Provavelmente, você já ouviu falar algo sobre Bitcoin ou criptomoedas. Afinal, esse é um dos assuntos mais comentados nos últimos meses.

As altas valorizações do Bitcoin tem gerado grande euforia por parte de muitas pessoas e chamado atenção do mercado financeiro como um todo.

É evidente que junto com a sua popularização venha também uma onda de novos investidores, muitas vezes seduzidos por certas mídias, com o pensamento de ganhar muito dinheiro da noite para o dia.

Abaixo alguns recortes:

Isto porque, a grande maioria das informações que circulam nesses veículos apontam para apenas um único lado da moeda.

Você já parou pra pensar no outro? Com esse boom e crescimento vertiginoso, será que não estamos à beira de um colapso?

Pois é, esses e outros possíveis questionamentos que possam ter surgido na sua cabeça serão esclarecidos.

Mas antes de darmos início, algumas ressalvas: este artigo é baseado em opinião, estudos, fatos e histórico de tendências sobre o tema (respeitamos todo e qualquer tipo de ideia contrária).

Em suma, vamos à seus 4 alicerces:

  • O que é Bitcoin?
  • O Bitcoin é um investimento?
  • A diferença entre Especular e Investir
  • A bolha e suas 3 características

O que é Bitcoin?

O Bitcoin é uma moeda virtual descentralizada, com o conceito peer-to-peer (P2P – de pessoa pra pessoa, em tradução livre). Ou seja, não há um governo ou banco central para regular as transações comerciais.

Surgiu em 2008, no auge da crise financeira mundial, e foi criado por um programador (ou grupo, ninguém sabe ao certo) que usava o pseudônimo de Satoshi Nakamoto.

Em outras palavras, o Bitcoin é uma moeda digital que, assim como o real ou o dólar, você pode usar para comprar ou vender bens e serviços – no entanto, apenas por meio eletrônico.

A diferença é que ele não é uma moeda física, é um código criptográfico, e tampouco possui a participação de terceiros para validar as operações.

Em vez disso, ele é gerenciado coletivamente por uma rede universal de computadores que garante a segurança e integridade do sistema contra hackers.

Funciona assim: usuários “cedem” suas supermáquinas para “minerar” (termo usado na emissão da moeda) e armazenar todas as informações dos participantes dessa rede que interagem entre si via internet.

Em troca, esses “mineradores” recebem alguns Bitcoins ou fração do mesmo para manter a rede ativa e validar as transferências.

Todas as transações realizadas são registradas na blockchain — uma espécie de livro contábil público que contém todo o histórico de operações — que é a grande tecnologia por trás do sucesso do Bitcoin.

Há quem diga que a blockchain é a nova revolução da indústria financeira e de outros mercados.

Diferente do dinheiro tradicional (papel-moeda), que os governos podem emitir sempre que julgarem necessário, o Bitcoin é limitado. Só podem ser produzidos 21 milhões, evitando a criação de novas moedas e inflação.

Atenção

Outros 2 pontos atrelados à essa criptomoeda que você deve considerar antes de aplicar o seu dinheiro, são:

  1. Ela não tem lastro — Ou seja, não tem uma garantia ou valor intrínseco que comprove que ele valha o preço que se paga. Justamente por não ter um órgão regulador.
  2. Possui alta volatilidade — Tal como as ações os preços podem flutuar muito, só que numa escala maior e atingindo patamares inimagináveis de uma hora pra outra, seja para mais ou para menos. Diferente delas, o Bitcoin não possui um sistema de Circuit Breaker – mecanismo da bolsa de valores que congela as transações caso haja uma queda muito acentuada. Assim, nada o impede de cair bruscamente em um dia.

Dito isso, vamos adiante!

O Bitcoin é um investimento?

Embora pareça uma pergunta estranha, alguns automaticamente responderiam que sim.

