Bitcoin: Bolha ou Investimento da Década? Entenda Antes que Seja Tarde

Provavelmente, você já ouviu falar algo sobre Bitcoin ou criptomoedas. Afinal, esse é um dos assuntos mais comentados nos últimos meses.

As altas valorizações do Bitcoin tem gerado grande euforia por parte de muitas pessoas e chamado atenção do mercado financeiro como um todo.

É evidente que junto com a sua popularização venha também uma onda de novos investidores, muitas vezes seduzidos por certas mídias, com o pensamento de ganhar muito dinheiro da noite para o dia.

Abaixo alguns recortes:

Isto porque, a grande maioria das informações que circulam nesses veículos apontam para apenas um único lado da moeda.

Você já parou pra pensar no outro? Com esse boom e crescimento vertiginoso, será que não estamos à beira de um colapso?

Pois é, esses e outros possíveis questionamentos que possam ter surgido na sua cabeça serão esclarecidos.

Mas antes de darmos início, algumas ressalvas: este artigo é baseado em opinião, estudos, fatos e histórico de tendências sobre o tema (respeitamos todo e qualquer tipo de ideia contrária).

Em suma, vamos à seus 4 alicerces:

  • O que é Bitcoin?
  • O Bitcoin é um investimento?
  • A diferença entre Especular e Investir
  • A bolha e suas 3 características

O que é Bitcoin?

O Bitcoin é uma moeda virtual descentralizada, com o conceito peer-to-peer (P2P - de pessoa pra pessoa, em tradução livre). Ou seja, não há um governo ou banco central para regular as transações comerciais.

Surgiu em 2008, no auge da crise financeira mundial, e foi criado por um programador (ou grupo, ninguém sabe ao certo) que usava o pseudônimo de Satoshi Nakamoto.

Em outras palavras, o Bitcoin é uma moeda digital que, assim como o real ou o dólar, você pode usar para comprar ou vender bens e serviços - no entanto, apenas por meio eletrônico.

A diferença é que ele não é uma moeda física, é um código criptográfico, e tampouco possui a participação de terceiros para validar as operações.

Em vez disso, ele é gerenciado coletivamente por uma rede universal de computadores que garante a segurança e integridade do sistema contra hackers.

Funciona assim: usuários “cedem” suas supermáquinas para “minerar” (termo usado na emissão da moeda) e armazenar todas as informações dos participantes dessa rede que interagem entre si via internet.

Em troca, esses “mineradores” recebem alguns Bitcoins ou fração do mesmo para manter a rede ativa e validar as transferências.

Todas as transações realizadas são registradas na blockchain — uma espécie de livro contábil público que contém todo o histórico de operações — que é a grande tecnologia por trás do sucesso do Bitcoin.

Há quem diga que a blockchain é a nova revolução da indústria financeira e de outros mercados.

Diferente do dinheiro tradicional (papel-moeda), que os governos podem emitir sempre que julgarem necessário, o Bitcoin é limitado. Só podem ser produzidos 21 milhões, evitando a criação de novas moedas e inflação.

Atenção

Outros 2 pontos atrelados à essa criptomoeda que você deve considerar antes de aplicar o seu dinheiro, são:

  1. Ela não tem lastro — Ou seja, não tem uma garantia ou valor intrínseco que comprove que ele valha o preço que se paga. Justamente por não ter um órgão regulador.
  2. Possui alta volatilidade — Tal como as ações os preços podem flutuar muito, só que numa escala maior e atingindo patamares inimagináveis de uma hora pra outra, seja para mais ou para menos. Diferente delas, o Bitcoin não possui um sistema de Circuit Breaker - mecanismo da bolsa de valores que congela as transações caso haja uma queda muito acentuada. Assim, nada o impede de cair bruscamente em um dia.

Dito isso, vamos adiante!

O Bitcoin é um investimento?

Embora pareça uma pergunta estranha, alguns automaticamente responderiam que sim.

O que não é o seu caso, nosso leitor. Se observarmos a palavra em sua essência e a visão de mercado, a resposta é: não!

Isso mesmo … Veja o que diz Benjamin Graham em seu livro “O Investidor Inteligente” sobre a definição clássica de investimento:

“Uma operação de investimento é aquela que, após análise profunda, promete a segurança do principal e um retorno adequado. As operações que não atendem a essas condições são especulativas.”

Destrinchando a frase em 3 partes:

  1. Tomando o mercado de ações como exemplo, há uma empresa por trás mostrando os resultados publicamente, nos possibilitando uma análise profunda da ação. Diferente das moedas digitais e commodities, onde a análise não vai muito além de “oferta x demanda”.
  2. Pelo simples fato de não possuir um lastro e o mercado ser extremamente volátil, não há como assegurar o principal investido.
  3. Quase todo mundo que adquiriu ou adquire Bitcoin, faz isso almejando um puta retorno.

Por estas razões, Bitcoin, ethereum, litecoin e outras criptomoedas não podem ser caracterizadas como investimento, em sua essência.

Logo, quem adquire Bitcoin não está investindo, e sim especulando.

A diferença entre Especular e Investir

Essa é uma dúvida frequente que muitas pessoas confundem e nem sempre sabem distinguir a real diferença entre estar especulando ou investindo.

O investidor aplica seu dinheiro em investimentos que o permita fazer uma boa análise e assegure o seu capital, buscando selecionar aqueles com bons desempenhos e que apresente grande potencial de crescimento.

Geralmente efetua operações de longo prazo e seu principal objetivo é a participação nos lucros, seja através de dividendos (no caso de ações) ou valorização do ativo.

O especulador opera a curto e médio prazo e está focado, sobretudo, na liquidez e flutuações do preço do ativo, sem ligar tanto para os fundamentos.

Seu principal objetivo é obter um ganho de capital muito superior ao do mercado, isto é, a diferença entre o preço de compra e venda. Chegando a assumir riscos que podem comprometer todo o seu capital.

Para Graham, os investidores analisam “o preço do mercado usando padrões de valor estabelecidos”. Ao passo que os especuladores “baseiam seus padrões de valor no preço do mercado.”

É importante que você entenda claramente essa diferença entre “especulação” e “investimento”.

É comum encontrar quem não tenha esses conceitos bem assimilados, muito menos critérios de entrada, manutenção e saída de um investimento definido.

A bolha e suas 3 principais características

Não é de hoje que bolhas financeiras vem e vão a todo tempo. Se você não sabe o que é, explico:

Basicamente, uma bolha ocorre quando muita gente procura um certo ativo fazendo-o atingir patamares de preço muito elevados, fora da realidade frente ao seu valor intrínseco.

Até que chega um ponto em que ninguém mais está disposto a pagar e ela “estoura” subitamente. Com isso, o preço do ativo entra em “queda livre” levando muitos à falência, como um efeito dominó.

As bolhas estão associadas à natureza humana, são movidas pela nossa sede desmedida de ganhar sempre mais e enriquecer facilmente.

Ao longo da história já houve diversos casos, desde a bolha das “Tulipas Holandesas”, em que uma flor era negociada a preços estratosféricos até voltar ao normal.

Passando pelas mais famosas, como a “Crise de 29” e a bolha das “ponto.com” nos fim dos anos 2000.

 A mais recente, a bolha imobiliária americana ocorreu em 2008. Para quem quiser se aprofundar, o filme A Grande Aposta” retrata bem o ocorrido.

#1 - Dessa vez é diferente

Devido a histeria e forte apelo entorno do Bitcoin, experimente perguntar pra alguém o que acha a respeito.

Provavelmente você irá ouvir algo do tipo:

“Ah, mas dessa vez é diferente”

O mais engraçado é que tem uma frase famosa de John Templeton que diz assim:

As 4 palavras mais caras do mundo são: “dessa vez é diferente”

Ou seja, deveríamos aprender com as lições deixadas pelos acontecimentos passados.

Os casos de bolhas citados já bastaria para comprovar isso. Mas não, parece que não servem de nada.

Nós simplesmente não conseguimos aprender e nem enxergar se tivesse debaixo do nosso nariz, e isso nos leva à segunda característica.

#2 - Uma bolha não pode ser analisada em tempo real

Se todo mundo achasse que existe uma bolha, a cotação não teria chegado a patamares tão altos.

Houve sim umas oscilações recentemente devido a notícias, principalmente da China, onde as variações em poucos dias foram significativas.

Mesmo longe de seu topo histórico de quase US$ 5.000,00 dias depois da forte queda, o frenesi continuou e o Bitcoin voltou a subir em virtude de alguns países estarem cogitando criar suas próprias criptomoedas.

O que isso significa? Que enquanto a bolha não “estourar”, vai sempre haver alguém negando o fato dela existir, ou pelo menos de estar se aproximando pelas beiradas, bem como a água, que quando você vê já ganhou todo terreno.

Quer mais provas?

Tome como exemplo o caso do subprime em 2008, em que o então presidente do banco central americano e seu sucessor, davam entrevistas negando o fato da existência de uma bolha imobiliária na época, 1 ano antes.

Veja a matéria do jornal americano, “The Washington Post.

#3 - (Quase) todo mundo usa o Bitcoin como meio especulativo

Dentre os 3 aspectos inerentes à uma moeda, que são:

  • Reserva de valor: permite armazenar e conservar valores para utilização futura, mantendo o poder de compra no tempo.
  • Unidade de conta: capacidade de poder ser convertida em euro, real, dolár ou outras moedas.
  • Meio de troca: intermediária entre a troca de mercadorias e serviços.

Quem você conhece que usa o Bitcoin ou outras moedas virtuais como meio de troca? Ainda que com essa “febre” ele seja aceito em alguns locais, praticamente quase ninguém usa.

Conforme já dito anteriormente, a maioria das pessoas utilizam Bitcoin puramente para especular. Comprando a um preço “x” com a expectativa de vendê-lo por 2, 3 ou 4x, quiça até mais.

Conclusão

Bitcoin é uma bolha?

Bom, feito as devidas ressalvas e embasado nos fatos apresentados, sim, é provável que o Bitcoin seja uma bolha iminente.

Porém não se pode prever o futuro, muito menos a reação das pessoas caso isso aconteça. Desde seu surgimento o Bitcoin nunca passou por um forte stress.

Então, não tem como saber se as pessoas vão “correr” para ele como uma reserva de valor. Ou vão encará-lo como algo arriscado e vendê-lo até atingir níveis baixíssimos.

Muita gente faz previsões otimistas acerca da moeda, como visto nas manchetes do início.

Obviamente, muitas dessas previsões são feitas por empresas que trabalham com Bitcoin e outras criptomoedas, é natural que eles sempre prevejam um cenário positivo.

Afinal é aquela velha história: nunca pergunte ao barbeiro se você precisa cortar o cabelo.

O mercado de criptomoedas ainda é pequeno e está em consolidação, por este motivo ainda é muito sensível a qualquer novidade.

