.

Quais são suas opções

Os acionistas podem, então, seguir 5 opções distintas:

  • Se abster, simplesmente não informando à corretora que deseja participar do leilão de OPA;
  • Aceitar a oferta, informando à corretora que deseja participar do leilão e irá aceitar um preço inferior ou igual ao que é ofertado (no caso, R$7,50);
  • Não aceitar a oferta, informando à corretora que quer participar do leilão, porém só aceitará vender a ação por um preço superior ao ofertado (ex.: aceitar vender por R$30, sendo que o ofertado é R$7,50);
  • Aceitar o fechamento de capital, informando à corretora expressamente que deseja continuar com as ações da companhia e concorda com o fechamento;
  • Reunir uma assembleia com acionistas que juntos detenham mais de 10% das ações em circulação no mercado para realizar uma nova avaliação da companhia. O requerimento para essa nova avaliação deve ser enviado até 15 dias após o anúncio do OPA, contendo os questionamentos ao método antigo e o novo laudo. Caso o preço da nova avaliação acabe sendo igual ou inferior ao do OPA, esses acionistas deverão arcar com todos os custos da assembleia. Caso o preço seja maior, o ofertante pode desistir da OPA ou seguir o novo valor.

O que pode acontecer

2 coisas que podem acontecer

  • Caso os acionistas que aceitaram o preço da oferta ou o fechamento do capital tenham mais de 2/3 das ações em circulação (os que se abstiveram, os controladores e a tesouraria são desconsiderados nesse cálculo), a OPA é bem sucedida. Se você optou por não vender as ações, se tornará sócio de uma empresa fechada (sem ações negociadas na bolsa) ou poderá vendê-las pelo preço do OPA.
  • Caso as ações que sobraram no mercado sejam correspondentes a menos de 5% das emitidas pela companhia, ela pode decidir resgatar essas ações, pagando o preço do OPA por elas.

Ex: No caso da Unipar, ela poderia resgatar as ações que sobraram pagando R$7,50 por elas.

Conclusão

Não há porque ter medo de perder dinheiro caso a empresa da qual você possui ações decida fechar o capital e sair da bolsa de valores.

Na pior das hipóteses, a companhia oferecerá na OPA um preço inferior ao das ações no mercado, como é o caso da Unipar (a Vila Velha S.A. ofereceu R$7,50 por ação, sendo o preço de mercado R$13,40 na data de hoje).

Mesmo nesse caso, você não deve se preocupar tanto. Não há sentido para os acionistas aceitar vender suas ações por um preço menor do que ele conseguiria vendendo na bolsa de valores.

Dessa forma, a tendência é que a OPA não se concretize.

Ainda tem alguma dúvida? Deixe sua pergunta nos comentários que nós responderemos o quanto antes.


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A nova onda de IPOs e a parede de 500 milhões de dólares

Graças ao Facebook, uma parede chegou a custar 500 milhões de dólares. Mas como assim uma parede com esse valor?

Isso aconteceu por causa da arte do grafiteiro David Choe, o artista que pintou a parede da sede do Facebook em Palo Alto, lá em 2005.

Eis a história:

Em 2005, David Choe foi contratado por Sean Parker (presidente do Facebook na época) para grafitar uma das paredes da primeira sede do Facebook.

A empresa ofereceu US$60 mil pelas paredes para Choe, que fez uma contraproposta para receber ações da companhia ao invés do pagamento em dinheiro. Há divergências se esta foi a real ordem dos fatos, mas no fim das contas David foi pago com ações da empresa.

7 anos depois, em 2012, o Facebook realizou seu IPO (Oferta Pública Inicial) e passou a ter suas ações negociadas da Nasdaq, uma das Bolsas de Valores americanas. 

Nesse processo, foram arrecadados US$16 bilhões e as ações que Choe possuía desde 2005 passaram a valer US$500 milhões! Nada mal, para "pintar algumas paredes", né?!

Mas por que isso aconteceu?