O que não é o seu caso, nosso leitor. Se observarmos a palavra em sua essência e a visão de mercado, a resposta é: não!

Isso mesmo … Veja o que diz Benjamin Graham em seu livro “O Investidor Inteligente” sobre a definição clássica de investimento:

“Uma operação de investimento é aquela que, após análise profunda, promete a segurança do principal e um retorno adequado. As operações que não atendem a essas condições são especulativas.”

Destrinchando a frase em 3 partes:

  1. Tomando o mercado de ações como exemplo, há uma empresa por trás mostrando os resultados publicamente, nos possibilitando uma análise profunda da ação. Diferente das moedas digitais e commodities, onde a análise não vai muito além de “oferta x demanda”.
  2. Pelo simples fato de não possuir um lastro e o mercado ser extremamente volátil, não há como assegurar o principal investido.
  3. Quase todo mundo que adquiriu ou adquire Bitcoin, faz isso almejando um puta retorno.

Por estas razões, Bitcoin, ethereum, litecoin e outras criptomoedas não podem ser caracterizadas como investimento, em sua essência.

Logo, quem adquire Bitcoin não está investindo, e sim especulando.

A diferença entre Especular e Investir

Essa é uma dúvida frequente que muitas pessoas confundem e nem sempre sabem distinguir a real diferença entre estar especulando ou investindo.

O investidor aplica seu dinheiro em investimentos que o permita fazer uma boa análise e assegure o seu capital, buscando selecionar aqueles com bons desempenhos e que apresente grande potencial de crescimento.

Geralmente efetua operações de longo prazo e seu principal objetivo é a participação nos lucros, seja através de dividendos (no caso de ações) ou valorização do ativo.

O especulador opera a curto e médio prazo e está focado, sobretudo, na liquidez e flutuações do preço do ativo, sem ligar tanto para os fundamentos.

Seu principal objetivo é obter um ganho de capital muito superior ao do mercado, isto é, a diferença entre o preço de compra e venda. Chegando a assumir riscos que podem comprometer todo o seu capital.

Para Graham, os investidores analisam “o preço do mercado usando padrões de valor estabelecidos”. Ao passo que os especuladores “baseiam seus padrões de valor no preço do mercado.”

É importante que você entenda claramente essa diferença entre “especulação” e “investimento”.

É comum encontrar quem não tenha esses conceitos bem assimilados, muito menos critérios de entrada, manutenção e saída de um investimento definido.

A bolha e suas 3 principais características

Não é de hoje que bolhas financeiras vem e vão a todo tempo. Se você não sabe o que é, explico:

Basicamente, uma bolha ocorre quando muita gente procura um certo ativo fazendo-o atingir patamares de preço muito elevados, fora da realidade frente ao seu valor intrínseco.

Até que chega um ponto em que ninguém mais está disposto a pagar e ela “estoura” subitamente. Com isso, o preço do ativo entra em “queda livre” levando muitos à falência, como um efeito dominó.

As bolhas estão associadas à natureza humana, são movidas pela nossa sede desmedida de ganhar sempre mais e enriquecer facilmente.

Ao longo da história já houve diversos casos, desde a bolha das “Tulipas Holandesas”, em que uma flor era negociada a preços estratosféricos até voltar ao normal.

Passando pelas mais famosas, como a “Crise de 29” e a bolha das “ponto.com” nos fim dos anos 2000.

 A mais recente, a bolha imobiliária americana ocorreu em 2008. Para quem quiser se aprofundar, o filme A Grande Aposta” retrata bem o ocorrido.

#1 – Dessa vez é diferente

Devido a histeria e forte apelo entorno do Bitcoin, experimente perguntar pra alguém o que acha a respeito.

Provavelmente você irá ouvir algo do tipo:

“Ah, mas dessa vez é diferente”

O mais engraçado é que tem uma frase famosa de John Templeton que diz assim:

As 4 palavras mais caras do mundo são: “dessa vez é diferente”

Ou seja, deveríamos aprender com as lições deixadas pelos acontecimentos passados.