Por isso, muita cautela ao pensar em investir no Bitcoin. Se quiser se aventurar nele, utilize um dinheiro que não comprometa o seu montante, de 1 à 5%, dependendo do grau de experiência.

Pra finalizar, um provérbio português:

“O tempo é o senhor da razão”.

P.s1: Curtiu o artigo? Deixa um comentário, seu feedback é muito importante para nós.

P.s2: Curtiu muito? Compartilha com os amigos, familiares etc, e permita que mais pessoas tenham acesso à essa informação.

P.s3: Quaisquer dúvidas, diga nos comentários também. Teremos enorme prazer em esclarecê-la.


Afinal, o Day Trade realmente funciona? Este estudo inédito comprova que não.

Você já se deparou com alguma propaganda oferecendo cursos de Day Trade enquanto rolava o feed do Facebook ou procurava algo relacionado a investimentos no Google?

Se sim, provavelmente surgiu uma dúvida (sensata): será que o Day Trade realmente funciona?

Ps: Caso você não tenha ideia do que seja Day Trade, dá uma olhada nesse artigo aqui: O que é Day Trade? Aprenda as 3 melhores ferramentas para operar com essa técnica.

Apesar de ainda ser alvo de polêmicas, o debate sobre a real eficiência do Day Trade é antigo e remete ao lançamento do livro Japanese Candlestick Charting Techniques, de Steve Nison, que popularizou a análise gráfica no mundo.

De um lado, os Traders, defensores dessa prática, afirmam conseguir lucros consistentes operando somente por meio da análise técnica e de gráficos.

De outro, os investidores da escola fundamentalista, liderados pelo famoso Warren Buffett, se negam a admitir a credibilidade dessa técnica.

Mas, afinal, qual é o veredicto? O Day Trade realmente funciona?

Esse é um assunto bastante polêmico, então imagine o quão complexo é escrever sobre ele sem, inevitavelmente, gerar desavenças com pessoas que tenham opiniões contrárias (o que está longe de ser nossa intenção).

É quase um Fla x Flu do mercado financeiro.

Por isso, quero deixar claro que esse texto reflete apenas uma opinião própria sobre o assunto.

Essa opinião é baseada nestes 4 pontos:

  • A metáfora do Tabuleiro de Xadrez
  • Correlação ≠ Causalidade
  • O estudo da FGV sobre a rotatividade dos portfólios
  • Por que há tantos cursos?

A metáfora do Tabuleiro de Xadrez

Essa metáfora foi originalmente publicada por Simon Wardley em um texto no blog Hackernoon. O autor permitiu que nós a adaptássemos para esse tema.

“Imagine um mundo onde as pessoas jogam Xadrez umas contra as outras. Tanto seu status social como sua riqueza são determinados pelo quão bom você é jogando Xadrez. Rankings de jogadores de Xadrez são criados e os ganhadores são tratados como celebridades. A competição é tudo.

A parte mais estranha desse mundo é que, no entanto, ninguém nesse mundo jamais viu um tabuleiro de Xadrez. Quando eles jogam Xadrez nesse mundo, eles o fazem através de um painel de controle como esse:

day trade metáfora

Cada jogador começa sua vez apertando um botão, referente à uma peça. Cada jogador sabe exatamente qual peça o outro competidor selecionou. As brancas (b) começam:

day trade metáfora

As pretas (p) jogam, sendo seguidas pelas brancas (b) e novamente as pretas (p).

day trade metáfora

O jogo continua até um certo ponto, geralmente depois de uma longa sequência de botões, em que o sistema anuncia que alguém ganhou ou que a partida empatou.

day trade matáfora

Sem o conhecimento dos jogadores, existe, na verdade, um tabuleiro. Quando eles pressionam o botão referente ao peão, por exemplo, um dos peões é aleatoriamente selecionado e então movido pelo tabuleiro, também aleatoriamente.

Entretanto, tudo isso é escondido dos jogadores. Eles não têm ideia que existe um tabuleiro. Tudo o que eles veem são um painel para selecionar peças e… uma sequência!

Com base na sequência as pessoas desse mundo começam a encontrar padrões “favoráveis”. Por exemplo: os melhores jogadores aparentemente selecionam a Rainha com a maior frequência possível!

Aos poucos, as pessoas começam a aparecer com suas próprias combinações favoritas e tentam aprender com as combinações de outros vencedores.

“Quando seu oponente move o Rei, você deve responder com Rainha, Rainha, Torre.”, diz um jogador famoso.

Algumas pessoas desse mundo escrevem livros sobre táticas secretas como “A arte do Bispo” ou “As 10 sequências mais populares dos Vencedores de Sucesso”. Você já pode até imaginar o anúncio na InfoMoney sobre o “Jogador revela sua estratégia de Xadrez com maior taxa de acertos e indica 5 sequências”.

Lembre-se, essas pessoas não fazem isso porque são bobas, mas sim porque não tem o conceito de tabuleiro nesse mundo.

Agora vamos supor que uma dessas pessoas — por sorte, ou por acidente — descubra que o tabuleiro realmente existe e consiga interagir com ele.

Imagine que um dia você acabe jogando contra esse jogador, mas ele consegue ver algo diferente… o tabuleiro. Você começa planejando utilizar sua sequência favorita, abrindo com Peão, Peão, Rei. Você faz seu primeiro movimento.

day trade metáfora

Ele responde com um Peão, você faz seu próximo movimento, ele joga novamente e você perde.

day trade metáfora

“O que acabou de acontecer aqui?!” você grita. “Obviamente isso foi sorte!”

Mas, sempre que você joga contra esse jogador, você perde. E perde rápido. Você continua anotando as sequências que ele utiliza, no intuito de usá-las contra ele.

Ele te derrota com 2 botões — Peão (p) e Rainha (p) (conhecido como Mate do Louco) — ou com quatro botões — Peão (p), Rainha (p), Bispo (p), Rainha (p) (conhecido como Xeque Pastor). No entanto, você nunca consegue ganhar simplesmente copiando suas sequências.

As pessoas vão ficar espantadas com as habilidades incríveis desse jogador, mas também confusas por não poderem replicar seu sucesso. E vão começar a buscar todas as formas diferentes para explicar o que está acontecendo.

Talvez seja o ‘timing’? Talvez seja sua atitude, ou algo cultural? Ele parece estar feliz (por estar ganhando). É a felicidade o segredo para a invitória? Todos os tipos de correlações e especulações vão ser propostas.”

Porque essa metáfora faz todo sentido pro Day Trade

A mensagem dessa metáfora é clara: as pessoas tem a tendência natural de querer encontrar padrões no que veem. No entanto, um padrão por si só não significa nada. 

Assim como o BigData, assunto original dessa metáfora, o Day Trade também é baseado em padrões estatísticos. Muitas vezes nem há matemática envolvida, apenas a observação de um investidor que “encontrou” um padrão nos gráficos.

E os padrões estatísticos por si só não podem ser tratados como uma lei. Ou seja, não tem sentido causal.

Para entender melhor, esse sentido causal, vamos ao próximo ponto.

Correlação ≠ Causalidade

Qual conclusão você chega ao observar um gráfico como esse?

day trade causalidade

Como você é esperto, provavelmente concluiu que os dados tem uma grande correlação. Afinal, sempre que um deles cresce, o outro também cresce e vice-versa.

Agora, é possível afirmar a partir disso que há uma relação de causalidade entre eles? Ou seja, se eu diminuísse um deles, o outro necessariamente diminuiria?

Caso você tenha respondido que sim, é melhor olhar o gráfico completo:

day trade causalidade

Esse gráfico, que aparentemente mostra duas coisas muito correlacionadas, na verdade relata o número de afogamentos por queda em piscinas e o número de filmes em que o Nicolas Cage apareceu.

Se houvesse uma relação de causalidade entre eles seria possível acabar com os afogamentos simplesmente proibindo o Nicolas Cage de fazer filmes!

Estranho né?

O nome para fenômenos como esse é correlação espúria. Ela ocorre quando aparentemente há uma grande correlação entre duas coisas, porém sem nenhum sentido prático.

Infelizmente, essas correlações não se limitam a filmes de Hollywood.

No mercado financeiro tem sido cada vez mais frequente a divulgação de correlações espúrias como ferramentas para prever as movimentações do mercado e ganhar dinheiro com isso.

Quantas vezes você já não viu alguma entrevista de um Trader dizendo que “sua estratégia com gráficos funciona em 80% das operações”? Ou que “aquele padrão de Candlestick aponta que a bolsa vai subir com certeza”?

Apesar dos percentuais altos e de toda a aparente complexidade dos gráficos, não se deixe enganar. Até porque, se você for se basear nisso, quem mais acertou o futuro da bolsa de valores americana foi a produção de manteiga em Bangladesh.

Toda vez que alguém te disser: “A bolsa vai cair, pois o gráfico está formando uma figura tal. Sempre que forma essa figura a bolsa cai!”, desconfie e lembre-se de que correlação não significa causalidade.

Muito provavelmente isso é apenas uma correlação espúria.

O estudo sobre rotatividade dos portfólios

Em 2014, um estudo liderado por Pedro Luiz Albertin e William Eid Junior se debruçou sobre a seguinte questão:

“Os gestores brasileiros que compram e vendem ações com muita frequência conseguem obter resultados melhores do que aqueles que carregam as ações por muito tempo?”

Para isso, os pesquisadores analisaram 95 fundos de investimento durante o período de 2007 até 2011.

O resultado que eles encontraram foi esse:

 

estudo day trade

Se o Day Trade fosse realmente eficaz, grandes fundos contratariam Traders e obteriam resultados incrivelmente melhores se comparados aos fundos que simplesmente compram uma ação para carregar no longo prazo.

No entanto, a pesquisa nos mostra que, ao contrário do imaginado, os fundos que vendiam e compravam ações com muita frequência obtiveram um resultado pior do que aqueles que as carregavam por um longo período de tempo.

Ah, vale dizer que a hipótese inicial do estudo era que a alta rotatividade ajudaria o gestor a ter resultados melhores.

Dessa forma, a conclusão da pesquisa foi uma surpresa até mesmo para os pesquisadores.

Se apenas os argumentos anteriores não tinham sido suficientes para te convencer de que o Day Trade não funciona, tenho certeza de que após esse estudo isso mudou.

Afinal, se os gestores — que são os profissionais mais capacitados para investir no mercado financeiro - não conseguem fazer o Day Trade funcionar, quem conseguirá?

Mas, se o Day Trade não funciona…

Por que existe tanto curso de Day Trade?

Antes de responder a essa pergunta, gostaria que você lesse este artigo sobre corretoras.

Entender como elas ganham dinheiro é fundamental para seguirmos adiante.

 A maioria dos cursos de Day Trade é oferecido por corretoras ou portais de notícias vinculados a elas. E isso não é a toa.