Voltando ao início da história, em fevereiro de 2004, quando o Facebook foi fundado na universidade de Harvard, já era possível perceber o quão promissor era o negócio.

Após pouco tempo de sua fundação, o Thefacebook (como era chamado na época) já começava a viralizar entre os alunos da universidade.

Isso fez com que atraísse olhares de investidores e recebesse seu primeiro investimento de Peter Thiel (cofundador do PayPal), no valor de US$500 mil.

A partir disso, a empresa começou a crescer e se espalhar ao redor do mundo e quando sua primeira sede foi construída em 2005, David Choe entrou na história.

Apesar disso, na época, o Facebook ainda não possuía faturamento milionário e mesmo assim era cotado como um negócio valioso. Por quê?

Embora não possuísse lucros, existia uma grande expectativa de que, no futuro, a empresa fosse obter muito dinheiro vindo da receita com anúncios que seriam colocados no site. Essa estratégia pode ser confirmada como lucrativa porque os usuários do Facebook passavam horas e horas nele (um ótimo lugar para anunciantes, né?!).

Acontece que analisar empresas com base em suas expectativas de lucro futuro é muito complexo e arriscado quando não se tem um negócio testado e bem definido.

Foi isso que fez com que ocorresse a Bolha da Internet no final da década de 90. A bolha estourou e as bolsas de valores americanas entraram em crise, com a Nasdaq caindo de 5000 para 1100 pontos, aproximadamente, em apenas dois anos e meio.

Simplificando: as empresas diziam que teriam lucros no futuro, mas esses lucros nunca chegaram. Quando as pessoas perceberam que as companhias que investiram não teriam lucros, começaram a vender suas ações, gerando uma grande crise (A Nasdaq só conseguiu recuperar os 5000 pontos 15 anos depois).

Só que a maioria delas só percebeu quando já era tarde demais e amargaram grandes prejuízos.

IPO das empresas de internet

 

O caso do Facebook foi um sucesso, mas isso não significa que todos serão. Por isso, é preciso ter cuidado na hora de avaliar uma empresa muito nova e com negócios pouco definidos.

E não adianta acreditar que é possível ficar muito rico investindo em ações da noite para o dia sem correr riscos. Quanto maior o lucro, maior será o risco e vice-versa.

Em 2012, após 7 anos de crescimento e estruturação da empresa, finalmente o Facebook resolveu abrir seu capital (IPO) e aparecer na bolsa americana. Antes, o capital da empresa era composto apenas pela participação de seus sócios.

Com a Oferta Pública Inicial (IPO), a empresa oferece parte de suas ações para o mercado e possibilita que pessoas comuns possam investir nela.

Para fazer isso, a companhia recorre aos órgãos reguladores do mercado financeiro, que garantem que está tudo de acordo e fiscalizam as empresas, e a um banco de investimento.

O banco de investimento é contratado pela empresa para ajudá-la neste processo, auxiliando nas questões burocráticas e definindo um “preço bom” para suas ações.

“Preço bom” para quem?

A verdade é que o objetivo da empresa em realizar um IPO é captar o máximo de dinheiro possível para que ela possa expandir. Sendo assim, não é interessante realizar essa estratégia com um mercado em crise, mas com um mercado em alta.

Ultimamente, temos visto uma “nova onda” de IPOs no Brasil e o motivo é justamente esse. Após a crise político-econômica que tivemos, o mercado se recuperou e a B3 está em seus patamares mais altos.

Qual a consequência disso? 5 empresas já abriram seu capital em 2017.

Como vimos, quem define o preço pelo qual serão negociadas as ações no IPO é o banco de investimentos contratado pela empresa, reforçando que o preço das ações nesse momento tende a ser o melhor possível para a mesma e não para os investidores.

Mas o que ocorre depois disso?

Passado o momento de euforia do IPO, as ações tendem a seguir para um patamar de preço justo, na maioria das vezes, menor que o preço a que foram ofertadas inicialmente.

