A maioria da população não sabe como investir com pouco dinheiro. Na verdade, ela nem sabe que isso é possível.

Segundo um levantamento feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), para 61% dos brasileiros a caderneta de poupança continua sendo a principal aplicação.

Mas antes de contar como investir com pouco dinheiro, de forma mais segura e com maior retorno, é preciso que você entenda o porquê de evitar a poupança, antes que seja tarde.

Como já exposto acima, mais da metade dos brasileiros tem a poupança como primeira opção de investimento, talvez por pensarem que é a única maneira de investir quando se tem pouco dinheiro, talvez pela isenção de imposto renda, entre outros.

Não há problema nenhum nisso.

O problema está no ganho real da poupança — diferença entre o que ela rende menos a inflação (reajuste de preços) — que é muito pequeno e já chegou a ser negativo em épocas de alta da inflação, acarretando na perda do seu poder de compra no longo prazo.

Algumas pessoas até buscam outros investimentos, mas por não saberem quais são melhores e onde estão recorrem ao gerente do banco, que na maioria dos casos, empurra péssimos produtos, que vão de previdências privada à títulos de capitalização.

Péssimos, por estarem repletos de taxas abusivas que comem (quase) toda a rentabilidade do capital investido. Porém, isto é assunto para artigos futuros, o foco aqui é outro.

Isso ocorre (infelizmente) pela falta de conhecimento, educação financeira, informação e medo de boa parte da população. Afinal, essas coisas a escola não nos ensina e mudar esse cenário é o nosso objetivo!

O gráfico abaixo contém o histórico dos últimos 2 anos para exemplificar melhor o que estou dizendo sobre perder o poder de compra e te mostrar o prejuízo que você pode ter se permanecer na caderneta.

Observe o longo período que o rendimento da poupança foi bem menor que a inflação.

como investir com pouco dinheiroFonte: Portal Brasil — Gráfico: Edufinance

 

Agora lhe pergunto:

Você deseja superar a poupança? Preservar o seu patrimônio? Investir e obter ganhos significativos com menos risco?

Se disse sim para pelo menos uma das perguntas você está no caminho certo. E para isso não é preciso ter grandes noções em finanças e entender conceitos difíceis de economia.

Pelo contrário, estou falando de algo muito simples e fácil, acessível a qualquer pessoa, independente de sua classe social ou nível educacional, possível de ser feito em apenas 5 passos.

Algo chamado, Tesouro Direto!

Para facilitar seu entendimento o artigo está dividido nos tópicos:

  • O que é o Tesouro Direto
  • Tipos de títulos existentes
  • Tributação
  • Reinvestimento
  • Os 5 passos para investir

 

O Que é o Tesouro Direto?

É um programa do Tesouro Nacional criado em 2002 em parceria com a BMF&Bovespa com o objetivo de democratizar o acesso à títulos públicos federais por pessoas físicas através da internet, o que não era possível anteriormente.

Tais títulos, são investimentos de renda fixa — cuja remuneração pode ser determinada no momento da aplicação ou no resgate.

O que nos possibilita dimensionar os rendimentos no ato de sua aquisição, ao contrário de investimentos de renda variável — cuja remuneração não dá para mensurar e pode-se obter retorno maior, igual ou inferior ao investido —  como ações etc.

Basicamente, ao comprar um título você empresta o seu dinheiro ao Governo para que ele possa investir em saúde, infraestrutura, educação etc. Em troca, irá receber o que emprestou de volta acrescido de juros.

O valor mínimo para investir é de apenas R$ 30, respeitando a fração de 1% do valor de um título. Tornando-se acessível a qualquer um.

E o valor máximo é de R$ 1.000.000 por mês.

Existem duas categorias de títulos: os Prefixados e os Pós-Fixados, divididos em 5 tipos.

Prefixados

Você sabe exatamente a rentabilidade do título e quanto irá receber se o mantiver até o vencimento. Esta categoria possui 2 tipos:

Tesouro Prefixado – antiga LTN (Letra do Tesouro Nacional)

No ato da compra você já tem ciência da taxa prometida e de quanto receberá se aguardar até final da aplicação.