Ter muitos Traders em sua base de clientes é extremamente lucrativo para as corretoras.

Como um Trader compra e vende ações diariamente, ele acaba gastando muito mais com taxas de corretagem do que um investidor de longo prazo.

Aliado a isso, muitas corretoras ainda cortaram a taxa de custódia (uma estratégia para ganhar mercado frente à grande concorrência), tornando o investidor de longo prazo ainda menos lucrativo para elas.

Dessa forma, elas tiveram que adotar um estratégia para formar novos Traders e aumentar sua base de clientes desse tipo.

Para isso, muitas começaram a oferecer cursos — até mesmo gratuitos — e a divulgar o sucesso de seus Traders, criando o conceito de que era possível ganhar dinheiro de forma rápida e segura na bolsa de valores.

Coincidentemente, nenhuma grande fortuna foi formada por investidores que adotassem essa prática.

Sendo assim, se você é um iniciante na bolsa de valores e não sabe por onde começar, evite ao máximo ser persuadido por técnicas que prometam ganhos milionários, em pouco tempo e sem risco.

Afinal, se fosse possível, todos já estariam ricos. 

Eaí, curtiu esse artigo?

Acha que o Day Trade realmente não funciona ou já conseguiu bons resultados com ele?

Comente sobre a sua história com ele para que o pessoal possa saber um pouco mais de quem viveu isso na prática!


front running

Front Running: Como nunca cair em fraudes no Mercado Financeiro

Em 2009, 14 empresas nos EUA (incluindo bancos e corretoras) foram punidas por front running. Somando os processos, as multas chegaram a 69 milhões de dólares, segundo o The New York Times.

Retrocedendo um pouco mais, em 2004, o front running fez com que 5 empresas acusadas pagassem mais de US$241 milhões em acordos, apesar de não terem admitido o crime.

No Brasil, o último caso relatado dessa prática ocorreu em 2014. Apesar disso, o crime só veio à tona em 2017. E o mais incrível: foi realizado por uma senhora de 92 anos.

Afinal, o que é isso e porque você deve se preocupar? Continue lendo para entender:

  • O que é front running?
  • Por que é ilegal?
  • Como uma avó de 92 anos praticou essa fraude
  • A diferença entre Front Running e Insider Trading
  • Como nunca cair nessas armadilhas

O que é front running?

Front running é uma prática ilegal de obtenção de informações privilegiadas.

Acontece quando uma pessoa obtém, antecipadamente, alguma informação de ordens que serão executadas e que afetarão um investimento na bolsa.

Exemplo:

Eu sei, por alguma razão, que o banco ABC vai comprar uma grande quantidade de ações da empresa XYZ.

Com isso, a demanda pelas ações de XYZ aumentará e seu preço subirá bastante.

Logo, caso eu possua essas ações, posso ganhar dinheiro vendendo-as após essa valorização.

E é isso que eu faço. Compro as ações de XYZ antes do banco comprar e vendo-as após essa grande operação de compra do banco ABC.

Esse é um caso bem específico. Para ser considerado front running é necessário que a pessoa que obteve a informação seja um agente intermediador de investimentos.

Simplificando, são as pessoas/empresas que fazem a conexão entre você, investidor, e os investimentos. No caso do investimento em ações, poderia ser uma corretora de valores.

Por que isso é ilegal?

Nesse caso, foram utilizadas informações que não eram de conhecimento geral do mercado para benefício próprio.

Normalmente, esse tipo de informação só é conseguido por pessoas que possuam contatos nas empresas envolvidas.

Elas não são informações divulgadas publicamente e daí recebem o nome de informações privilegiadas. Por isso, essa é uma prática ilegal.

Ela ocorre, principalmente, quando falamos dos grandes investidores (bancos) do mercado financeiro.

Operadores de grandes bancos sabem quando será realizada uma grande compra ou venda e não podem se aproveitar dela, como explicamos. Mas, às vezes a tentação é grande demais e a chance de ser pego pode ser pequena.

A chance é pequena justamente porque o volume de operações realizadas diariamente é tão grande que, caso o lucro obtido não seja alarmante, a operação passa despercebida.

Entretanto, dificilmente o infrator comete apenas uma vez, justamente por conhecer os riscos.

Quando esses lucros passam a ficar frequentes, padrões começam a ser reconhecidos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que pode ficar mais alerta.

É aquela velha história: sempre dá certo, até que um dia dá errado.

Como uma avó de 92 anos praticou Front Running

Em agosto de 2017, um caso intrigante repercutiu na internet. Uma senhora de 92 anos teria movimentado R$113 milhões e faturado R$450 mil com operações de day trade entre 2012 e 2013.

Ela foi batizada carinhosamente de "vovó trader".

Na realidade, a fraude foi realizada por Luiz Mori utilizando a conta de sua avó.

Luiz trabalhava na corretora do Credit Suisse na época das operações e era auxiliado por Bruno Guisard (Deutsche Bank) e Rafael Spinardi.

Ao todo, a CVM estima um lucro de R$1,84 milhão. O caso ainda será julgado, uma vez que a CVM recusou a proposta de acordo dos acusados.

Isso chamou a atenção do mercado, pois acordos são muito comuns em fraudes desse tipo.

A história completa pode ser lida no site do Brazil Journal.

A diferença entre Front Running e Insider Trading

Como você já sabe, a prática de front running consiste em realizar operações antecipadamente às operações principais.

Se considerarmos ao pé da letra, front running significa sair correndo na frente. Ou seja, antes de uma operação de compra ou venda que eu sei que vai acontecer, eu me antecipo e executo minha ordem.

O Insider Trading é a utilização de informação privilegiada para obtenção de lucros, assim como o front running.

A diferença é que no Insider Trading, a informação privilegiada não é, necessariamente, sobre uma operação de compra ou venda na bolsa.

Um caso recente aconteceu com a empresa JBS, do grupo J&F. Um dos proprietários da empresa, Joesley Batista, se aproveitou da sua denúncia na delação premiada.

Joesley sabia que as ações JBSS3 sofreriam intensa desvalorização com esse episódio. Isso afetaria também a estabilidade política a nível nacional, fazendo com que o dólar valorizasse frente ao real.

Diante dessas informações, ele efetuou compras de um elevado volume de dólares antes de sua denúncia. O que aconteceu nos dias que seguiram a denúncia você já conhece.

Uma nova crise política fez com que Joesley lucrasse milhões de reais nessa operação. Estima-se que ele tenha obtido um lucro de R$800 milhões, valor que foi bloqueado pela justiça.

O impacto foi tamanho que uma medida provisória pós delação da JBS deixou essas punições mais severas. Com ela, as multas podem chegar a R$ 500 milhões.

Como nunca cair nessas armadilhas

Apesar de parecerem impossíveis de serem evitadas, é possível se prevenir contra essas armadilhas.

No caso do front running é necessário entender que ele não afeta a maior parte dos investidores diretamente, mas indiretamente.

Caso uma situação como essa ocorra, a corretora pode ser punida e sua saúde financeira ou jurídica pode ser afetada, gerando complicações para investidores que possuírem conta nela.

Sendo assim, o primeiro passo para evitar ser afetado é saber escolher uma boa corretora. Para isso, preparamos esse guia para você entender o que avaliar na hora de selecionar a corretora de valores ideal para você.

Já para se proteger de riscos econômicos ou como não sofrer na próxima crise, o segredo é diversificar seus investimentos.

Não adianta acreditar que apenas 1 investimento será suficiente para suprir seus desejos financeiros.

Se você quiser acertar a galinha dos ovos de ouro, provavelmente vai errar.

Em vez disso, procure entender como funciona cada tipo de investimento e como ele é afetado em cada cenário econômico do país. Aprenda a diversificar seus investimentos.

Você pode encontrar esses tipos de informações em alguns desses links:

Como Investir em Renda Fixa: O Guia Completo e Definitivo

Taxa Selic e os Investimentos

Como investir no Tesouro Direto

Como as Ações são afetadas pela Selic

Estratégia de Investimentos

Fuja do Marketing Sensacionalista

Por fim, é preciso ficar atento à certas empresas que buscam atrair investidores para certas ações indicando recomendações.

Antes de acreditar cegamente em uma fonte, pesquise para conferir se as informações divulgadas são verdadeiras.

Muitas vezes, as empresas podem se aproveitar da audiência em torno de uma ação ou até dela mesma para divulgar análises tendenciosas.

Pode ser até que a ação represente uma boa oportunidade, mas é válido analisar qual é a parcela de fundamentação e qual é a parcela de viés da análise.

Além disso, existem pessoas que divulgam notícias falsas sobre uma determinada empresa para fazer sua ação valorizar. Isso é chamado de Pump and Dump e pode te fazer perder muito dinheiro. Leia sobre isso, antes que seja tarde demais.

Ficou com alguma dúvida? Comente e te responderemos. Gostou desse texto? Compartilhe com um amigo, é muito rápido e ele vai gostar de saber que você lembrou dele.


oferta pública aquisição opa

Desmistificando uma OPA : Saiba como funciona a Oferta Pública de Aquisição para Fechamento de Capital

Quinta-feira, 27 de junho.

As ações da Unipar Carbocloro (UNIP3, UNIP5 e UNIP6), empresa fabricante de cloro, derivados e soda cáustica, estão agendadas para entrar em leilão no dia seguinte, sexta-feira.

O motivo? Uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) movida pelo seu controlador, a Vila Velha S.A. (administradora da família Geyer).

O intuito dessa oferta é fechar o capital da Unipar — em bom português, retirar as ações de negociação da bolsa de valores.

Para isso, a Vila Velha S.A. se oferece para comprar as ações dos demais acionistas por um determinado preço. Nesse caso, foi oferecido R$7,50 por ação.

Nessa situação, diversas pessoas que tinham investido nas ações da empresa ficaram em dúvida sobre como deveriam proceder e algumas até acreditaram no mito de que poderiam perder todo o dinheiro investido.

Se você é um deles, fique tranquilo, as notícias são boas.

Nós desmistificamos completamente a Oferta Pública de Ações (OPA) para fechamento de capital.

Nesse artigo você irá aprender sobre:

  • Como funciona uma OPA para fechamento de capital
  • Quais são suas opções e como você deve agir
  • O que você deve esperar?

Como funciona uma OPA para fechamento de capital

Esse tipo de oferta pública de aquisição acontece quando o controlador da empresa ou a própria empresa (chamado de ofertante) decide fechar o capital da companhia.

Como seria injusto forçar os demais acionistas a serem sócios de uma empresa de capital fechado (que não negocia na bolsa, dificultando a venda de suas ações), o controlador ou a empresa é obrigado a se oferecer para comprar essas ações (daí o nome ofertante), permitindo que os investidores se desliguem da empresa.

Além disso, no intuito de garantir que os investidores recebam um preço justo pelas suas ações, uma empresa (em geral, banco) é contratada para elaborar um laudo de avaliação da companhia, indicando o valor justo de cada ação.