Benjamin Graham, um dos professores de Warren Buffett e autor do livro Investidor Inteligente, realizou esse estudo na bolsa americana, confirmando essa teoria e publicando-a em seu livro. Recomendamos fortemente sua leitura.

É preciso ficar atento

Portanto, é preciso ficar atento à esta “nova onda” que está sendo noticiada e lembrar que para realizar uma compra inteligente no mercado de ações devemos:

  • Comprar ações que estejam mais baratas do que realmente valem (Preço < Valor)
  • Saber que grandes retornos implicam em assumir grandes riscos
  • Entender que se todos estão falando de uma determinada ação, muito provavelmente, ela já está em um momento de euforia e deve estar supervalorizada.
  • Reconhecer que para cada “novo Facebook” existem centenas de fracassos.

Devo vender minhas ações após as delações da JBS?

A delação da JBS abalou de vez o cenário econômico e político brasileiro:

“Dono da JBS grava Temer dando aval para compra de silêncio Cunha“.

— Jornal O Globo

Provavelmente vocês já viram a notícia sobre os áudios do Temer e todo alvoroço que isso causou na política.

A pergunta é: como a bolsa reage a isso?

Do pior jeito possível: muito provavelmente um circuit breaker irá acontecer hoje. Quando há um movimento muito brusco no preço das ações, a B3 (antiga Bovespa) aciona o circuit breaker, interrompendo as negociações para evitar uma queda exacerbada dos papéis.

Se você possui ações hoje, lembre-se do efeito manada. O mercado tem a tendência de reagir exageradamente a boas e más notícias. Os próximos dias darão a vocês uma oportunidade única de presenciar esse movimento irracional dos investidores.

Então, o que eu devo fazer?

Primeiro: defina o quanto você precisa do dinheiro que tem investido em ações no curto prazo. Caso não tenha necessidade de retirá-lo e possa continuar com as ações por 1 ou 2 anos, essa será a melhor alternativa.

Vender em um dia que todos só pensam em vender é suicídio. Lembre-se: a perda só se concretiza quando você vende suas ações.

Segundo: caso você precise do dinheiro no curto prazo, mantenha a calma e escolha a melhor hora para vender. A primeira hora de pregão, de 10~11h é com certeza o pior horário para fazer isso.

Historicamente a volatilidade nesse período é maior que a média do dia. Espere a poeira abaixar.

Pessoas que perceberam a desvalorização excessiva das ações irão comprá-las, causando uma correção que diminuirá a queda nos preços. Não se precipite em vender hoje.

A delação da JBS não pode te abalar

Se essa notícia abalou sua confiança na bolsa brasileira e nas ações que você investe, você deveria aprender mais sobre análise fundamentalista.

Ela considera os aspectos de um negócio na hora de analisar ações de uma empresa e tomar decisões sobre comprar ou vender. Dessa maneira, esse tipo de análise tem foco no valor de uma ação e não em seu preço de mercado.

Sabemos que de início pode parecer confuso, por isso, preparamos um artigo que vai te ajudar a entender melhor como ela funciona.

http://edufinance.com.br/investir/balanco-patrimonial/


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7 Dicas incrivelmente simples para analisar o balanço patrimonial de uma empresa

Se você já conhece a análise fundamentalista, sabe que ela é composta por um diagnóstico criterioso dos documentos contábeis de uma empresa. Um deles é o balanço patrimonial. Nós entendemos que não é nada fácil entender todos aqueles números, muito menos interpretá-los.

Mas fique tranquilo, neste artigo, trouxemos 7 dicas simples que vão fazer você entendê-lo.

 

“Price is what you pay, value is what you get.”

— Warren Buffett

 

Com $74,9 bilhões na conta, Warren Buffett é o maior exemplo de alguém que criou fortuna do zero apenas investindo na bolsa de valores.

Aluno de Benjamin Graham, o jovem Buffett tornou-se fã desde cedo do método de value investing, criado por seu professor.

