Ultimamente um assunto tem sido muito comentado pelo país afora: a reforma da previdência. Notícias relacionadas a isso tem estampado capas de jornais e, praticamente em todos os dias do ano de 2017, algum veículo de informação abordou o assunto.

São quase 4 milhões de resultados no Google de notícias sobre o tema.

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Para você ter uma noção, as notícias de eleições de 2016 dos EUA tem 898 mil resultados, 4 vezes menos resultados aproximadamente.

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Isso indica o quanto esse assunto é importante e afeta a vida dos brasileiros. Independente do seu posicionamento sobre o assunto, a função da previdência para o trabalhador é uma só: abrir mão do dinheiro agora para garantir a tão sonhada aposentadoria no futuro.

Partindo dessa ideia, ela se assemelha muito com a visão dos investimentos: poupar agora para investir e obter ganhos no futuro.

Mas será que previdência e investimento são tão parecidos assim mesmo?

Esses 5 motivos vão te mostrar que não.

1 – Seguro não é investimento

Você já deve ter ouvido alguém dizer que seguro é o que se paga pra evitar dores de cabeça. Não é a toa que esse é basicamente o único argumento usado por todas as seguradoras na hora de vender um seguro.

E não há nada de errado com esse pensamento. Aliás, esse é o único motivo que deve levar uma pessoa a fazer um seguro. Mas se você acredita que um seguro é bom pelo lado financeiro, pare e pense: você acha que se fosse ruim pra seguradora, ela existiria?

É claro que não. Os cálculos atuariais realizados pelas empresas de seguro são feitos de maneira que pegando o conjunto total de clientes, a empresa tenha lucro. Caso contrário a empresa faliria.

Dessa forma, uma pessoa que tenha que acionar o seguro e receba a indenização é coberta pelo pagamento das pessoas que não o utilizaram.

É nesse momento que as pessoas podem se perguntar: “Esse artigo não era sobre previdência? Por que estou lendo sobre seguros?”

Simples. Porque a previdência é um seguro.

Isso pode ser facilmente percebido observando ambas as previdências: social e privada.

A previdência social é administrada pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Já o setor de previdência privada é fiscalizado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão do governo federal.

Quer algo mais explícito que isso?

A previdência social tem como missão proteger os trabalhadores e sua família contra os chamados riscos econômicos, como a perda de rendimentos por conta de aposentadoria, doença, invalidez e outros infortúnios.

2 – Você é obrigado a pagar a previdência social

Se você possui um emprego formal você está contribuindo para a previdência social.

Isso porque o governo obriga empregados e empregadores a contribuir para financiar os gastos da mesma.

Você já viu alguém te obrigar a receber dinheiro?

Imagina que um amigo seu te obriga a pagá-lo 1 real, para que ele possa te dar 2 reais na semana seguinte. Ele estaria te obrigando a receber dinheiro. Isso seria no mínimo estranho, né?!

Só que no caso da previdência social você não recebe em dobro, nem 1 semana depois. Muito menos tem que pagar apenas 1 real. Dá uma olhada em quanto cada trabalhador contribui:

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Consegue imaginar a diferença que R$75 por mês fazem na renda uma pessoa que recebe 1 salário mínimo? Não?! Não tem problema, nós pesquisamos.

Com esse dinheiro daria pra comprar:

  • 25 kg de arroz, suficiente para alimentar uma família de 5 pessoas durante 1 mês
  • 22 kg de espaguete, alimentando uma família de 3 a 4 pessoas durante 1 mês
  • 3 kg de picanha, equivalente a 10 dias de almoço e jantar
  • 7 kg de filé de frango, mesmos 10 dias só que alimentando 3 pessoas
  • 4,5 kg de filé de peixe, equivalente a 12 dias de almoço e jantar
  • 21 sacos de pão de forma, alimentando 4 pessoas durante 1 mês
  • 20 L de leite, suficientes para 1 mês em uma família de 2 a 3 pessoas

Ou ainda, 1 cesta básica contendo os seguintes itens:

  • 2 kg de açúcar
  • 5 kg de arroz
  • 2 kg de feijão
  • 1 garrafa de óleo de soja
  • 1 kg de sal
  • 1 kg de farinha de trigo
  • 1 kg de farinha de mandioca
  • 1 kg de espaguete
  • meio quilo de café
  • 1 lata de sardinha (125 g)
  • 1 lata de extrato de tomate (340 g)
  • 1 pacote de biscoito cream-cracker (200 g)

Se a pessoa não precisasse comprar mais nada com esse dinheiro que sobrou, ela poderia simplesmente poupar e investir. Economizando esses R$75 todo mês seria possível acumular R$6.000 em 5 anos, como mostramos neste artigo.

E não é só isso.

Como se não bastasse essa contribuição por parte do trabalhador, o empregador também é obrigado a contribuir se decidir contratar alguém. 

Pensa que é pouco? Se você achou aqueles valores absurdos, se liga nessa. O empregador paga 20% do salário do seu empregado para o INSS.

Isso significa que para contratar alguém com um salário de R$2000, são pagos R$400. Mensalmente.

Caso isso não existisse seria possível dar um aumento de 20% ao trabalhador. Já pensou na diferença que esses R$400 fariam pra uma pessoa que ganha R$2000?

Nessa hora alguns argumentam:

“Mas se o patrão não for obrigado a pagar esses 20% ele não vai repassar isso pro trabalhador. Afinal, o patrão explora o trabalhador.”

Se o empregador repassasse apenas metade desse valor, ambos sairiam ganhando mais do que com o cenário atual.

O empregado ganharia um aumento de R$200 no seu salário e o patrão economizaria R$200.

Agora, se o cara for explorador e embolsar os R$400, o trabalhador ainda sai ganhando os R$180 que não precisaria contribuir, como vimos na tabela de contribuição!

Será que se a previdência fosse um (bom) investimento para você, você seria obrigado a contribuir?

3. É oferecida pelos bancos como a oitava maravilha do mundo

Até agora estávamos falando sobre previdência social (INSS), mas também existe a previdência privada.

A previdência privada já acumula mais de R$11 bilhões e quase 13 milhões de pessoas, segundo a Federação Nacional de Previdência Privada.

Achou que os bancos iam ficar para trás e perder essa boquinha? De jeito nenhum!

Você já deve ter ouvido falar que os bancos são extremamente prejudiciais aos seus investimentos. Isso porque o banco vive de ganhar dinheiro com o dinheiro dos outros.

Basicamente, o que ele faz é captar dinheiro a uma taxa mais barata, emprestar a uma taxa mais cara e ganhar nessa diferença.

Assim, o gerente do banco vive diariamente um conflito de interesses: se ele te oferecer um bom investimento (que oferece uma alta taxa de retorno) essa diferença entre a taxa que ele te paga e a taxa que ele empresta fica menor, o que faz o banco ganhar menos.

Para evitar isso, o banco incentiva seus gerentes a oferecerem a seus clientes péssimos investimentos, bonificando-os caso consigam.

É por isso que você deve fugir dos grandes bancos e investir seu dinheiro por meio de corretoras. Se estiver precisando de ajuda na hora de escolher uma, dá uma olhada nesse guia.

E o que isso tem a ver com previdência privada? Esse é mais um daqueles produtos ruins que o banco te oferece.

A jogada de marketing deles é vender esse produto como segurança para sua família e realização dos sonhos da sua vida. Dá uma olhada nessas propagandas:

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O que eles não te contam é o que você vai descobrir agora.

4. As taxas transformam a previdência no bicho-papão dos investimentos

Como se já não bastasse os altos impostos e taxas que temos no Brasil, investir na previdência privada faz você ter a certeza que o Brasil é o país que mais tem impostos e taxas.

Simplesmente porque na previdência você tem que pagar taxa pra entrar, taxa pra ficar e taxa pra sair. Sabe aquele ditado: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”?