Após isso, o ofertante deve escolher um valor igual ou maior que o da avaliação (no caso da Unipar, foi escolhido R$7,50).

Uma exceção é quando a empresa fez um aumento de capital (ofereceu novas ações ao mercado) e menos de 1 ano depois decide fazer um OPA para fechar o capital. Nesse caso, o preço oferecido deve ser no mínimo igual ao que ela recebeu por ação quando fez o aumento.

Quais são suas opções

Os acionistas podem, então, seguir 5 opções distintas:

  • Se abster, simplesmente não informando à corretora que deseja participar do leilão de OPA;
  • Aceitar a oferta, informando à corretora que deseja participar do leilão e irá aceitar um preço inferior ou igual ao que é ofertado (no caso, R$7,50);
  • Não aceitar a oferta, informando à corretora que quer participar do leilão, porém só aceitará vender a ação por um preço superior ao ofertado (ex.: aceitar vender por R$30, sendo que o ofertado é R$7,50);
  • Aceitar o fechamento de capital, informando à corretora expressamente que deseja continuar com as ações da companhia e concorda com o fechamento;
  • Reunir uma assembleia com acionistas que juntos detenham mais de 10% das ações em circulação no mercado para realizar uma nova avaliação da companhia. O requerimento para essa nova avaliação deve ser enviado até 15 dias após o anúncio do OPA, contendo os questionamentos ao método antigo e o novo laudo. Caso o preço da nova avaliação acabe sendo igual ou inferior ao do OPA, esses acionistas deverão arcar com todos os custos da assembleia. Caso o preço seja maior, o ofertante pode desistir da OPA ou seguir o novo valor.

O que pode acontecer

2 coisas que podem acontecer

  • Caso os acionistas que aceitaram o preço da oferta ou o fechamento do capital tenham mais de 2/3 das ações em circulação (os que se abstiveram, os controladores e a tesouraria são desconsiderados nesse cálculo), a OPA é bem sucedida. Se você optou por não vender as ações, se tornará sócio de uma empresa fechada (sem ações negociadas na bolsa) ou poderá vendê-las pelo preço do OPA.
  • Caso as ações que sobraram no mercado sejam correspondentes a menos de 5% das emitidas pela companhia, ela pode decidir resgatar essas ações, pagando o preço do OPA por elas.

Ex: No caso da Unipar, ela poderia resgatar as ações que sobraram pagando R$7,50 por elas.

Conclusão

Não há porque ter medo de perder dinheiro caso a empresa da qual você possui ações decida fechar o capital e sair da bolsa de valores.

Na pior das hipóteses, a companhia oferecerá na OPA um preço inferior ao das ações no mercado, como é o caso da Unipar (a Vila Velha S.A. ofereceu R$7,50 por ação, sendo o preço de mercado R$13,40 na data de hoje).

Mesmo nesse caso, você não deve se preocupar tanto. Não há sentido para os acionistas aceitar vender suas ações por um preço menor do que ele conseguiria vendendo na bolsa de valores.

Dessa forma, a tendência é que a OPA não se concretize.

Ainda tem alguma dúvida? Deixe sua pergunta nos comentários que nós responderemos o quanto antes.


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A nova onda de IPOs e a parede de 500 milhões de dólares

Graças ao Facebook, uma parede chegou a custar 500 milhões de dólares. Mas como assim uma parede com esse valor?

Isso aconteceu por causa da arte do grafiteiro David Choe, o artista que pintou a parede da sede do Facebook em Palo Alto, lá em 2005.

Eis a história:

Em 2005, David Choe foi contratado por Sean Parker (presidente do Facebook na época) para grafitar uma das paredes da primeira sede do Facebook.

A empresa ofereceu US$60 mil pelas paredes para Choe, que fez uma contraproposta para receber ações da companhia ao invés do pagamento em dinheiro. Há divergências se esta foi a real ordem dos fatos, mas no fim das contas David foi pago com ações da empresa.

7 anos depois, em 2012, o Facebook realizou seu IPO (Oferta Pública Inicial) e passou a ter suas ações negociadas da Nasdaq, uma das Bolsas de Valores americanas. 

Nesse processo, foram arrecadados US$16 bilhões e as ações que Choe possuía desde 2005 passaram a valer US$500 milhões! Nada mal, para "pintar algumas paredes", né?!

Mas por que isso aconteceu?

Voltando ao início da história, em fevereiro de 2004, quando o Facebook foi fundado na universidade de Harvard, já era possível perceber o quão promissor era o negócio.

Após pouco tempo de sua fundação, o Thefacebook (como era chamado na época) já começava a viralizar entre os alunos da universidade.

Isso fez com que atraísse olhares de investidores e recebesse seu primeiro investimento de Peter Thiel (cofundador do PayPal), no valor de US$500 mil.

A partir disso, a empresa começou a crescer e se espalhar ao redor do mundo e quando sua primeira sede foi construída em 2005, David Choe entrou na história.

Apesar disso, na época, o Facebook ainda não possuía faturamento milionário e mesmo assim era cotado como um negócio valioso. Por quê?

Embora não possuísse lucros, existia uma grande expectativa de que, no futuro, a empresa fosse obter muito dinheiro vindo da receita com anúncios que seriam colocados no site. Essa estratégia pode ser confirmada como lucrativa porque os usuários do Facebook passavam horas e horas nele (um ótimo lugar para anunciantes, né?!).

Acontece que analisar empresas com base em suas expectativas de lucro futuro é muito complexo e arriscado quando não se tem um negócio testado e bem definido.

Foi isso que fez com que ocorresse a Bolha da Internet no final da década de 90. A bolha estourou e as bolsas de valores americanas entraram em crise, com a Nasdaq caindo de 5000 para 1100 pontos, aproximadamente, em apenas dois anos e meio.

Simplificando: as empresas diziam que teriam lucros no futuro, mas esses lucros nunca chegaram. Quando as pessoas perceberam que as companhias que investiram não teriam lucros, começaram a vender suas ações, gerando uma grande crise (A Nasdaq só conseguiu recuperar os 5000 pontos 15 anos depois).

Só que a maioria delas só percebeu quando já era tarde demais e amargaram grandes prejuízos.

IPO das empresas de internet

 

O caso do Facebook foi um sucesso, mas isso não significa que todos serão. Por isso, é preciso ter cuidado na hora de avaliar uma empresa muito nova e com negócios pouco definidos.

E não adianta acreditar que é possível ficar muito rico investindo em ações da noite para o dia sem correr riscos. Quanto maior o lucro, maior será o risco e vice-versa.

Em 2012, após 7 anos de crescimento e estruturação da empresa, finalmente o Facebook resolveu abrir seu capital (IPO) e aparecer na bolsa americana. Antes, o capital da empresa era composto apenas pela participação de seus sócios.

Com a Oferta Pública Inicial (IPO), a empresa oferece parte de suas ações para o mercado e possibilita que pessoas comuns possam investir nela.

Para fazer isso, a companhia recorre aos órgãos reguladores do mercado financeiro, que garantem que está tudo de acordo e fiscalizam as empresas, e a um banco de investimento.

O banco de investimento é contratado pela empresa para ajudá-la neste processo, auxiliando nas questões burocráticas e definindo um “preço bom” para suas ações.

“Preço bom” para quem?

A verdade é que o objetivo da empresa em realizar um IPO é captar o máximo de dinheiro possível para que ela possa expandir. Sendo assim, não é interessante realizar essa estratégia com um mercado em crise, mas com um mercado em alta.

Ultimamente, temos visto uma “nova onda” de IPOs no Brasil e o motivo é justamente esse. Após a crise político-econômica que tivemos, o mercado se recuperou e a B3 está em seus patamares mais altos.

Qual a consequência disso? 5 empresas já abriram seu capital em 2017.

Como vimos, quem define o preço pelo qual serão negociadas as ações no IPO é o banco de investimentos contratado pela empresa, reforçando que o preço das ações nesse momento tende a ser o melhor possível para a mesma e não para os investidores.

Mas o que ocorre depois disso?

Passado o momento de euforia do IPO, as ações tendem a seguir para um patamar de preço justo, na maioria das vezes, menor que o preço a que foram ofertadas inicialmente.

Benjamin Graham, um dos professores de Warren Buffett e autor do livro Investidor Inteligente, realizou esse estudo na bolsa americana, confirmando essa teoria e publicando-a em seu livro. Recomendamos fortemente sua leitura.

É preciso ficar atento

Portanto, é preciso ficar atento à esta “nova onda” que está sendo noticiada e lembrar que para realizar uma compra inteligente no mercado de ações devemos:

  • Comprar ações que estejam mais baratas do que realmente valem (Preço < Valor)
  • Saber que grandes retornos implicam em assumir grandes riscos
  • Entender que se todos estão falando de uma determinada ação, muito provavelmente, ela já está em um momento de euforia e deve estar supervalorizada.
  • Reconhecer que para cada “novo Facebook” existem centenas de fracassos.

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Como Investir com Pouco Dinheiro, Mais Segurança e Superar Facilmente a Poupança em 5 passos

A maioria da população não sabe como investir com pouco dinheiro. Na verdade, ela nem sabe que isso é possível.

Segundo um levantamento feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), para 61% dos brasileiros a caderneta de poupança continua sendo a principal aplicação.

Mas antes de contar como investir com pouco dinheiro, de forma mais segura e com maior retorno, é preciso que você entenda o porquê de evitar a poupança, antes que seja tarde.

Como já exposto acima, mais da metade dos brasileiros tem a poupança como primeira opção de investimento, talvez por pensarem que é a única maneira de investir quando se tem pouco dinheiro, talvez pela isenção de imposto renda, entre outros.

Não há problema nenhum nisso.

O problema está no ganho real da poupança — diferença entre o que ela rende menos a inflação (reajuste de preços) — que é muito pequeno e já chegou a ser negativo em épocas de alta da inflação, acarretando na perda do seu poder de compra no longo prazo.

Algumas pessoas até buscam outros investimentos, mas por não saberem quais são melhores e onde estão recorrem ao gerente do banco, que na maioria dos casos, empurra péssimos produtos, que vão de previdências privada à títulos de capitalização.

Péssimos, por estarem repletos de taxas abusivas que comem (quase) toda a rentabilidade do capital investido. Porém, isto é assunto para artigos futuros, o foco aqui é outro.

Isso ocorre (infelizmente) pela falta de conhecimento, educação financeira, informação e medo de boa parte da população. Afinal, essas coisas a escola não nos ensina e mudar esse cenário é o nosso objetivo!

O gráfico abaixo contém o histórico dos últimos 2 anos para exemplificar melhor o que estou dizendo sobre perder o poder de compra e te mostrar o prejuízo que você pode ter se permanecer na caderneta.