É interessante para quem não pensa em resgatar o capital antes do prazo, caso isso aconteça o Tesouro Nacional pagará o valor de mercado (para esse e qualquer outro título).

Vantagens

  • Saber exatamente quando irá receber no vencimento
  • No geral paga um valor um pouco acima da Taxa Selic (taxa de juros), pelo fato dela poder subir e você ganhar menos.
  • Pode gerar receitas maiores no curto prazo se a Selic cair.

Desvantagens

  • Se a taxa de juros subir e você precisar resgatar antes do prazo, pode perder dinheiro.

Tesouro Prefixado com Juros Semestrais – antiga NTN-F (Notas do Tesouro Nacional Série F)

Neste você também sabe exatamente quanto irá receber, entretanto, como o próprio nome diz, os juros pagos são semestrais e você recebe esses rendimentos a cada 6 meses. Diferente do que acontece na LTN.

É recomendado para quem deseja utilizar estes ganhos por semestre para complementar a renda.

Possui vantagens e desvantagens semelhantes a da LTN, tendo como diferença o recebimento de juros semestralmente.

Vale ressaltar que a cada pagamento semestral há incidência de Imposto de Renda (IR – vou explicar mais abaixo como funciona).

Pós-Fixados

Você receberá sua remuneração atrelada a uma taxa predefinida mais um indexador, que pode ser:

  • taxa básica de juros da economia (Selic).
  • inflação (IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Sendo assim, a rentabilidade de um título pós-fixado é calculada através da variação de um desses indexadores, mais uma taxa fixa estipulada na hora da compra.

Ex.: IPCA + 5% – Logo, ao final do prazo, ele vai render a média da taxa IPCA desde a aplicação até o vencimento mais 5%.

Esta categoria possui 3 tipos:

Tesouro Selic – antiga LFT (Letra Financeira do Tesouro)

Como o nome já cita, ele é corrigido pela variação da Selic. É interessante para quem acredita numa tendência de alta da taxa básica de juros.

É indicado também para quem possui um perfil mais conservador, pois apresenta pouca oscilação e, por conseguinte, evita perdas numa venda antecipada.

Vantagens

  • Varia de acordo com a Selic. Logo, paga muito próximo à 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e é um alternativa muita boa comparada ao CDB dos bancos.

Desvantagens

  • Num panorama de queda da taxa de juros e aproximação da inflação, os ganhos reais podem ser pequenos ou próximo de zero.

Tesouro IPCA+ – antiga NTN-B Principal

É um título que proporciona rendimento real, ou seja, garante um aumento do seu poder de compra, porque é composto de uma taxa de juros predefinida mais a variação da inflação no período.

Portanto, independente da variação do IPCA, a rentabilidade sempre será superior a ela.

Esse título possui vencimentos extensos e é indicado para quem tem objetivos de longo prazo e deseja poupar para aposentadoria, comprar imóvel, pagar estudo dos filhos, dentre outros.

Você só receberá o valor investido acrescido dos juros no vencimento ou se vende-lo antecipadamente.

Vantagens

  • Rentabilidade real, acima da inflação.
  • Interessante para quem quer acumular patrimônio no longo prazo.
  • Possui prazos longos e ajuda a quem deseja proteger seu poder de compra e investir sem uma destinação específica para o dinheiro.

Desvantagens

  • No curto prazo costuma oscilar.
  • Se os juros crescerem e você quiser sacar o dinheiro, pode ter perda de capital.

Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais – antiga NTN-B

Segue praticamente as mesmas características da NTN-B Principal, exceto por uma coisa. Paga juros semestrais e o investidor recebe os rendimentos ao longo de cada 6 meses, ao invés de adquirir tudo no final.

Da mesma forma que a NTN-F, há incidência de IR todo vez que pago os juros forem.

É interessante para aqueles que buscam complementar sua renda periodicamente a partir do momento do investimento.

As vantagens e desvantagens são similares à NTN-B Principal, e o que difere é apenas a renda semestral.

