Graças ao Facebook, uma parede chegou a custar 500 milhões de dólares. Mas como assim uma parede com esse valor?

Isso aconteceu por causa da arte do grafiteiro David Choe, o artista que pintou a parede da sede do Facebook em Palo Alto, lá em 2005.

Eis a história:

Em 2005, David Choe foi contratado por Sean Parker (presidente do Facebook na época) para grafitar uma das paredes da primeira sede do Facebook.

A empresa ofereceu US$60 mil pelas paredes para Choe, que fez uma contraproposta para receber ações da companhia ao invés do pagamento em dinheiro. Há divergências se esta foi a real ordem dos fatos, mas no fim das contas David foi pago com ações da empresa.

7 anos depois, em 2012, o Facebook realizou seu IPO (Oferta Pública Inicial) e passou a ter suas ações negociadas da Nasdaq, uma das Bolsas de Valores americanas. 

Nesse processo, foram arrecadados US$16 bilhões e as ações que Choe possuía desde 2005 passaram a valer US$500 milhões! Nada mal, para “pintar algumas paredes”, né?!

Mas por que isso aconteceu?

Voltando ao início da história, em fevereiro de 2004, quando o Facebook foi fundado na universidade de Harvard, já era possível perceber o quão promissor era o negócio.

Após pouco tempo de sua fundação, o Thefacebook (como era chamado na época) já começava a viralizar entre os alunos da universidade.

Isso fez com que atraísse olhares de investidores e recebesse seu primeiro investimento de Peter Thiel (cofundador do PayPal), no valor de US$500 mil.

A partir disso, a empresa começou a crescer e se espalhar ao redor do mundo e quando sua primeira sede foi construída em 2005, David Choe entrou na história.

Apesar disso, na época, o Facebook ainda não possuía faturamento milionário e mesmo assim era cotado como um negócio valioso. Por quê?

Embora não possuísse lucros, existia uma grande expectativa de que, no futuro, a empresa fosse obter muito dinheiro vindo da receita com anúncios que seriam colocados no site. Essa estratégia pode ser confirmada como lucrativa porque os usuários do Facebook passavam horas e horas nele (um ótimo lugar para anunciantes, né?!).

Acontece que analisar empresas com base em suas expectativas de lucro futuro é muito complexo e arriscado quando não se tem um negócio testado e bem definido.

Foi isso que fez com que ocorresse a Bolha da Internet no final da década de 90. A bolha estourou e as bolsas de valores americanas entraram em crise, com a Nasdaq caindo de 5000 para 1100 pontos, aproximadamente, em apenas dois anos e meio.

Simplificando: as empresas diziam que teriam lucros no futuro, mas esses lucros nunca chegaram. Quando as pessoas perceberam que as companhias que investiram não teriam lucros, começaram a vender suas ações, gerando uma grande crise (A Nasdaq só conseguiu recuperar os 5000 pontos 15 anos depois).

Só que a maioria delas só percebeu quando já era tarde demais e amargaram grandes prejuízos.

IPO das empresas de internet

 

O caso do Facebook foi um sucesso, mas isso não significa que todos serão. Por isso, é preciso ter cuidado na hora de avaliar uma empresa muito nova e com negócios pouco definidos.

E não adianta acreditar que é possível ficar muito rico investindo em ações da noite para o dia sem correr riscos. Quanto maior o lucro, maior será o risco e vice-versa.

Em 2012, após 7 anos de crescimento e estruturação da empresa, finalmente o Facebook resolveu abrir seu capital (IPO) e aparecer na bolsa americana. Antes, o capital da empresa era composto apenas pela participação de seus sócios.

Com a Oferta Pública Inicial (IPO), a empresa oferece parte de suas ações para o mercado e possibilita que pessoas comuns possam investir nela.

Para fazer isso, a companhia recorre aos órgãos reguladores do mercado financeiro, que garantem que está tudo de acordo e fiscalizam as empresas, e a um banco de investimento.

O banco de investimento é contratado pela empresa para ajudá-la neste processo, auxiliando nas questões burocráticas e definindo um “preço bom” para suas ações.

“Preço bom” para quem?

A verdade é que o objetivo da empresa em realizar um IPO é captar o máximo de dinheiro possível para que ela possa expandir. Sendo assim, não é interessante realizar essa estratégia com um mercado em crise, mas com um mercado em alta.

Ultimamente, temos visto uma “nova onda” de IPOs no Brasil e o motivo é justamente esse. Após a crise político-econômica que tivemos, o mercado se recuperou e a B3 está em seus patamares mais altos.

Qual a consequência disso? 5 empresas já abriram seu capital em 2017.

Como vimos, quem define o preço pelo qual serão negociadas as ações no IPO é o banco de investimentos contratado pela empresa, reforçando que o preço das ações nesse momento tende a ser o melhor possível para a mesma e não para os investidores.

Mas o que ocorre depois disso?

Passado o momento de euforia do IPO, as ações tendem a seguir para um patamar de preço justo, na maioria das vezes, menor que o preço a que foram ofertadas inicialmente.

Benjamin Graham, um dos professores de Warren Buffett e autor do livro Investidor Inteligente, realizou esse estudo na bolsa americana, confirmando essa teoria e publicando-a em seu livro. Recomendamos fortemente sua leitura.

É preciso ficar atento

Portanto, é preciso ficar atento à esta “nova onda” que está sendo noticiada e lembrar que para realizar uma compra inteligente no mercado de ações devemos:

  • Comprar ações que estejam mais baratas do que realmente valem (Preço < Valor)
  • Saber que grandes retornos implicam em assumir grandes riscos
  • Entender que se todos estão falando de uma determinada ação, muito provavelmente, ela já está em um momento de euforia e deve estar supervalorizada.
  • Reconhecer que para cada “novo Facebook” existem centenas de fracassos.