Observe o longo período que o rendimento da poupança foi bem menor que a inflação.

como investir com pouco dinheiroFonte: Portal Brasil — Gráfico: Edufinance

 

Agora lhe pergunto:

Você deseja superar a poupança? Preservar o seu patrimônio? Investir e obter ganhos significativos com menos risco?

Se disse sim para pelo menos uma das perguntas você está no caminho certo. E para isso não é preciso ter grandes noções em finanças e entender conceitos difíceis de economia.

Pelo contrário, estou falando de algo muito simples e fácil, acessível a qualquer pessoa, independente de sua classe social ou nível educacional, possível de ser feito em apenas 5 passos.

Algo chamado, Tesouro Direto!

Para facilitar seu entendimento o artigo está dividido nos tópicos:

  • O que é o Tesouro Direto
  • Tipos de títulos existentes
  • Tributação
  • Reinvestimento
  • Os 5 passos para investir

 

O Que é o Tesouro Direto?

É um programa do Tesouro Nacional criado em 2002 em parceria com a BMF&Bovespa com o objetivo de democratizar o acesso à títulos públicos federais por pessoas físicas através da internet, o que não era possível anteriormente.

Tais títulos, são investimentos de renda fixa — cuja remuneração pode ser determinada no momento da aplicação ou no resgate.

O que nos possibilita dimensionar os rendimentos no ato de sua aquisição, ao contrário de investimentos de renda variável — cuja remuneração não dá para mensurar e pode-se obter retorno maior, igual ou inferior ao investido —  como ações etc.

Basicamente, ao comprar um título você empresta o seu dinheiro ao Governo para que ele possa investir em saúde, infraestrutura, educação etc. Em troca, irá receber o que emprestou de volta acrescido de juros.

O valor mínimo para investir é de apenas R$ 30, respeitando a fração de 1% do valor de um título. Tornando-se acessível a qualquer um.

E o valor máximo é de R$ 1.000.000 por mês.

Existem duas categorias de títulos: os Prefixados e os Pós-Fixados, divididos em 5 tipos.

Prefixados

Você sabe exatamente a rentabilidade do título e quanto irá receber se o mantiver até o vencimento. Esta categoria possui 2 tipos:

Tesouro Prefixado - antiga LTN (Letra do Tesouro Nacional)

No ato da compra você já tem ciência da taxa prometida e de quanto receberá se aguardar até final da aplicação.

É interessante para quem não pensa em resgatar o capital antes do prazo, caso isso aconteça o Tesouro Nacional pagará o valor de mercado (para esse e qualquer outro título).

Vantagens

  • Saber exatamente quando irá receber no vencimento
  • No geral paga um valor um pouco acima da Taxa Selic (taxa de juros), pelo fato dela poder subir e você ganhar menos.
  • Pode gerar receitas maiores no curto prazo se a Selic cair.

Desvantagens

  • Se a taxa de juros subir e você precisar resgatar antes do prazo, pode perder dinheiro.

Tesouro Prefixado com Juros Semestrais - antiga NTN-F (Notas do Tesouro Nacional Série F)

Neste você também sabe exatamente quanto irá receber, entretanto, como o próprio nome diz, os juros pagos são semestrais e você recebe esses rendimentos a cada 6 meses. Diferente do que acontece na LTN.

É recomendado para quem deseja utilizar estes ganhos por semestre para complementar a renda.

Possui vantagens e desvantagens semelhantes a da LTN, tendo como diferença o recebimento de juros semestralmente.

Vale ressaltar que a cada pagamento semestral há incidência de Imposto de Renda (IR - vou explicar mais abaixo como funciona).

Pós-Fixados

Você receberá sua remuneração atrelada a uma taxa predefinida mais um indexador, que pode ser:

  • taxa básica de juros da economia (Selic).
  • inflação (IPCA - Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Sendo assim, a rentabilidade de um título pós-fixado é calculada através da variação de um desses indexadores, mais uma taxa fixa estipulada na hora da compra.

Ex.: IPCA + 5% - Logo, ao final do prazo, ele vai render a média da taxa IPCA desde a aplicação até o vencimento mais 5%.

Esta categoria possui 3 tipos:

Tesouro Selic - antiga LFT (Letra Financeira do Tesouro)

Como o nome já cita, ele é corrigido pela variação da Selic. É interessante para quem acredita numa tendência de alta da taxa básica de juros.

É indicado também para quem possui um perfil mais conservador, pois apresenta pouca oscilação e, por conseguinte, evita perdas numa venda antecipada.

Vantagens

  • Varia de acordo com a Selic. Logo, paga muito próximo à 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e é um alternativa muita boa comparada ao CDB dos bancos.

Desvantagens

  • Num panorama de queda da taxa de juros e aproximação da inflação, os ganhos reais podem ser pequenos ou próximo de zero.

Tesouro IPCA+ - antiga NTN-B Principal

É um título que proporciona rendimento real, ou seja, garante um aumento do seu poder de compra, porque é composto de uma taxa de juros predefinida mais a variação da inflação no período.

Portanto, independente da variação do IPCA, a rentabilidade sempre será superior a ela.

Esse título possui vencimentos extensos e é indicado para quem tem objetivos de longo prazo e deseja poupar para aposentadoria, comprar imóvel, pagar estudo dos filhos, dentre outros.

Você só receberá o valor investido acrescido dos juros no vencimento ou se vende-lo antecipadamente.

Vantagens

  • Rentabilidade real, acima da inflação.
  • Interessante para quem quer acumular patrimônio no longo prazo.
  • Possui prazos longos e ajuda a quem deseja proteger seu poder de compra e investir sem uma destinação específica para o dinheiro.

Desvantagens

  • No curto prazo costuma oscilar.
  • Se os juros crescerem e você quiser sacar o dinheiro, pode ter perda de capital.

Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais - antiga NTN-B

Segue praticamente as mesmas características da NTN-B Principal, exceto por uma coisa. Paga juros semestrais e o investidor recebe os rendimentos ao longo de cada 6 meses, ao invés de adquirir tudo no final.

Da mesma forma que a NTN-F, há incidência de IR todo vez que pago os juros forem.

É interessante para aqueles que buscam complementar sua renda periodicamente a partir do momento do investimento.

As vantagens e desvantagens são similares à NTN-B Principal, e o que difere é apenas a renda semestral.

 

Tributação

Taxa de Custódia

Por possibilitar uma aplicação mínima baixa, ao investir no TD você paga uma taxa de custódia de 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos à BMF&Bovespa.

Imposto de Renda

No Tesouro Direto também há incidência de IR sobre o lucro, diferente da poupança.

A alíquota é regressiva, isto é, diminui com o tempo. Veja na tabela a seguir:

como investir com pouco dinheiro

 

Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)

Este imposto só é cobrado em casos de resgates feitos em até 30 dias após a aplicação.

O IOF incide sobre o rendimento bruto e as taxas seguem a tabela regressiva.

como investir com pouco dinheiro

Contudo, mesmo com esses tributos a rentabilidade dos títulos federais são bem mais atrativa que a da caderneta.

 No gráfico abaixo, fizemos uma comparação conservadora de uma aplicação inicial de R$ 1.000, feitas no dia de hoje pelos próximos 15 anos, entre:

  • Poupança - 6,5% ao ano.
  • Tesouro IPCA - 9,5% ao ano.
  • Previdência Privada - 8%
como investir com pouco dinheiro

 

A caderneta rende aproximadamente 157%, o Tesouro 317% e a Previdência 240%.

Ou seja, o Tesouro vai rentabilizar mais que o dobro da poupança.

Uma diferença expressiva para quem buscar conforto e preservação do patrimônio. Não acha?

 

Reinvestimento

Um dúvida muito comum é sobre reinvestir, pois às vezes os títulos que adquirimos no início somem ou não podem mais ser comprados naquela taxa que queríamos.

Ou quando pretendemos vender um e sem saber vendemos outro, e por aí vai.

Fazer reinvestimentos mensais alavanca nosso patrimônio e é uma prática bastante inteligente na construção de riqueza.

Embora gere muita dúvida, saiba de uma vez por todas que o sistema do Tesouro Direto trabalha baseado no método “primeiro que entra, primeiro sai”.

Funciona assim: Se efetuar compras de um mesmo título em datas diferentes, na hora da vender, o sistema irá selecionar primeiro o mais antigo e depois o mais recente.

Deste modo, a alíquota do IR tende a ser menor e o lucro líquido maior.

Aplicando no TD, você opta por um investimento de boa rentabilidade, liquidez diária — facilidade que o ativo tem de se converter em dinheiro —  e menor risco do mercado, justamente por ele ser garantido pelo Tesouro Nacional.

Há quem pense o contrário. Se você ainda acha que a poupança é mais segura, me responde essa:

O que é mais fácil quebrar, um banco (poupança) ou um País (tesouro)?

Vamos aos que interessa. Que são os 5 passos para investir no TD.

 

1 - Ter um CPF e Conta-Corrente

Para que você possa dar o pontapé inicial e investir no Tesouro Direto, é obrigatório que você tenha um CPF válido e conta-corrente em algum banco.

Se ainda não possui, procure fazer.

Você pode abrir da forma convencional. Ir ao banco e ser premiado com as taxas de administração ou simplesmente abrir uma pela internet, totalmente online sem pagar absolutamente nada.

Basta preencher os dados solicitados e fazer upload de alguns documentos. É simples e fácil.

Você encontra a opção de conta digital em diversos bancos, falamos mais sobre ela neste artigo.

Antes de abrir verifique as condições de cada banco, enquanto umas são ilimitadas e isentas, outras são mais restritas e contém tarifas.

2 - Abrir uma Conta em uma Corretora

Esse é o momento em que tem de escolher a instituição financeira que vai fazer o elo de ligação entre você e suas negociações com o Tesouro Direto, pode ser o seu próprio banco ou uma corretora.

 “Mas o que é uma corretora? Por que preciso dela?”

Um corretora de valores nada mais é do que um Agente de Custódia responsável pelo intermédio das transações com o Tesouro Direto, fundos de investimento, ações etc. Não há como evitar, sem ela não é possível investir.

Existem dois tipos: as independentes e as vinculadas.

 As independentes são aquelas que não possuem qualquer tipo de vínculo com bancos.

As vinculadas são aquelas ligadas aos bancos e são um espécie de extensão deles.

Você pode escolher pela corretora do seu banco ou por uma grande corretora independente.

Eu particularmente prefiro a segunda, pois são as que apresentam as menores taxas e quando se trata de Tesouro Direto muitas nem cobram.

Diferente da grande maioria das vinculadas, que cobram e não é pouco.

Para lhe ajudar na tomada de decisão, nós já fizemos um artigo comparando as principais corretoras e os critérios para escolher a que melhor atenda os seus interesses, veja aqui.

No site do Tesouro você encontra a lista completa com todas as instituições habilitadas e suas respectivas taxas.