Os casos de bolhas citados já bastaria para comprovar isso. Mas não, parece que não servem de nada.

Nós simplesmente não conseguimos aprender e nem enxergar se tivesse debaixo do nosso nariz, e isso nos leva à segunda característica.

#2 – Uma bolha não pode ser analisada em tempo real

Se todo mundo achasse que existe uma bolha, a cotação não teria chegado a patamares tão altos.

Houve sim umas oscilações recentemente devido a notícias, principalmente da China, onde as variações em poucos dias foram significativas.

Mesmo longe de seu topo histórico de quase US$ 5.000,00 dias depois da forte queda, o frenesi continuou e o Bitcoin voltou a subir em virtude de alguns países estarem cogitando criar suas próprias criptomoedas.

O que isso significa? Que enquanto a bolha não “estourar”, vai sempre haver alguém negando o fato dela existir, ou pelo menos de estar se aproximando pelas beiradas, bem como a água, que quando você vê já ganhou todo terreno.

Quer mais provas?

Tome como exemplo o caso do subprime em 2008, em que o então presidente do banco central americano e seu sucessor, davam entrevistas negando o fato da existência de uma bolha imobiliária na época, 1 ano antes.

Veja a matéria do jornal americano, “The Washington Post.

#3 – (Quase) todo mundo usa o Bitcoin como meio especulativo

Dentre os 3 aspectos inerentes à uma moeda, que são:

  • Reserva de valor: permite armazenar e conservar valores para utilização futura, mantendo o poder de compra no tempo.
  • Unidade de conta: capacidade de poder ser convertida em euro, real, dolár ou outras moedas.
  • Meio de troca: intermediária entre a troca de mercadorias e serviços.

Quem você conhece que usa o Bitcoin ou outras moedas virtuais como meio de troca? Ainda que com essa “febre” ele seja aceito em alguns locais, praticamente quase ninguém usa.

Conforme já dito anteriormente, a maioria das pessoas utilizam Bitcoin puramente para especular. Comprando a um preço “x” com a expectativa de vendê-lo por 2, 3 ou 4x, quiça até mais.

Conclusão

Bitcoin é uma bolha?

Bom, feito as devidas ressalvas e embasado nos fatos apresentados, sim, é provável que o Bitcoin seja uma bolha iminente.

Porém não se pode prever o futuro, muito menos a reação das pessoas caso isso aconteça. Desde seu surgimento o Bitcoin nunca passou por um forte stress.

Então, não tem como saber se as pessoas vão “correr” para ele como uma reserva de valor. Ou vão encará-lo como algo arriscado e vendê-lo até atingir níveis baixíssimos.

Muita gente faz previsões otimistas acerca da moeda, como visto nas manchetes do início.

Obviamente, muitas dessas previsões são feitas por empresas que trabalham com Bitcoin e outras criptomoedas, é natural que eles sempre prevejam um cenário positivo.

Afinal é aquela velha história: nunca pergunte ao barbeiro se você precisa cortar o cabelo.

O mercado de criptomoedas ainda é pequeno e está em consolidação, por este motivo ainda é muito sensível a qualquer novidade.

Por isso, muita cautela ao pensar em investir no Bitcoin. Se quiser se aventurar nele, utilize um dinheiro que não comprometa o seu montante, de 1 à 5%, dependendo do grau de experiência.

Pra finalizar, um provérbio português:

“O tempo é o senhor da razão”.

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Jonathan Afrisio

Estudante de Engenharia, quer mostrar que você não precisa ser um economista para entender como o dinheiro funciona. Durante muito tempo de sua vida não teve acesso à informações que lhe permitissem esse entendimento, e hoje, se dedica a propagar tais conhecimentos ao maior número de pessoas possível, de forma fácil e descomplicada.

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