 

Tributação

Taxa de Custódia

Por possibilitar uma aplicação mínima baixa, ao investir no TD você paga uma taxa de custódia de 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos à BMF&Bovespa.

Imposto de Renda

No Tesouro Direto também há incidência de IR sobre o lucro, diferente da poupança.

A alíquota é regressiva, isto é, diminui com o tempo. Veja na tabela a seguir:

como investir com pouco dinheiro

 

Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)

Este imposto só é cobrado em casos de resgates feitos em até 30 dias após a aplicação.

O IOF incide sobre o rendimento bruto e as taxas seguem a tabela regressiva.

como investir com pouco dinheiro

Contudo, mesmo com esses tributos a rentabilidade dos títulos federais são bem mais atrativa que a da caderneta.

 No gráfico abaixo, fizemos uma comparação conservadora de uma aplicação inicial de R$ 1.000, feitas no dia de hoje pelos próximos 15 anos, entre:

  • Poupança – 6,5% ao ano.
  • Tesouro IPCA – 9,5% ao ano.
  • Previdência Privada – 8%
como investir com pouco dinheiro

 

A caderneta rende aproximadamente 157%, o Tesouro 317% e a Previdência 240%.

Ou seja, o Tesouro vai rentabilizar mais que o dobro da poupança.

Uma diferença expressiva para quem buscar conforto e preservação do patrimônio. Não acha?

 

Reinvestimento

Um dúvida muito comum é sobre reinvestir, pois às vezes os títulos que adquirimos no início somem ou não podem mais ser comprados naquela taxa que queríamos.

Ou quando pretendemos vender um e sem saber vendemos outro, e por aí vai.

Fazer reinvestimentos mensais alavanca nosso patrimônio e é uma prática bastante inteligente na construção de riqueza.

Embora gere muita dúvida, saiba de uma vez por todas que o sistema do Tesouro Direto trabalha baseado no método “primeiro que entra, primeiro sai”.

Funciona assim: Se efetuar compras de um mesmo título em datas diferentes, na hora da vender, o sistema irá selecionar primeiro o mais antigo e depois o mais recente.

Deste modo, a alíquota do IR tende a ser menor e o lucro líquido maior.

Aplicando no TD, você opta por um investimento de boa rentabilidade, liquidez diária — facilidade que o ativo tem de se converter em dinheiro —  e menor risco do mercado, justamente por ele ser garantido pelo Tesouro Nacional.

Há quem pense o contrário. Se você ainda acha que a poupança é mais segura, me responde essa:

O que é mais fácil quebrar, um banco (poupança) ou um País (tesouro)?

Vamos aos que interessa. Que são os 5 passos para investir no TD.

 

1 – Ter um CPF e Conta-Corrente

Para que você possa dar o pontapé inicial e investir no Tesouro Direto, é obrigatório que você tenha um CPF válido e conta-corrente em algum banco.

Se ainda não possui, procure fazer.

Você pode abrir da forma convencional. Ir ao banco e ser premiado com as taxas de administração ou simplesmente abrir uma pela internet, totalmente online sem pagar absolutamente nada.

Basta preencher os dados solicitados e fazer upload de alguns documentos. É simples e fácil.

Você encontra a opção de conta digital em diversos bancos, falamos mais sobre ela neste artigo.

Antes de abrir verifique as condições de cada banco, enquanto umas são ilimitadas e isentas, outras são mais restritas e contém tarifas.

2 – Abrir uma Conta em uma Corretora

Esse é o momento em que tem de escolher a instituição financeira que vai fazer o elo de ligação entre você e suas negociações com o Tesouro Direto, pode ser o seu próprio banco ou uma corretora.

 “Mas o que é uma corretora? Por que preciso dela?”

Um corretora de valores nada mais é do que um Agente de Custódia responsável pelo intermédio das transações com o Tesouro Direto, fundos de investimento, ações etc. Não há como evitar, sem ela não é possível investir.

Existem dois tipos: as independentes e as vinculadas.