3 - Se cadastrar no Tesouro Direto

Após a escolha da corretora é hora de solicitar seu cadastramento no Tesouro.

Depois de enviado os documentos necessários, será aberta uma conta no seu nome para que possa começar a operar.

Feito isso, uma senha provisória será encaminhada ao seu e-mail para o primeiro acesso a área restrita do Tesouro, onde acontece as operações de compra e venda.

Em seguida, defina uma nova senha que deve conter de 8 a 16 dígitos, composta por letras, números e caracteres especiais.

Pronto! Agora você está apto para começar a investir.

4 - Transferir uma quantia da sua conta para a corretora

Nesta etapa, basta realizar uma transferência da sua conta-corrente para a conta da corretora com a quantia que deseja investir.

Uma dica para economizar é transferir por meio de uma conta digital, pois será isento de tarifa bancária, como já mencionei no passo #1.

Se ainda não possui muita experiência, sugiro que transfira pouco dinheiro (mesmo que tenha muito) para a corretora até ir conhecendo como funciona o mercado de títulos públicos.

"E se a corretora quebrar? Perco meu dinheiro?"

Provavelmente por receio você pode ter se feito uma pergunta como essa e é perfeitamente compreensível.

Fique tranquilo! Você não perde um centavo sequer.

Todo o investimento está registrado em seu nome e cpf diretamente na BMF&Bovespa.

E caso a corretora quebre, você deverá apenas sinalizar a bolsa uma outra conta em nova corretora para resgatar seu capital.

Lembre-se que a corretora faz somente o “meio-de-campo” entre você e os títulos, por isso você está protegido.

5 - Escolher o título que mais se adeque aos seus objetivos 

Você já conhece os 5 tipos de títulos disponível para investir e suas principais características.

Para escolher o mais adequado para alcançar seu objetivo financeiro, você deve ter muito claro em sua mente qual ou quais são os objetivos que tem para o dinheiro.

Objetivo este que pode ser de curto, médio e longo prazo.

Na área restrita ao investidor tem a ferramenta “Orientador Financeiro”, que pode lhe auxiliar.

Efetuada a compra? Parabéns! Só aguardar a confirmação no seu e-mail em até 2 dias úteis.

Muitas pessoas não investem por medo, e vencer essa barreira é o primeiro de todos os passos.

Bom, agora você já esta munido de todas as informações mínimas que precisava para investir com pouco dinheiro, mais segurança e maior rentabilidade.

No entanto, não posso fazer isso por você. É seu dever.

Leva pouco tempo e tenho certeza que consegue fazer isso por conta própria.

Se desejar se aprofundar mais sobre outros investimentos de Renda Fixa, leia este nosso artigo.

Seu futuro financeiro é consequência de somente um fator: sua atitude presente.

Portanto, não procrastine e comece já!

Atitude!

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P.s2: Se tiver quaisquer dúvida, escreve nos comentários também. Teremos enorme prazer em esclarecê-la.


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As 7 ações mais indicadas para você lucrar com a crise política

Disclaimer: Este artigo apresenta as 7 ações mais indicadas para você lucrar na crise política. Esta não é uma recomendação de compra ou venda de qualquer ativo elaborada pelo Edufinance. Este artigo é apenas uma curadoria de informações de alguns dos maiores analistas do mercado.

“Acabou.“

— Renan Calheiros

Essa foi a resposta do então Presidente do Senado ao ser questionado sobre a situação do Presidente Michel Temer após a divulgação dos áudios com o empresário Joesley Batista.

Divulgada pelo colunista Lauro Jardim, do Jornal O Globo, a notícia de que o Presidente havia sido gravado dando aval à compra do silêncio de Eduardo Cunha parecia pôr fim a qualquer esperança de que Temer se mantivesse no governo.

Colocava fim, também, na esperança de aprovação das reformas que eram tão aguardadas pelo mercado financeiro, como a Trabalhista e a da Previdência.

O dia seguinte foi, assim, catastrófico para a bolsa de valores.

Após 25 minutos de abertura e mais de 10% de queda, ocorreu o Circuit Breaker. Ele é uma ferramenta utilizada pela B3 (antiga BMF&Bovespa), na qual todas as negociações são congeladas, evitando uma queda exagerada das ações.

Para você ter uma ideia, a última vez que isso aconteceu foi em 2008, com a crise financeira americana.

Nós publicamos, ainda antes da abertura do pregão, um artigo explicando o que fazer em momentos como esse caso você tenha dinheiro investido em ações.

Além de não perder dinheiro, ainda é possível lucrar com a crise política.

A queda acentuada dos preços abriu uma ótima oportunidade para compras, que foi aproveitada por grandes investidores, como Luiz Barsi.

Para ajudar você a escolher as melhores ações nesse momento, nós compilamos as indicações dos principais bancos e corretoras após a delação da JBS.

Essas são as 7 ações mais indicadas até agora para lucrar na crise

Unipar (UNIP6)

Inserida em um oligopólio que fornece cloro e soda cáustica para 90% dos processos industriais em diversos setores, com alto histórico de dividendos e desvalorizada por um briga societária.

Com um valor patrimonial de R$14,40 a ação está sendo negociada a R$9,18 devido a uma briga societária. O case completo pode ser lido aqui.

Sanepar (SAPR4)

A Sanepar é uma das melhores empresas de saneamento do país, que enfrentou um processo de revisão tarifária turbulento com respingos sobre as ações.

Ontem, contudo, o preço das ações teve uma queda de 12,95%, equivalente a uma perda de valor de mercado de R$ 1,770 bilhão, ou seja, superior em 12% a todo o valor do EBITDA estimado para o ano em curso.

“Com ou sem Temer, toda a população da sua área de concessão continuará usando os serviços de água e esgoto, não resultando em mudança de expectativa de resultado.A empresa não tem exposição ao dólar e costuma ser um dos setores mais conservadores da economia. Ontem as ações fecharam cotadas a R$ 9,84, indicando um múltiplo EV/EBITDA17 de 4,2x, contra uma média estimada para o setor de 6,5x a 7,0x, o que consideramos excessivamente baixo. Acreditamos que passando o mau humor, o preço das ações voltará a subir. O nosso preço alvo é de R$ 17,00, com potencial de valorização de 73% até o final do ano”, explica a consultoria WhatsCall.

Itaú (ITUB4)

Segundo a WhatsCall, o Itaú continuará gerando resultados fortes e sólidos com ou sem Temer na presidência, com o dólar a R$ 3,10/US$ ou a R$ 3,50/US$.

“As ações do Itaú (ITUB4) fecharam a R$ 34,68 ontem com queda de 12% em relação ao dia anterior, negociando a 8,2x o Preço/Lucro 17 (P/L), versus um média histórica de 11,0x”, dizem os analistas.

Vale (VALE5)

As ações da empresa devem ter um bom desempenho, apesar da crise política instaurada, afirma o Citi. De acordo com o banco, o impacto técnico do cenário política na companhia é insignificante.

Além do banco, o maior investidor pessoa física da bolsa, Luiz Barsi, também recomendou as ações da companhia, afirmando ter se aproveitado do Circuit-Breaker para comprá-las.

Fibria (FIBR3), Klabin (KLBN3), Suzano (SUZB5)

“A rentabilidade da indústria de celulose está próxima dos níveis máximos. Na opinião dos nossos analistas do setor, é improvável que os preços atuais de celulose sejam sustentáveis por muito tempo, uma vez que a rentabilidade da indústria é muito alta, incentivando assim os produtores a funcionar com 100% de utilização e a retomar a capacidade de usinas de celulose menos eficientes”, ressalta o analista Tiago Binsfeld, do Itaú BBA.

Ele afirma que no curto prazo, contudo, a relação entre a oferta e demanda continua a beneficiar os produtores.

“O ENCE, principal produtor europeu de celulose de eucalipto, anunciou a primeira alta de preços para as remessas de celulose de junho. Esta é outra indicação de que o momento positivo de curto prazo dos preços deverá continuar, com os aumentos sendo sustentados por uma forte demanda, surpresas do lado da oferta e estoques sob controle”, finaliza.


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Devo vender minhas ações após as delações da JBS?

A delação da JBS abalou de vez o cenário econômico e político brasileiro:

“Dono da JBS grava Temer dando aval para compra de silêncio Cunha“.

— Jornal O Globo

Provavelmente vocês já viram a notícia sobre os áudios do Temer e todo alvoroço que isso causou na política.

A pergunta é: como a bolsa reage a isso?

Do pior jeito possível: muito provavelmente um circuit breaker irá acontecer hoje. Quando há um movimento muito brusco no preço das ações, a B3 (antiga Bovespa) aciona o circuit breaker, interrompendo as negociações para evitar uma queda exacerbada dos papéis.

Se você possui ações hoje, lembre-se do efeito manada. O mercado tem a tendência de reagir exageradamente a boas e más notícias. Os próximos dias darão a vocês uma oportunidade única de presenciar esse movimento irracional dos investidores.

Então, o que eu devo fazer?

Primeiro: defina o quanto você precisa do dinheiro que tem investido em ações no curto prazo. Caso não tenha necessidade de retirá-lo e possa continuar com as ações por 1 ou 2 anos, essa será a melhor alternativa.

Vender em um dia que todos só pensam em vender é suicídio. Lembre-se: a perda só se concretiza quando você vende suas ações.

Segundo: caso você precise do dinheiro no curto prazo, mantenha a calma e escolha a melhor hora para vender. A primeira hora de pregão, de 10~11h é com certeza o pior horário para fazer isso.

Historicamente a volatilidade nesse período é maior que a média do dia. Espere a poeira abaixar.

Pessoas que perceberam a desvalorização excessiva das ações irão comprá-las, causando uma correção que diminuirá a queda nos preços. Não se precipite em vender hoje.

A delação da JBS não pode te abalar

Se essa notícia abalou sua confiança na bolsa brasileira e nas ações que você investe, você deveria aprender mais sobre análise fundamentalista.

Ela considera os aspectos de um negócio na hora de analisar ações de uma empresa e tomar decisões sobre comprar ou vender. Dessa maneira, esse tipo de análise tem foco no valor de uma ação e não em seu preço de mercado.

Sabemos que de início pode parecer confuso, por isso, preparamos um artigo que vai te ajudar a entender melhor como ela funciona.

http://edufinance.com.br/investir/balanco-patrimonial/


análise de balanço análise financeira

7 Dicas incrivelmente simples para analisar o balanço patrimonial de uma empresa

Se você já conhece a análise fundamentalista, sabe que ela é composta por um diagnóstico criterioso dos documentos contábeis de uma empresa. Um deles é o balanço patrimonial. Nós entendemos que não é nada fácil entender todos aqueles números, muito menos interpretá-los.

Mas fique tranquilo, neste artigo, trouxemos 7 dicas simples que vão fazer você entendê-lo.