Decidiu, então, juntar seu dinheiro e o de alguns familiares (nenhum deles com alguma quantia significativa) para começar a investir em ações de empresas.

E foi assim que, utilizando esse método, ele se tornou o #4 homem mais rico do mundo.

Nós aqui do blog gostamos muito dessa técnica e a utilizamos em praticamente 90% dos nossos investimentos em ações.

Costumamos nos referir a ela (de maneira mais ampla) como análise fundamentalista.

Essa técnica é tão incrível por um simples motivo: ela diminui extremamente o risco de você perder dinheiro em uma ação.

Ela segue o princípio mais simples da economia doméstica: comprar coisas que estão sendo vendidas por um preço menor do que realmente valem.

Assim, o investidor analisa a empresa, buscando o valor intrínseco da companhia.

Caso esse valor seja maior que o preço pelo o qual ela está sendo negociada, dizemos que ação está barata e pode ser uma boa ideia comprá-la.

Simples, né?

Tem ideia de como é feita essa análise?

Bom, existem 3 documentos que são os pilares de qualquer empresa:

  • Balanço Patrimonial
  • DRE (Demonstração do Resultado do Exercício)
  • DFC (Demonstração de Fluxo de Caixa)

A boa notícia é que você não precisa ser um profissional graduado em economia ou contabilidade para saber analisar esses documentos.

Nós do Edufinance vamos dar uma mãozinha para que você se torne um expert nisso e consiga escolher boas empresas para investir.

 

Estas 7 dicas simples farão com que você saiba tudo que precisa para começar a analisar o balanço patrimonial de uma empresa.

 

1 - Ativo é todo dinheiro que você tem ou vai receber

Essa é a primeira cara de um balanço patrimonial e ela mostra todos os ativos da empresa.

balanço patrimonial

Lembre-se: ativo é apenas um nome bonito para se referir a todo o dinheiro que você ainda vai receber, todo o dinheiro que você tem e tudo o que pode virar dinheiro.

Ele se divide em 2 partes:

Ativo circulante: tudo aquilo que é ou pode virar dinheiro em menos de 1 ano.

Ex.: Se alguém tem uma dívida com você e vai te pagar daqui a 6 meses, então essa dívida vai entrar em ativo circulante (já que irá virar dinheiro em menos de 1 ano).

Ativo não-circulante: tudo aquilo que vai ser pago ou pode virar dinheiro apenas após um prazo maior que 1 ano. Além disso, todos os bens duradouros (imóveis, carros, máquinas) ou que são utilizados para o funcionamento da empresa são inseridos nessa conta.

Ex.: O mesmo exemplo anterior, mas no caso da dívida só ser paga daqui a 18 meses. Como demoraria mais de 1 anos para reaver dinheiro, ele entraria em ativo não-circulante.

Da mesma forma, um edifício adquirido pela empresa que não tenha o objetivo de revenda entrará no ativo não-circulante (caso ela tivesse comprado para revender, ele entraria em estoque, no ativo circulante).

2 - Passivo é tudo o que você tem que pagar

Na segunda página do balanço, temos o passivo da empresa (deixaremos o patrimônio líquido para outro artigo, não se preocupe tanto com ele agora).

balanço patrimonial

Mais uma vez: o passivo é um nome feio para tudo o que você deve ou vai ter que pagar.

Da mesma forma que o ativo, ele é dividido em 2 partes:

Passivo circulante: tudo o que deve ser pago no prazo de 1 ano.

Passivo não-circulante: tudo o que deve ser pago em um prazo maior que 1 ano.

3 - Sempre compare o balanço ao longo dos anos

“O balanço patrimonial é uma foto da empresa.”

Se você nunca ouviu essa frase, bom, ouviu agora e vai ouvir muito no futuro.

Apesar de parecer irrelevante, ela traz uma questão fundamental sobre o balanço patrimonial: assim como uma foto, ele retrata apenas o que a empresa é hoje, negligenciando todo o histórico e evolução dela.