A previdência é uma versão piorada dele! Todas essas taxas não são poucas e corroem a palavra “investimento”. Vamos a elas:

Taxa de carregamento: é a “taxa de entrada”, que incide sobre cada contribuição. A cada aporte (aplicação) que você faz uma parte do seu investimento já é comida.

Em geral, estas taxas variam de 0 a 3%. Ou seja, se você aplica R$200 por mês e a taxa de carregamento é 2%, a cada mês você perde R$4 só para entrar nessa “brincadeira”.

Taxa de administração: além da taxa de entrada, para gerir os seus investimentos é cobrada uma taxa. Afinal, ele é gerido por uma pessoa que recebe pra isso. Essa taxa incide sobre a rentabilidade total da aplicação. Em geral varia entre 1,5% e 3% ao ano.

Isso significa que se sua previdência render em 1 ano o quanto a poupança rendeu em 2016 (8,35% ano) você perdeu dinheiro para a inflação.

Taxa de saída: Cobrada no caso do resgate antecipado da aplicação. Contudo, a maioria das seguradoras executam esta cobrança apenas nos primeiros anos. Algumas seguradoras impõe prazos de carência para resgates e transferências externas parciais ou totais.

Além disso, a previdência privada é um “investimento” de longo prazo. Para não perder dinheiro você deve ficar pelo menos 10 anos nela, graças ao regime de tributação regressiva.

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O lado “bom” é que você paga menos imposto com o passar do tempo. Mas se você não sabe nem o que acontecerá com você no futuro ou até mesmo daqui a 2 anos, como saber o que vai acontecer com o rendimento da previdência?

Uma alternativa aos altos impostos cobrados para prazos curtos é optar pela tabela progressiva do imposto de renda. É verdade, essa é uma escolha que você pode fazer quando vai contratar uma previdência. A tabela progressiva funciona da seguinte forma:

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Isso significa que dependendo do valor que você resgate anualmente ou mensalmente, a alíquota muda conforme essa tabela.

Se você quiser saber mais sobre como funciona a previdência privada, sugerimos os artigos do quero ficar rico.

5. Perderia para poupança em rentabilidade

A poupança é sem dúvida uma das piores alternativas de investimento. Se é que podemos chamar as alternativas que rendem menos que a poupança de investimento.

(Se você não sabia disso ou ainda deixa seu dinheiro aplicado na poupança você precisa ler isso. Vai mudar completamente seus rendimentos!)

Esse é o caso da previdência.

Se a previdência social fosse um investimento, ele teria uma rentabilidade pior que a da poupança!

Desde 2003, quando a aposentadoria passou a ser reajustada por um indicador fixo, o INPC (tipo uma inflação), ela teve um reajuste real (rendimento menos inflação) de 8,62% em 13 anos.

Nesse mesmo período a poupança cresceu 24,3%, já descontada a inflação. Quase 3 vezes mais!

Fazendo um comparativo com a previdência privada os rendimentos melhoram um pouco.

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Esse é um comparativo retirado de um informativo de um banco que oferece previdência privada. Observe como ela praticamente iguala a poupança nesse período e perde bastante para o CDI. Além disso, quase não é capaz de superar a inflação (IPCA-15).

Definitivamente, a previdência não é uma boa opção para pensar em aposentadoria. Já que por enquanto você não tem como se livrar da previdência social, ao menos fique longe da previdência privada.

Mas não se preocupe!

Estamos preparando um conteúdo que vai mudar completamente a maneira como você vê a aposentadoria. Na verdade, vamos fazer com que você pare de olhar pra ela e pense nessa imagem:

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Vamos te ajudar a economizar 25 anos de vida trabalhando, fazendo você poder escolher se quer trabalhar ou não.

Mas não é só isso. Ele vai te fazer repensar toda a sua vida.

Fique atento, em breve você poderá ficar por dentro do #oSegredodosMilionarios.

Enquanto isso, aconselhamos que você leia esses dois artigos para se preparar para o que está por vir:

Como investir em Renda Fixa: o guia completo para quem nunca saiu da poupança

Como investir na Bolsa de Valores: as 7 coisas que você precisa saber para começar a investir

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