 

“Price is what you pay, value is what you get.”

— Warren Buffett

 

Com $74,9 bilhões na conta, Warren Buffett é o maior exemplo de alguém que criou fortuna do zero apenas investindo na bolsa de valores.

Aluno de Benjamin Graham, o jovem Buffett tornou-se fã desde cedo do método de value investing, criado por seu professor.

Decidiu, então, juntar seu dinheiro e o de alguns familiares (nenhum deles com alguma quantia significativa) para começar a investir em ações de empresas.

E foi assim que, utilizando esse método, ele se tornou o #4 homem mais rico do mundo.

Nós aqui do blog gostamos muito dessa técnica e a utilizamos em praticamente 90% dos nossos investimentos em ações.

Costumamos nos referir a ela (de maneira mais ampla) como análise fundamentalista.

Essa técnica é tão incrível por um simples motivo: ela diminui extremamente o risco de você perder dinheiro em uma ação.

Ela segue o princípio mais simples da economia doméstica: comprar coisas que estão sendo vendidas por um preço menor do que realmente valem.

Assim, o investidor analisa a empresa, buscando o valor intrínseco da companhia.

Caso esse valor seja maior que o preço pelo o qual ela está sendo negociada, dizemos que ação está barata e pode ser uma boa ideia comprá-la.

Simples, né?

Tem ideia de como é feita essa análise?

Bom, existem 3 documentos que são os pilares de qualquer empresa:

  • Balanço Patrimonial
  • DRE (Demonstração do Resultado do Exercício)
  • DFC (Demonstração de Fluxo de Caixa)

A boa notícia é que você não precisa ser um profissional graduado em economia ou contabilidade para saber analisar esses documentos.

Nós do Edufinance vamos dar uma mãozinha para que você se torne um expert nisso e consiga escolher boas empresas para investir.

 

Estas 7 dicas simples farão com que você saiba tudo que precisa para começar a analisar o balanço patrimonial de uma empresa.

 

1 - Ativo é todo dinheiro que você tem ou vai receber

Essa é a primeira cara de um balanço patrimonial e ela mostra todos os ativos da empresa.

balanço patrimonial

Lembre-se: ativo é apenas um nome bonito para se referir a todo o dinheiro que você ainda vai receber, todo o dinheiro que você tem e tudo o que pode virar dinheiro.

Ele se divide em 2 partes:

Ativo circulante: tudo aquilo que é ou pode virar dinheiro em menos de 1 ano.

Ex.: Se alguém tem uma dívida com você e vai te pagar daqui a 6 meses, então essa dívida vai entrar em ativo circulante (já que irá virar dinheiro em menos de 1 ano).

Ativo não-circulante: tudo aquilo que vai ser pago ou pode virar dinheiro apenas após um prazo maior que 1 ano. Além disso, todos os bens duradouros (imóveis, carros, máquinas) ou que são utilizados para o funcionamento da empresa são inseridos nessa conta.

Ex.: O mesmo exemplo anterior, mas no caso da dívida só ser paga daqui a 18 meses. Como demoraria mais de 1 anos para reaver dinheiro, ele entraria em ativo não-circulante.

Da mesma forma, um edifício adquirido pela empresa que não tenha o objetivo de revenda entrará no ativo não-circulante (caso ela tivesse comprado para revender, ele entraria em estoque, no ativo circulante).

2 - Passivo é tudo o que você tem que pagar

Na segunda página do balanço, temos o passivo da empresa (deixaremos o patrimônio líquido para outro artigo, não se preocupe tanto com ele agora).

balanço patrimonial

Mais uma vez: o passivo é um nome feio para tudo o que você deve ou vai ter que pagar.

Da mesma forma que o ativo, ele é dividido em 2 partes:

Passivo circulante: tudo o que deve ser pago no prazo de 1 ano.

Passivo não-circulante: tudo o que deve ser pago em um prazo maior que 1 ano.

3 - Sempre compare o balanço ao longo dos anos

“O balanço patrimonial é uma foto da empresa.”

Se você nunca ouviu essa frase, bom, ouviu agora e vai ouvir muito no futuro.

Apesar de parecer irrelevante, ela traz uma questão fundamental sobre o balanço patrimonial: assim como uma foto, ele retrata apenas o que a empresa é hoje, negligenciando todo o histórico e evolução dela.

Dessa forma, é desaconselhável tirar conclusões observando o balanço de apenas um ano da empresa.

O mais utilizado pelos analistas é a comparação entre 3 a 5 anos, no curto prazo, ou até 10 anos para empresas maiores e com vasto histórico.

Este último era o mais utilizado por Benjamin Graham, que chegava a comparar 50 anos de dados dos balanços em suas análises.

Procure acompanhar os seguintes pontos:

  • Evolução do estoque: o crescimento excessivo do estoque pode significar que ele está sendo mal gerenciado, o que aumenta a necessidade de capital de giro, prejudicando o lucro da companhia.
  • Clientes x Fornecedores: é muito importante que a companhia consiga pagar os fornecedores o mais tarde possível e que receba dos clientes o quanto antes. Caso a conta clientes esteja aumentando, significa que a empresa está deixando de receber. Em contrapartida, se a fornecedores estiver diminuindo, significa que a empresa não está conseguindo parcelar suas compras. Isso pode levar a um descontrole nas contas da companhia e em casos extremos à sua falência.

4 - Nunca compare balanços de empresas de setores diferentes

Um dos maiores erros na análise de balanços é querer comparar dados de empresas de setores diferentes.

Na prática, é a mesma coisa que comparar um jogador de futebol com um piloto de fórmula 1 a fim de descobrir qual dos dois é melhor. Simplesmente não faz sentido.

Empresas do setor de tecnologia, por exemplo, tendem a ter muito menos ativos (já que não possuem estoque físico) do que supermercados (que tem um grande estoque).

Por isso, sempre que for comparar o balanço de duas empresas — o que é muito aconselhável — , garanta que elas sejam do mesmo setor.

5 - Fique de olho nos indicadores de liquidez

Sabe qual o melhor jeito de não perder dinheiro na bolsa? Não investir em uma empresa à beira da falência.

Para garantir que isso não aconteça, vamos mostrar alguns indicadores extremamente simples que mostra a capacidade da empresa de honrar com suas dívidas.

  • Índice de Liquidez Corrente: Ativo Circulante ÷ Passivo Circulante

É o mais abrangente dos indicadores, oferecendo apenas uma visão superficial sobre a solvência (capacidade de arcar com as dívidas) da empresa.

Indica a capacidade da companhia de arcar com seus compromissos no curto prazo (1 ano).

Em linhas gerais, caso esse indicador fosse maior que 1, a empresa não correria risco de falência (insolvência).

No entanto, imagine que metade do seu ativo circulante é composta por estoques difíceis de vender (prédios, por exemplo). Será que ela ainda conseguiria pagar suas contas?

  • Índice de Liquidez Seca: (Ativo Circulante - Estoque) ÷ Passivo Circulante

Para resolver esse problema, foi criado o índice de liquidez seca. Agora, o estoque não é mais levado em conta no cálculo. Isso permite uma análise mais precisa da situação da empresa.

Novamente, em linhas gerais, quando esse indicador é superior a 1, não há risco de insolvência na empresa.

  • Índice de Solvência de Caixa: Caixa ÷ Passivo Circulante (trazido a valor presente)

Se mesmo assim você ainda não se sente seguro, então use esse indicador.

Ele possui o rigor máximo em termos de liquidez, mostrando se a empresa consegue pagar hoje, à vista, todas as suas dívidas.

O trazido a valor presente significa simplesmente aplicar o desconto por ter feito o pagamento à vista.

6 - Dê atenção extra às Notas Explicativas

Todo o balanço é acompanhado de Notas Explicativas. Como o próprio nome diz, elas explicam detalhes importantes que ajudam o investidor na análise da empresa.

Por exemplo, às vezes a empresa é pouco endividada, mas sua dívida é em moeda estrangeira. Isso a deixa suscetível a variações na taxa de câmbio que, dependendo da magnitude, podem prejudicar e muito seu resultado.

Há também a arriscada “Síndrome dos Outros”, como relatado pelo economista Alexandre Póvoa.

Nela, alguns ativos e passivos são declarados como “outros ativos” e “outros passivos”, ficando a explicação do que realmente se tratam nas Notas Explicativas.

O volume de dinheiro contido nesses “outros” muitas vezes é gigantesco.

7 - Onde encontro o balanço das empresas?

Pode parecer um detalhe bobo, porém quem está iniciando no mercado financeiro frequentemente sofre por não saber onde encontrar os documentos das empresas.

Por lei, toda companhia de capital aberto (listada na bolsa) deve fornecer os 3 documentos que citamos acima, tanto em seu site, quanto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Dessa forma, você pode encontrar o balanço patrimonial procurando pela área de relacionamento com investidores no site da empresa.

Para encontrá-lo, basta buscar por “nomedaempresa ri” no Google.

A outra maneira é acessando o site da Bovespa. Basta buscar o nome da empresa e todas as informações que ela forneceu à CVM estarão disponíveis para você baixar.


Quer saber mais sobre analise fundamentalista e investimento em ações?

Nesse artigo, que já ajudou mais de 1000 pessoas, nós explicamos o passo-a-passo para quem quer começar a investir na bolsa de valores.

http://edufinance.com.br/investir/como-investir-na-bolsa-de-valores/

Caso ainda não se sinta seguro para iniciar na bolsa de valores, fique tranquilo. O importante é investir. Para isso, fizemos um artigo completo sobre renda-fixa.

Ele vai tirar todas as suas dúvidas e permitirá que seu dinheiro renda mais que a poupança sem precisar correr nenhum risco.

http://edufinance.com.br/investir/como-investir-em-renda-fixa/

 


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5 motivos porque a previdência faz você perder dinheiro

Ultimamente um assunto tem sido muito comentado pelo país afora: a reforma da previdência. Notícias relacionadas a isso tem estampado capas de jornais e, praticamente em todos os dias do ano de 2017, algum veículo de informação abordou o assunto.

São quase 4 milhões de resultados no Google de notícias sobre o tema.

previdência

Para você ter uma noção, as notícias de eleições de 2016 dos EUA tem 898 mil resultados, 4 vezes menos resultados aproximadamente.

previdência

Isso indica o quanto esse assunto é importante e afeta a vida dos brasileiros. Independente do seu posicionamento sobre o assunto, a função da previdência para o trabalhador é uma só: abrir mão do dinheiro agora para garantir a tão sonhada aposentadoria no futuro.

Partindo dessa ideia, ela se assemelha muito com a visão dos investimentos: poupar agora para investir e obter ganhos no futuro.

Mas será que previdência e investimento são tão parecidos assim mesmo?

Esses 5 motivos vão te mostrar que não.