Dessa forma, é desaconselhável tirar conclusões observando o balanço de apenas um ano da empresa.

O mais utilizado pelos analistas é a comparação entre 3 a 5 anos, no curto prazo, ou até 10 anos para empresas maiores e com vasto histórico.

Este último era o mais utilizado por Benjamin Graham, que chegava a comparar 50 anos de dados dos balanços em suas análises.

Procure acompanhar os seguintes pontos:

  • Evolução do estoque: o crescimento excessivo do estoque pode significar que ele está sendo mal gerenciado, o que aumenta a necessidade de capital de giro, prejudicando o lucro da companhia.
  • Clientes x Fornecedores: é muito importante que a companhia consiga pagar os fornecedores o mais tarde possível e que receba dos clientes o quanto antes. Caso a conta clientes esteja aumentando, significa que a empresa está deixando de receber. Em contrapartida, se a fornecedores estiver diminuindo, significa que a empresa não está conseguindo parcelar suas compras. Isso pode levar a um descontrole nas contas da companhia e em casos extremos à sua falência.

4 - Nunca compare balanços de empresas de setores diferentes

Um dos maiores erros na análise de balanços é querer comparar dados de empresas de setores diferentes.

Na prática, é a mesma coisa que comparar um jogador de futebol com um piloto de fórmula 1 a fim de descobrir qual dos dois é melhor. Simplesmente não faz sentido.

Empresas do setor de tecnologia, por exemplo, tendem a ter muito menos ativos (já que não possuem estoque físico) do que supermercados (que tem um grande estoque).

Por isso, sempre que for comparar o balanço de duas empresas — o que é muito aconselhável — , garanta que elas sejam do mesmo setor.

5 - Fique de olho nos indicadores de liquidez

Sabe qual o melhor jeito de não perder dinheiro na bolsa? Não investir em uma empresa à beira da falência.

Para garantir que isso não aconteça, vamos mostrar alguns indicadores extremamente simples que mostra a capacidade da empresa de honrar com suas dívidas.

  • Índice de Liquidez Corrente: Ativo Circulante ÷ Passivo Circulante

É o mais abrangente dos indicadores, oferecendo apenas uma visão superficial sobre a solvência (capacidade de arcar com as dívidas) da empresa.

Indica a capacidade da companhia de arcar com seus compromissos no curto prazo (1 ano).

Em linhas gerais, caso esse indicador fosse maior que 1, a empresa não correria risco de falência (insolvência).

No entanto, imagine que metade do seu ativo circulante é composta por estoques difíceis de vender (prédios, por exemplo). Será que ela ainda conseguiria pagar suas contas?

  • Índice de Liquidez Seca: (Ativo Circulante - Estoque) ÷ Passivo Circulante

Para resolver esse problema, foi criado o índice de liquidez seca. Agora, o estoque não é mais levado em conta no cálculo. Isso permite uma análise mais precisa da situação da empresa.

Novamente, em linhas gerais, quando esse indicador é superior a 1, não há risco de insolvência na empresa.

  • Índice de Solvência de Caixa: Caixa ÷ Passivo Circulante (trazido a valor presente)

Se mesmo assim você ainda não se sente seguro, então use esse indicador.

Ele possui o rigor máximo em termos de liquidez, mostrando se a empresa consegue pagar hoje, à vista, todas as suas dívidas.

O trazido a valor presente significa simplesmente aplicar o desconto por ter feito o pagamento à vista.

6 - Dê atenção extra às Notas Explicativas

Todo o balanço é acompanhado de Notas Explicativas. Como o próprio nome diz, elas explicam detalhes importantes que ajudam o investidor na análise da empresa.

Por exemplo, às vezes a empresa é pouco endividada, mas sua dívida é em moeda estrangeira. Isso a deixa suscetível a variações na taxa de câmbio que, dependendo da magnitude, podem prejudicar e muito seu resultado.

