Você sabe o que é um direito de subscrição?

Se você investe no mercado de ações ou tem vontade de investir, é essencial que você saiba o que é isso. Ou você pode perder MUITO dinheiro.

Por mais que você já invista e nunca tenha ouvido falar em subscrição, ele é algo bem comum no mercado. E também não é nada muito complexo, nem de outro mundo.

Em 2016, houveram 6 subscrições e no ano de 2017 já são 5.

Por isso, reunimos as maiores e mais importantes dúvidas dos investidores do mercado de ações e respondemos:

  • O que é um direito de subscrição de ações?
  • Como isso funciona na prática?
  • Como não perder dinheiro com subscrições?
  • O que são sobras de subscrição?
  • Acontece alguma coisa depois que a subscrição acaba?

O que é um direito de subscrição de ações?

Todas as empresas negociadas na bolsa de valores são compostas por ações e cada ação representa uma pequena parte do valor da empresa.

Se você ainda não sabe isso, pare e leia esse artigo.

Suponha que a empresa Edufinance esteja listada na BM&F Bovespa, tenha um capital social (ou valor) de R$3 bilhões e foi dividida em 30 milhões de ações. Logo, cada ação possui um preço de R$100.

Imagine agora que ela está precisando de dinheiro para poder expandir e melhorar seus negócios. Então, a empresa escolhe aumentar seu capital social.

Para poder fazer isso, a empresa deve emitir novas ações e ofertá-las através da Bovespa, possibilitando que novas pessoas comprem.

Acontece que para poder oferecer essas ações à novas pessoas, primeiro a empresa deve oferece-las aos seus antigos acionistas. Ou seja, quem já possuía as ações antes desse aumento de capital tem preferência na compra das novas ações.

Essa preferência se chama direito de subscrição.

Como o termo sugere, ele é apenas o direito de comprar mais ações da empresa, caso queira. Se a pessoa não tiver dinheiro para comprar mais ou não considerar isso um bom investimento, ela pode não exercer esse direito.

Ou melhor, ela pode vendê-lo para alguém.

É como se fosse um contrato te garantindo determinado preço de um ativo até uma certa data, caso você queira comprá-lo. E se não quiser pode vendê-lo.

Mas por que isso existe?

“O direito de subscrição existe para proteger os atuais acionistas da diluição de sua participação acionária.”

What?!

Sabemos que o acionista de uma empresa pode exercer grande poder sobre ela. Basta que ele tenha grande parte das ações sozinho ou que seus interesses sejam compartilhados com quem tem.

Nesse caso, ele é chamado de acionista majoritário, pois possui a maioria das ações.

Vamos supor que eu seja acionista majoritário da Apple: possuo 51% de um total de 100 mil ações. Em votação, a empresa está avaliando lançar 2 iPhones por ano ao invés de 1, porque acredita que isso aumentaria os lucros.

Eu tenho o poder de decidir se a empresa fará isso ou não, já que sou acionista majoritário.

Como acredito que isso será prejudicial para a empresa e ocasionará em maiores gastos e menos lucro, eu veto essa decisão. Dessa maneira, a empresa deve aceitar a minha decisão e não lançará 2 modelos por ano.

Depois de um tempo, a empresa resolveu aumentar seu capital e criar 100 mil novas ações e ofertá-las ao mercado. Infelizmente, eu não fiquei sabendo dessa oferta e uma pessoa desconhecida comprou todas as novas 100 mil ações.

Agora eu, que possuía 51 mil ações de um total de 100 mil ações possuo a mesma quantidade, porém de um total de 200 mil ações.

Minha participação acionária foi reduzida de:

51% — 51mil divididos por 100 mil ações

Para:

 25,5% — 51 mil divididos por 200 mil ações

Agora, minhas decisões na empresa não tem o mesmo poder que tinham antes. E esse desconhecido, que agora detém 50% das ações, possui mais influência que eu, mesmo que não entenda nada sobre o negócio.

Essa é a diluição da minha participação acionária e é para evitar que isso aconteça que existe o direito de subscrição.

