Quem nunca usou internet discada?

Era uma bela noite de verão, calor de 40° graus, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro e eu tentava conectar pela primeira vez o meu primeiro computador à internet (discada). Naqueles tempos não se podia ligar o ar-condicionado sempre, além da luz ser cara, eles não eram econômicos, então tinha que ficar no calor somente com o ventilador. Além disso, meu corredor era pequeno, então quase não batia vento. Mesmo assim, lá estava eu, quase 1h da manhã, tentando conectar o meu computador a internet. Lembro de um discador chamado Pop, com ele eu conectava “de graça” na internet, uma maravilha, já que a maioria AOL, UOL, Terra e Globo eram discadores pagos ou quando não pagos, reduziam sua velocidade.

Agora imagine a cena, eu, com 12–13 anos, tentando me conectar à internet com uma conexão de 30–45kbs. Era maravilhoso passar 10–15 minutos abrindo o site da UOL para entrar no Bate Papo e falar com pessoas do Brasil inteiro. Mesmo que quando eu conectasse e entrasse no Bate Papo, 30 minutos depois, a conexão caísse. Não havia problema, porque eu iria dormir às 4h da manhã até me conectar novamente e experimentar um pouquinho da internet.

Neste momento já existia o ICQ (primeira versão do MSN) e você tinha que gravar números enormes até conseguir falar com alguém — isso quando conseguia. Vieram então o MSN, Flogão, Orkut e junto com eles evoluía, pouco a pouco, a velocidade da internet. A Velox trazia um comercial de impactar até quem não sabia o que era internet, mas quando você conectava a primeira Banda Larga, eram apenas 120kb/s — quase um universo perto de uma conexão instável de 30kb/s.

Consegui evoluir minha conexão para 300kb/s um ou dois anos depois pelo mesmo preço. 500kb/s em seguida e depois passei longos anos com 1 MB/s. Até que hoje, 14 anos depois da minha primeira conexão, posso desfrutar de 30mb/s — ainda reclamando que está lento.

Essa história toda para chegar no cerne da questão: por que Bitcoin é tão lento, tão caro e mesmo assim está provocando este frenesi no mundo inteiro? Acredito que quem provou um pouquinho do período que citei acima irá entender melhor. Mas se você não viveu, relaxa, vou tentar transmitir de maneira um pouco mais simples a mensagem.

Bitcoin é BIG, o impacto dele no mundo pode ser comparado ao nascimento da internet. Tudo isso porque para funcionar ele não precisa de uma entidade centralizadora (uma única entidade que toma conta), mas de uma rede de usuários e mineradores que estão espalhados pelo mundo inteiro. Além desta questão de não precisar de alguém controlando tudo, ele ainda deixa tudo registrado para quem puder e quiser conferir a transação, sem possibilidade de modificação. Isso acaba com a fraude na rede e impede que duas transações iguais possam ser feitas ao mesmo tempo.

Bitcoin foi inventado em 2009 por Satoshi Nakamoto — um grupo de desconhecidos ou uma pessoa desconhecida. Seu código é aberto e possibilita que qualquer pessoa no mundo com conexão com a internet possa conferir sua construção e nenhum Estado regulador precisou construir ou controlar tudo isso para que atingisse o estado que se encontra hoje.

O problema disso tudo é que são tantas as possibilidades que todo mundo quer logo utilizar tudo o que pode, mas não consegue, gerando grande frustração e baixa expectativa. Afinal, por que não posso comprar um café com Bitcoin? Por que não posso pagar um lanche com Bitcoin? Por que Bitcoin demora 10 minutos para concluir uma transação se a Visa e a MasterCard fazem no mesmo instante? Por que existem poucas pessoas com Bitcoin? Por que…por que…por que…? E poucos procuram as respostas.

Embora exista um elucubrado de informações espalhadas por aí dando as mais diferentes explicações ou milhares de moedas que nascem todos os dias querendo ser o Bitcoin, a verdade é que Bitcoin ainda é um bebê que está aprendendo a andar agora. Ele levou alguns tombos até aprender a se levantar, mas já se reergueu. É provável que caia novamente quando estiver para aprender a correr, mas ele já sabe como se levantar. E assim como foi a internet nos seus dias mais incipientes, hoje também o é o Bitcoin.

Fazendo um paralelo aos problemas do Bitcoin hoje, imagine que a transação de 10 minutos é o tempo que você levava para se conectar a internet (mentira porque as vezes levava bem mais, já esperei mais de 45 minutos), que as aplicabilidades são aquele primeiros sites feios que existiam e que a escalabilidade era a mesma questão que a internet a 45kb/s. Quando você pagava a mais um discador, sua velocidade era um pouquinho melhor — isso te lembra algo relacionado as taxas de transferência para os mineradores? Afinal, se você pagar um pouquinho a mais, sua transação será inserida primeiro no bloco. E quanto aos jogos online? Aquelas coisas que pareciam o Atari, será que não lembram os Cryptokitties (gatinhos na rede Ethereum)?

Enfim, muitos pontos em comum poderiam ser abordados neste texto, mas fica o gostinho apenas para você lembrar que você está fazendo parte de algo que já está mudando o mundo e que demorará só um pouquinho a mais para que isso tome uma proporção avassaladora. O ponto positivo nisso tudo é que, sendo hoje nossa internet melhor do que as dos anos 2000, demoraremos um pouco menos para conseguir alcançar estas grandes vitórias.


Em 2013 eu conheci de perto o poder da Educação Financeira na minha vida em um curso de Coaching, desde então vim procurando formas de impactar a vida das pessoas em relação ao seu dinheiro. Encontrei nas criptomoedas não só uma maneira de poder crescer financeiramente, mas também de ensinar e educar as pessoas sobre este universo.

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