Há também a arriscada “Síndrome dos Outros”, como relatado pelo economista Alexandre Póvoa.

Nela, alguns ativos e passivos são declarados como “outros ativos” e “outros passivos”, ficando a explicação do que realmente se tratam nas Notas Explicativas.

O volume de dinheiro contido nesses “outros” muitas vezes é gigantesco.

7 - Onde encontro o balanço das empresas?

Pode parecer um detalhe bobo, porém quem está iniciando no mercado financeiro frequentemente sofre por não saber onde encontrar os documentos das empresas.

Por lei, toda companhia de capital aberto (listada na bolsa) deve fornecer os 3 documentos que citamos acima, tanto em seu site, quanto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Dessa forma, você pode encontrar o balanço patrimonial procurando pela área de relacionamento com investidores no site da empresa.

Para encontrá-lo, basta buscar por “nomedaempresa ri” no Google.

A outra maneira é acessando o site da Bovespa. Basta buscar o nome da empresa e todas as informações que ela forneceu à CVM estarão disponíveis para você baixar.


Quer saber mais sobre analise fundamentalista e investimento em ações?

Nesse artigo, que já ajudou mais de 1000 pessoas, nós explicamos o passo-a-passo para quem quer começar a investir na bolsa de valores.

http://edufinance.com.br/investir/como-investir-na-bolsa-de-valores/

Caso ainda não se sinta seguro para iniciar na bolsa de valores, fique tranquilo. O importante é investir. Para isso, fizemos um artigo completo sobre renda-fixa.

Ele vai tirar todas as suas dúvidas e permitirá que seu dinheiro renda mais que a poupança sem precisar correr nenhum risco.

http://edufinance.com.br/investir/como-investir-em-renda-fixa/

 


Como eu transformei R$1.000 em R$15.000 em 3 dias e porque você nunca deve fazer isso.

O que é Pump and Dump? Descubra tudo sobre esse fraude que acontece no investimento em ações, como nunca cair nela e como virar a armadilha a seu favor.

Você provavelmente já ouviu histórias sobre pessoas que ficaram ricas apostando na bolsa. E, provavelmente, também ouviu falar de pessoas que perderam tudo.

Bom, essa história poderia ter acabado com um final trágico. Felizmente, eu tive o conhecimento e a sorte necessária para transformar R$1.000 em R$15.000 em apenas 3 dias.

E como eu fiz isso? Vou te contar como tudo aconteceu.

Nesse artigo você irá aprender sobre:

  • Apostar na bolsa com alguns centavos;
  • Pump and dump: saiba o que é para nunca cair nessa armadilha;
  • Como virar o jogo.

1 - Apostando na bolsa com alguns centavos

Era uma segunda-feira, eu tinha acabado de voltar de uma viagem e estava um pouco desatualizado quanto aos acontecimentos do mercado.

Decidi entrar no fórum do GuiaInvest para me inteirar sobre o que tinha acontecido enquanto eu estava fora. Lá é um ótimo lugar se você quiser tomar conhecimento de maneira rápida sobre as últimas notícias do mercado.

Enquanto lia os comentários, percebi que as ações da PDGR11 (em breve faremos um artigo explicando de maneira descomplicada e rápida a nomenclatura de ações) estavam nos trending topics do fórum.

Eu nunca tinha ouvido falar desse papel, então fiquei bastante curioso.

O mais bizarro. Esse papel custava apenas R$0,01. Isso mesmo, com apenas 1 centavo você poderia começar a apostar no mercado de ações.

Muitas pessoas acham que é preciso ter muito dinheiro pra investir no mercado de ações. Isso não é verdade, você pode começar a investir até com o dinheiro que economiza no café.

Agora você deve ter parado para pensar:

Por que a ação de uma empresa custa tão pouco?

Há realmente ações que custam muito pouco, podendo ser compradas por menos de R$1,00.

A PDGR11, no entanto, não é exatamente uma ação.