Como isso funciona na prática? 

Quando uma empresa lança uma subscrição de ações, ela anuncia uma série de condições. Vamos entender cada uma delas.

Por exemplo, se você tivesse ações da empresa Itaúsa teria recebido o e-mail:

direito de subscricao

Essas informações são divulgadas publicamente e aparecem no site da Bovespa, de maneira menos explicativa:

direito de subscricao

Deliberado em significa que no dia 13/02 foi definido que haveria a subscrição das ações da Itaúsa.

Negócios com até — para possuir o direito de subscrição você deveria possuir as ações da empresa no dia 20/02.

Assim, caso você não tivesse ainda as ações em 13/02, ainda poderia comprá-las até o dia 20/02 para ter o direito.

Se vendesse suas ações antes do dia 20, perderia o direito, que passaria para o comprador delas. Ou ainda, se você comprasse após o dia 20 não receberia o direito de subscrição.

Porcentagem (%) — indica quantas ações você terá o direito de comprar. Nesse caso, a cada ação a pessoa tem o direito de comprar 1,6 nova ação.

Preço de emissão — mostra por qual valor as novas ações podem ser adquiridas. Esse valor é sempre menor que o preço da ação no mercado secundário na data da deliberação.

Isso porque as novas ações devem oferecer alguma vantagem pra quem as comprar primeiro. Se o preço for maior não valerá a pena exercer o direito, já que é melhor comprá-las no mercado secundário.

Negociação de direitos — Como mencionado, se você não quiser adquirir novas ações você pode vender esse direito e faturar uma graninha extra, mas existe um prazo para isso.

Para a subscrição da Itaúsa, esse período foi de 02/03/17 a 24/03/17.

Normalmente, é estabelecido um prazo mínimo de 30 dias para essa negociação, contando a partir da data da deliberação.

Subscrição até — Se quiser efetivamente exercer o direito e comprar novas ações, o portador do direito deve fazer isso até esse dia, que para este caso foi 31/03/17.

Na imagem acima você pode perceber que existem 2 linhas contendo as informações da subscrição e que possuem as mesmas informações.

Isso se dá porque, nesse caso, a subscrição foi efetuada para os dois tipos de ação da empresa: ordinária e preferencial. Se você não sabe o que é isso, sugiro fortemente que leia isso.

Para a ação ordinária, a subscrição recebe o mesmo código de letras seguido do número 1. Ex: ITSA3 (ação ON) — ITSA1 (subscrição).

Já na preferencial, a subscrição recebe o número 2. Ex: ITSA4 (ação PN) — ITSA2 (subscrição).

Como não perder dinheiro com subscrições

Mencionamos que, caso você não queira exercer o direito de subscrição, você pode vendê-lo no mercado.

É por isso que você precisa ficar muito atento a negociação de direitos e subscrição até para evitar perder dinheiro.

Isso porque o direito de subscrição possui um valor, já que te dá algum benefício sobre uma ação: a possibilidade de comprá-la mais barata do que no mercado.

Logo, se o preço de emissão estiver fixado em R$10 e ação for R$15 a subscrição valeria por volta de R$5, no início de sua divulgação ao mercado.

Sendo assim, nesse momento, tanto faz comprar a subscrição por R$5 para poder comprar a ação a R$10 ou comprar diretamente a ação a R$15, desconsiderando os custos de corretagem.

Mas e se o preço da ação variar ao longo do período de negociação de direitos?

O preço da subscrição mudará também.

Exemplo:

Se a ação agora é R$25 a subscrição valorizará, pois será muita vantagem pagar R$5 pela subscrição para comprar a ação a R$10. Um gasto total de R$15 por algo que “vale” R$25.

Então, quanto mais a ação valoriza, mais cara fica a subscrição.

Por outro lado, se ação passar para R$12, a subscrição desvalorizará bastante, pelos mesmos motivos.

E se a ação for para R$9, a subscrição não valerá NADA. (ou 1 centavo que o valor mínimo para um ativo em negociação na bolsa)

Isso mesmo, NADA.