1 - Seguro não é investimento

Você já deve ter ouvido alguém dizer que seguro é o que se paga pra evitar dores de cabeça. Não é a toa que esse é basicamente o único argumento usado por todas as seguradoras na hora de vender um seguro.

E não há nada de errado com esse pensamento. Aliás, esse é o único motivo que deve levar uma pessoa a fazer um seguro. Mas se você acredita que um seguro é bom pelo lado financeiro, pare e pense: você acha que se fosse ruim pra seguradora, ela existiria?

É claro que não. Os cálculos atuariais realizados pelas empresas de seguro são feitos de maneira que pegando o conjunto total de clientes, a empresa tenha lucro. Caso contrário a empresa faliria.

Dessa forma, uma pessoa que tenha que acionar o seguro e receba a indenização é coberta pelo pagamento das pessoas que não o utilizaram.

É nesse momento que as pessoas podem se perguntar: "Esse artigo não era sobre previdência? Por que estou lendo sobre seguros?"

Simples. Porque a previdência é um seguro.

Isso pode ser facilmente percebido observando ambas as previdências: social e privada.

A previdência social é administrada pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Já o setor de previdência privada é fiscalizado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão do governo federal.

Quer algo mais explícito que isso?

A previdência social tem como missão proteger os trabalhadores e sua família contra os chamados riscos econômicos, como a perda de rendimentos por conta de aposentadoria, doença, invalidez e outros infortúnios.

2 - Você é obrigado a pagar a previdência social

Se você possui um emprego formal você está contribuindo para a previdência social.

Isso porque o governo obriga empregados e empregadores a contribuir para financiar os gastos da mesma.

Você já viu alguém te obrigar a receber dinheiro?

Imagina que um amigo seu te obriga a pagá-lo 1 real, para que ele possa te dar 2 reais na semana seguinte. Ele estaria te obrigando a receber dinheiro. Isso seria no mínimo estranho, né?!

Só que no caso da previdência social você não recebe em dobro, nem 1 semana depois. Muito menos tem que pagar apenas 1 real. Dá uma olhada em quanto cada trabalhador contribui:

previdência

Consegue imaginar a diferença que R$75 por mês fazem na renda uma pessoa que recebe 1 salário mínimo? Não?! Não tem problema, nós pesquisamos.

Com esse dinheiro daria pra comprar:

  • 25 kg de arroz, suficiente para alimentar uma família de 5 pessoas durante 1 mês
  • 22 kg de espaguete, alimentando uma família de 3 a 4 pessoas durante 1 mês
  • 3 kg de picanha, equivalente a 10 dias de almoço e jantar
  • 7 kg de filé de frango, mesmos 10 dias só que alimentando 3 pessoas
  • 4,5 kg de filé de peixe, equivalente a 12 dias de almoço e jantar
  • 21 sacos de pão de forma, alimentando 4 pessoas durante 1 mês
  • 20 L de leite, suficientes para 1 mês em uma família de 2 a 3 pessoas

Ou ainda, 1 cesta básica contendo os seguintes itens:

  • 2 kg de açúcar
  • 5 kg de arroz
  • 2 kg de feijão
  • 1 garrafa de óleo de soja
  • 1 kg de sal
  • 1 kg de farinha de trigo
  • 1 kg de farinha de mandioca
  • 1 kg de espaguete
  • meio quilo de café
  • 1 lata de sardinha (125 g)
  • 1 lata de extrato de tomate (340 g)
  • 1 pacote de biscoito cream-cracker (200 g)

Se a pessoa não precisasse comprar mais nada com esse dinheiro que sobrou, ela poderia simplesmente poupar e investir. Economizando esses R$75 todo mês seria possível acumular R$6.000 em 5 anos, como mostramos neste artigo.

E não é só isso.

Como se não bastasse essa contribuição por parte do trabalhador, o empregador também é obrigado a contribuir se decidir contratar alguém. 

Pensa que é pouco? Se você achou aqueles valores absurdos, se liga nessa. O empregador paga 20% do salário do seu empregado para o INSS.

Isso significa que para contratar alguém com um salário de R$2000, são pagos R$400. Mensalmente.

Caso isso não existisse seria possível dar um aumento de 20% ao trabalhador. Já pensou na diferença que esses R$400 fariam pra uma pessoa que ganha R$2000?

Nessa hora alguns argumentam:

"Mas se o patrão não for obrigado a pagar esses 20% ele não vai repassar isso pro trabalhador. Afinal, o patrão explora o trabalhador."

Se o empregador repassasse apenas metade desse valor, ambos sairiam ganhando mais do que com o cenário atual.

O empregado ganharia um aumento de R$200 no seu salário e o patrão economizaria R$200.

Agora, se o cara for explorador e embolsar os R$400, o trabalhador ainda sai ganhando os R$180 que não precisaria contribuir, como vimos na tabela de contribuição!

Será que se a previdência fosse um (bom) investimento para você, você seria obrigado a contribuir?

3. É oferecida pelos bancos como a oitava maravilha do mundo

Até agora estávamos falando sobre previdência social (INSS), mas também existe a previdência privada.

A previdência privada já acumula mais de R$11 bilhões e quase 13 milhões de pessoas, segundo a Federação Nacional de Previdência Privada.

Achou que os bancos iam ficar para trás e perder essa boquinha? De jeito nenhum!

Você já deve ter ouvido falar que os bancos são extremamente prejudiciais aos seus investimentos. Isso porque o banco vive de ganhar dinheiro com o dinheiro dos outros.

Basicamente, o que ele faz é captar dinheiro a uma taxa mais barata, emprestar a uma taxa mais cara e ganhar nessa diferença.

Assim, o gerente do banco vive diariamente um conflito de interesses: se ele te oferecer um bom investimento (que oferece uma alta taxa de retorno) essa diferença entre a taxa que ele te paga e a taxa que ele empresta fica menor, o que faz o banco ganhar menos.

Para evitar isso, o banco incentiva seus gerentes a oferecerem a seus clientes péssimos investimentos, bonificando-os caso consigam.

É por isso que você deve fugir dos grandes bancos e investir seu dinheiro por meio de corretoras. Se estiver precisando de ajuda na hora de escolher uma, dá uma olhada nesse guia.

E o que isso tem a ver com previdência privada? Esse é mais um daqueles produtos ruins que o banco te oferece.

A jogada de marketing deles é vender esse produto como segurança para sua família e realização dos sonhos da sua vida. Dá uma olhada nessas propagandas:

previdência
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O que eles não te contam é o que você vai descobrir agora.

4. As taxas transformam a previdência no bicho-papão dos investimentos

Como se já não bastasse os altos impostos e taxas que temos no Brasil, investir na previdência privada faz você ter a certeza que o Brasil é o país que mais tem impostos e taxas.

Simplesmente porque na previdência você tem que pagar taxa pra entrar, taxa pra ficar e taxa pra sair. Sabe aquele ditado: "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come"?

A previdência é uma versão piorada dele! Todas essas taxas não são poucas e corroem a palavra "investimento". Vamos a elas:

Taxa de carregamento: é a "taxa de entrada", que incide sobre cada contribuição. A cada aporte (aplicação) que você faz uma parte do seu investimento já é comida.

Em geral, estas taxas variam de 0 a 3%. Ou seja, se você aplica R$200 por mês e a taxa de carregamento é 2%, a cada mês você perde R$4 só para entrar nessa "brincadeira".

Taxa de administração: além da taxa de entrada, para gerir os seus investimentos é cobrada uma taxa. Afinal, ele é gerido por uma pessoa que recebe pra isso. Essa taxa incide sobre a rentabilidade total da aplicação. Em geral varia entre 1,5% e 3% ao ano.

Isso significa que se sua previdência render em 1 ano o quanto a poupança rendeu em 2016 (8,35% ano) você perdeu dinheiro para a inflação.

Taxa de saída: Cobrada no caso do resgate antecipado da aplicação. Contudo, a maioria das seguradoras executam esta cobrança apenas nos primeiros anos. Algumas seguradoras impõe prazos de carência para resgates e transferências externas parciais ou totais.

Além disso, a previdência privada é um "investimento" de longo prazo. Para não perder dinheiro você deve ficar pelo menos 10 anos nela, graças ao regime de tributação regressiva.

previdência

O lado "bom" é que você paga menos imposto com o passar do tempo. Mas se você não sabe nem o que acontecerá com você no futuro ou até mesmo daqui a 2 anos, como saber o que vai acontecer com o rendimento da previdência?

Uma alternativa aos altos impostos cobrados para prazos curtos é optar pela tabela progressiva do imposto de renda. É verdade, essa é uma escolha que você pode fazer quando vai contratar uma previdência. A tabela progressiva funciona da seguinte forma:

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Isso significa que dependendo do valor que você resgate anualmente ou mensalmente, a alíquota muda conforme essa tabela.

Se você quiser saber mais sobre como funciona a previdência privada, sugerimos os artigos do quero ficar rico.

5. Perderia para poupança em rentabilidade

A poupança é sem dúvida uma das piores alternativas de investimento. Se é que podemos chamar as alternativas que rendem menos que a poupança de investimento.

(Se você não sabia disso ou ainda deixa seu dinheiro aplicado na poupança você precisa ler isso. Vai mudar completamente seus rendimentos!)

Esse é o caso da previdência.

Se a previdência social fosse um investimento, ele teria uma rentabilidade pior que a da poupança!

Desde 2003, quando a aposentadoria passou a ser reajustada por um indicador fixo, o INPC (tipo uma inflação), ela teve um reajuste real (rendimento menos inflação) de 8,62% em 13 anos.

Nesse mesmo período a poupança cresceu 24,3%, já descontada a inflação. Quase 3 vezes mais!

Fazendo um comparativo com a previdência privada os rendimentos melhoram um pouco.

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Esse é um comparativo retirado de um informativo de um banco que oferece previdência privada. Observe como ela praticamente iguala a poupança nesse período e perde bastante para o CDI. Além disso, quase não é capaz de superar a inflação (IPCA-15).

Definitivamente, a previdência não é uma boa opção para pensar em aposentadoria. Já que por enquanto você não tem como se livrar da previdência social, ao menos fique longe da previdência privada.

Mas não se preocupe!

Estamos preparando um conteúdo que vai mudar completamente a maneira como você vê a aposentadoria. Na verdade, vamos fazer com que você pare de olhar pra ela e pense nessa imagem:

previdência

Vamos te ajudar a economizar 25 anos de vida trabalhando, fazendo você poder escolher se quer trabalhar ou não.

Mas não é só isso. Ele vai te fazer repensar toda a sua vida.

Fique atento, em breve você poderá ficar por dentro do #oSegredodosMilionarios.

Enquanto isso, aconselhamos que você leia esses dois artigos para se preparar para o que está por vir:

Como investir em Renda Fixa: o guia completo para quem nunca saiu da poupança

Como investir na Bolsa de Valores: as 7 coisas que você precisa saber para começar a investir

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