Ela é um derivativo de uma ação, a PDGR3 (referente a PDG, segunda maior empresa do setor imobiliário no Brasil).

“Ai meu deus, derivativo? Isso é muito complicado!”

Calma, gafanhoto. Derivativo é uma das coisas mais simples do mundo -o nome só assusta- e, em breve, lançaremos um excelente artigo explicando em 5 minutos o que é um derivativo.

Tudo que você precisa saber aqui é que derivativos costumam ter um preço MUITO MENOR que o preço da ação (ou do que ele derivar) e são uma ótima opção para quem quer investir com pouco dinheiro.

Como na época a ação da PDGR3 valia cerca de R$3,00, a PDGR11 valia bem menos, podendo ser comprada por apenas R$0,01.

2 - Pump and Dump: saiba o que é para nunca cair nessa armadilha

Bom, voltando a história, enquanto eu navegava pelo fórum, percebi que alguns usuários, aparentemente fakes, tentavam convencer a maioria dos membros de que era a hora exata de comprar PDGR11 e que esse seria um ótimo negócio.

A princípio, me mantive cético e fui pesquisar se havia alguma notícia relevante sobre a construtora PDG.

Nada.

Percebi, então, que aquilo se tratava de uma tentativa de Pump and Dump.

“Mas o que é esse tal de Pump and Dump?”

Todo mundo já teve aquele amigo na escola ou na faculdade que contava certas mentiras para aumentar sua popularidade. Sim, aquele que afirmava ter ficado com a garota mais disputada. Ou ter tirado a maior nota naquela matéria que ninguém consegue mais que 6. E, com essas mentiras, ele conseguia aumentar seu prestígio entre seus amigos.

Porém, como as avós costumam dizer, mentira tem perna curta.

Em um certo momento todos descobrem a verdade e o seu amigo, agora com fama de mentiroso, termina com bem menos prestígio do que ele tinha antes de mentir.

Resumo: Prestígio médio > Mentiras > Prestígio Alto > Descobrem a verdade > Prestígio baixo

O Pump and Dump é exatamente assim.

Ele é uma prática fraudulenta que visa espalhar boatos para inflar o preço de ações ou derivativos.

 Assim, em um curto período de tempo o papel alcança variações gigantescas, valorizando-se rapidamente.

No entanto, essa valorização não possui uma base concreta e rapidamente o preço do papel desaba.

 

Essa prática é dividida em alguns passos:

1º - Os integrantes do grupo escolhem uma ação ou derivativo que possua baixa liquidez e esteja sendo pouco comentado (no ocorrido, os membros optaram pela PDGR11 para realizar a fraude);

2º - Eles, então, adquirem uma boa quantia do papel ainda a preço baixo (no nosso caso, os integrantes compraram a PDGR11 a 0,01 centavo antes de partirem para o próximo passo).

3º -  Em seguida, os integrantes começam a divulgar falsos boatos em fóruns e grupos de discussão, incentivando os membros a comprarem os papéis escolhidos;

4º - Os usuários e leitores, acreditando nos boatos, decidem começar a comprar os papéis. Em consequência do grande número de pessoas tentando comprar e da baixa liquidez, o preço do papel começa a subir muito rapidamente (no nosso caso, o preço chegou a R$ 0,15 em apenas 3 dias, 1500% de valorização!!);

5º -  Lembra dos caras que compraram a PDGR11 a 0,01 e começaram a espalhar os boatos? Então, é nessa hora que eles começam a vender os papéis, afinal, já haviam ganhado R$1500 para cada R$100 investidos;

6º - Devido a essas vendas, os papéis começam a cair rapidamente de preço (5 dias após alcançar R$0,15 a ação já havia caído para R$0,04) e as pessoas que tinham comprado mais caro (quem comprou a R$0,11 por exemplo), assistem todo o seu investimento simplesmente sumir.

3  - Como virar a armadilha a seu favor

Primeiramente, não aconselho ninguém a fazer isso.