 As independentes são aquelas que não possuem qualquer tipo de vínculo com bancos.

As vinculadas são aquelas ligadas aos bancos e são um espécie de extensão deles.

Você pode escolher pela corretora do seu banco ou por uma grande corretora independente.

Eu particularmente prefiro a segunda, pois são as que apresentam as menores taxas e quando se trata de Tesouro Direto muitas nem cobram.

Diferente da grande maioria das vinculadas, que cobram e não é pouco.

Para lhe ajudar na tomada de decisão, nós já fizemos um artigo comparando as principais corretoras e os critérios para escolher a que melhor atenda os seus interesses, veja aqui.

No site do Tesouro você encontra a lista completa com todas as instituições habilitadas e suas respectivas taxas.

3 – Se cadastrar no Tesouro Direto

Após a escolha da corretora é hora de solicitar seu cadastramento no Tesouro.

Depois de enviado os documentos necessários, será aberta uma conta no seu nome para que possa começar a operar.

Feito isso, uma senha provisória será encaminhada ao seu e-mail para o primeiro acesso a área restrita do Tesouro, onde acontece as operações de compra e venda.

Em seguida, defina uma nova senha que deve conter de 8 a 16 dígitos, composta por letras, números e caracteres especiais.

Pronto! Agora você está apto para começar a investir.

4 – Transferir uma quantia da sua conta para a corretora

Nesta etapa, basta realizar uma transferência da sua conta-corrente para a conta da corretora com a quantia que deseja investir.

Uma dica para economizar é transferir por meio de uma conta digital, pois será isento de tarifa bancária, como já mencionei no passo #1.

Se ainda não possui muita experiência, sugiro que transfira pouco dinheiro (mesmo que tenha muito) para a corretora até ir conhecendo como funciona o mercado de títulos públicos.

“E se a corretora quebrar? Perco meu dinheiro?”

Provavelmente por receio você pode ter se feito uma pergunta como essa e é perfeitamente compreensível.

Fique tranquilo! Você não perde um centavo sequer.

Todo o investimento está registrado em seu nome e cpf diretamente na BMF&Bovespa.

E caso a corretora quebre, você deverá apenas sinalizar a bolsa uma outra conta em nova corretora para resgatar seu capital.

Lembre-se que a corretora faz somente o “meio-de-campo” entre você e os títulos, por isso você está protegido.

5 – Escolher o título que mais se adeque aos seus objetivos 

Você já conhece os 5 tipos de títulos disponível para investir e suas principais características.

Para escolher o mais adequado para alcançar seu objetivo financeiro, você deve ter muito claro em sua mente qual ou quais são os objetivos que tem para o dinheiro.

Objetivo este que pode ser de curto, médio e longo prazo.

Na área restrita ao investidor tem a ferramenta “Orientador Financeiro”, que pode lhe auxiliar.

Efetuada a compra? Parabéns! Só aguardar a confirmação no seu e-mail em até 2 dias úteis.

Muitas pessoas não investem por medo, e vencer essa barreira é o primeiro de todos os passos.

Bom, agora você já esta munido de todas as informações mínimas que precisava para investir com pouco dinheiro, mais segurança e maior rentabilidade.

No entanto, não posso fazer isso por você. É seu dever.

Leva pouco tempo e tenho certeza que consegue fazer isso por conta própria.

Se desejar se aprofundar mais sobre outros investimentos de Renda Fixa, leia este nosso artigo.

Seu futuro financeiro é consequência de somente um fator: sua atitude presente.

Portanto, não procrastine e comece já!

Atitude!

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P.s2: Se tiver quaisquer dúvida, escreve nos comentários também. Teremos enorme prazer em esclarecê-la.


Jonathan Afrisio

Estudante de Engenharia, quer mostrar que você não precisa ser um economista para entender como o dinheiro funciona. Durante muito tempo de sua vida não teve acesso à informações que lhe permitissem esse entendimento, e hoje, se dedica a propagar tais conhecimentos ao maior número de pessoas possível, de forma fácil e descomplicada.

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