Claro. Quem pagaria alguma coisa para ter um prejuízo?! Se eu posso comprar a ação a R$9 normalmente, não faz sentido nenhum pagar qualquer coisa sequer para comprá-la a R$10.

É por isso que você pode perder muito dinheiro.

Imagine que você tivesse 100 subscrições. Em seguida, a ação valorizou para R$18 e de repente despencou para R$12.

Suas 100 subscrições que, hipoteticamente, custavam R$8, agora custam R$2. (Esses valores são mais acentuados devido ao efeito manada)

Você foi, rapidamente, de R$800 para R$200. Uma perda de 600 reais!

Você pode até pensar:

“Ah, mas eu não estou perdendo dinheiro. Estou apenas deixando de ganhar. Afinal, eu não tinha esse dinheiro antes.”

Acontece que deixar de ganhar dinheiro é perder uma ótima oportunidade e é perder dinheiro, sim! Chama-se custo de oportunidade.

É a mesma coisa que dizer que é melhor ir de graça numa festa que custa R$100, mas para isso ter que deixar de trabalhar e ganhar R$160.

Você não quer ser aquela pessoa que só inventa desculpas para justificar seus erros, né?

Por isso, fique bastante atento à data de negociação.

Sobras de subscrição

Lembra que a Edufinance estava precisando de dinheiro?

E se ela precisasse de R$300 milhões para realizar sua expansão e não conseguisse vender todas as subscrições? Ela não arrecadaria todo o valor necessário e não poderia expandir, certo?

Errado.

Se isso acontecer significa que houveram sobras de subscrição, mas a empresa pode oferecê-las novamente. Dessa vez diretamente na Bovespa (mercado secundário), sem ter que dar novamente direito aos acionistas anteriores. 

Afinal, eles já tiveram a oportunidade.

Apesar disso, a empresa sempre vai preferir que não haja sobras, pois oferecê-las novamente gera custos para a empresa.

Acontece alguma coisa depois que a subscrição acaba?

Sim. Como falamos, o preço de emissão da subscrição é diferente do preço da ação no mercado. Muitas vezes, essa diferença permanece até a subscrição ser encerrada.

E agora? Qual passa a ser o preço da ação: o preço de emissão ou o preço de mercado?

A resposta é: nenhum dos dois.

Após esse período é feito um preço médio entre as ações.

Lembra que a subscrição aumenta o número de ações da empresa?

As ações anteriores estavam com o preço de mercado e as novas com o preço de emissão. E como no final todas devem ter o mesmo preço, é preciso fazer esse preço médio.

Para isso, basta multiplicar o preço de emissão pela porcentagem de novas ações. Assim, temos o quanto as novas ações influenciam no preço final.

No caso de ITSA3 multiplicaríamos: R$6,10 x 1,6% = R$9,76.

O peso das ações anteriores é o preço de mercado x 100. Isso significa que elas representavam 100% da empresa.

Então: R$9,05 x 100 = R$905.

Em seguida, somamos esses dois valores (R$905 + R$9,76) e dividimos pelo que agora seria o total de ações: 101,6% (100 + 1,6).

Finalmente, chegamos ao preço de R$9,00.

R$914,76 dividido por 101,6 = R$9,00.

 Esse é o chamado ajuste de preço, que nos dá o novo preço da ação.

Bônus: Não confunda direito de subscrição com bônus de subscrição

O Bônus de subscrição pode se confundir muitas vezes com o direito de subscrição, já que são nomes parecidos.

Seu funcionamento é bem parecido também. A diferença é que o bônus não precisa ser oferecido aos acionistas anteriores.

Ele também possui prazos maiores que o direito, por exemplo, 2 anos.

Ou seja, ele lhe daria o direito de subscrever as ações a um determinado preço em uma determinada data.

Simples assim.

Com essas informações, espero que você tenha aprendido bastante sobre subscrições e não deixe a oportunidade passar quando ela aparecer e NUNCA perca dinheiro com subscrições.

E claro, se ainda tiver alguma dúvida conta pra gente!