Não há garantias de que você conseguirá acertar o timing exato da operação, tornando seu risco altíssimo. E o retorno tão alto quanto, caso dê certo.

Então, se você não está disposto a correr altos riscos, não continue a ler o que vem abaixo. Não é para você.

1º - Observe o volume de negócios

Você pode estar pensando:

“E o que é esse volume de negócios?”

Se você vai no mercado e compra uma caixa de ovos, isso é um negócio, já que tanto você quanto o lojista concordaram (teoricamente) que aquele era um preço justo para a caixa de ovos.

Suponha que mais 100 pessoas comprem ovos naquele mercado todo dia. O seu volume de negócios é, então, 100/dia.

Agora imagine que o mercado faça uma promoção e 400 pessoas comprem ovos nesse dia. O seu volume aumentou consideravelmente, certo?

Troque ovos por ações e você terá o volume de negócios na bolsa de valores.

Como em qualquer bolha de mercado, o pump and dump se inicia com um aumento considerável do volume de negócios.

Ações que possuíam um volume extremamente baixo, agora chamam atenção pelo grande número (relativo ao que era antes) de transações.

Entretanto, chega uma hora que não há mais a quem enganar. Ninguém mais acredita nos boatos e os fraudadores não conseguem fazer com que mais pessoas comprem as ações. O volume cai e o preço estagna. 

Esse foi o caso do pump and dump que ocorreu na Mundial S.A.(MNDL3)

pump and dump

O gráfico inicia-se em 30 de Maio de 2011 e termina em 19 de Julho do mesmo ano.

Na parte de cima, temos o preço das ações. 

As barras debaixo representam o volume de negócios. 

Aquela fina linha azul é a média do volume nos últimos 80 dias. 

Observe como há um aumento do volume no início e posteriormente ele diminui, enquanto o valor da ação continua a subir.

No início, ela estava cotada a R$0,57.

Subitamente, seu preço dispara e em apenas 20 dias ela alcança R$ 7,01. Nada menos que 1130% de valorização.

Este é o gráfico do que acontece com ela nos 3 dias seguintes.

Em apenas 3 dias ela volta para R$0,94 e quem investiu por último perdeu mais de 85% do seu dinheiro.

pump and dump

Observe o volume de negócios. Quando ele começar a cair, saia fora.

2 º - Observe o IFR (Índice de Força Relativa)

O IFR é um ótimo indicador e vai permitir que você ganhe muito dinheiro na bolsa.

Muitas vezes, observar apenas o volume não permite que você identifique o ponto exato para sair do pump and dump.

Esse foi o caso da PDGR11.

pump and dump

Veja que o volume de negócios foi crescente sempre que ação subiu e começou a cair junto com o preço da ação.

Observando apenas ele, você ainda conseguiria algum lucro, saindo assim que ele começou a cair.

No entanto, o IFR alcançou praticamente 100, o que é raríssimo de acontecer.

Normalmente, a ação está excessivamente valorizada (claro, deve-se levar em conta os fundamentos) quando o IFR ultrapassa 80. Imagine a 100.

Não há um momento exato de sair do pump and dump observando apenas o IFR. Ao combinarmos ele ao volume, porém, conseguimos um ótimo timing.

Sendo assim, mesmo que o volume esteja crescente, saia da operação caso o IFR utrapasse a faixa dos 90–95.

Resumo

  • Ações com baixa liquidez e derivativos permitem que você invista na bolsa com apenas alguns centavos
  • Sempre verifique se os boatos são realmente verdadeiros
  • Desconfie de notícias alarmantes
  • Saiba identificar um Pump and Dump para nunca cair nele
  • Nunca use dinheiro que você precisa para tirar proveito de um Pump and Dump. Os retornos são altos, mas o risco também
  • Se você não sabe o que é volume de negócios, irá perder dinheiro
  • O IFR é um dos melhores indicadores técnicos e você precisa saber sobre ele

Não se sente confiante o suficiente para encarar esse tipo de risco?

Calma, jovem.

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