Se você já conhece a análise fundamentalista, sabe que ela é composta por um diagnóstico criterioso dos documentos contábeis de uma empresa. Um deles é o balanço patrimonial. Nós entendemos que não é nada fácil entender todos aqueles números, muito menos interpretá-los.

Mas fique tranquilo, neste artigo, trouxemos 7 dicas simples que vão fazer você entendê-lo.

 

“Price is what you pay, value is what you get.”

— Warren Buffett

 

Com $74,9 bilhões na conta, Warren Buffett é o maior exemplo de alguém que criou fortuna do zero apenas investindo na bolsa de valores.

Aluno de Benjamin Graham, o jovem Buffett tornou-se fã desde cedo do método de value investing, criado por seu professor.

Decidiu, então, juntar seu dinheiro e o de alguns familiares (nenhum deles com alguma quantia significativa) para começar a investir em ações de empresas.

E foi assim que, utilizando esse método, ele se tornou o #4 homem mais rico do mundo.

Nós aqui do blog gostamos muito dessa técnica e a utilizamos em praticamente 90% dos nossos investimentos em ações.

Costumamos nos referir a ela (de maneira mais ampla) como análise fundamentalista.

Essa técnica é tão incrível por um simples motivo: ela diminui extremamente o risco de você perder dinheiro em uma ação.

Ela segue o princípio mais simples da economia doméstica: comprar coisas que estão sendo vendidas por um preço menor do que realmente valem.

Assim, o investidor analisa a empresa, buscando o valor intrínseco da companhia.

Caso esse valor seja maior que o preço pelo o qual ela está sendo negociada, dizemos que ação está barata e pode ser uma boa ideia comprá-la.

Simples, né?

Tem ideia de como é feita essa análise?

Bom, existem 3 documentos que são os pilares de qualquer empresa:

  • Balanço Patrimonial
  • DRE (Demonstração do Resultado do Exercício)
  • DFC (Demonstração de Fluxo de Caixa)

A boa notícia é que você não precisa ser um profissional graduado em economia ou contabilidade para saber analisar esses documentos.

Nós do Edufinance vamos dar uma mãozinha para que você se torne um expert nisso e consiga escolher boas empresas para investir.

 

Estas 7 dicas simples farão com que você saiba tudo que precisa para começar a analisar o balanço patrimonial de uma empresa.

 

1 – Ativo é todo dinheiro que você tem ou vai receber

Essa é a primeira cara de um balanço patrimonial e ela mostra todos os ativos da empresa.

balanço patrimonial

Lembre-se: ativo é apenas um nome bonito para se referir a todo o dinheiro que você ainda vai receber, todo o dinheiro que você tem e tudo o que pode virar dinheiro.

Ele se divide em 2 partes:

Ativo circulante: tudo aquilo que é ou pode virar dinheiro em menos de 1 ano.

Ex.: Se alguém tem uma dívida com você e vai te pagar daqui a 6 meses, então essa dívida vai entrar em ativo circulante (já que irá virar dinheiro em menos de 1 ano).

Ativo não-circulante: tudo aquilo que vai ser pago ou pode virar dinheiro apenas após um prazo maior que 1 ano. Além disso, todos os bens duradouros (imóveis, carros, máquinas) ou que são utilizados para o funcionamento da empresa são inseridos nessa conta.

Ex.: O mesmo exemplo anterior, mas no caso da dívida só ser paga daqui a 18 meses. Como demoraria mais de 1 anos para reaver dinheiro, ele entraria em ativo não-circulante.

Da mesma forma, um edifício adquirido pela empresa que não tenha o objetivo de revenda entrará no ativo não-circulante (caso ela tivesse comprado para revender, ele entraria em estoque, no ativo circulante).

2 – Passivo é tudo o que você tem que pagar

Na segunda página do balanço, temos o passivo da empresa (deixaremos o patrimônio líquido para outro artigo, não se preocupe tanto com ele agora).

balanço patrimonial

Mais uma vez: o passivo é um nome feio para tudo o que você deve ou vai ter que pagar.

Da mesma forma que o ativo, ele é dividido em 2 partes:

Passivo circulante: tudo o que deve ser pago no prazo de 1 ano.

Passivo não-circulante: tudo o que deve ser pago em um prazo maior que 1 ano.

3 – Sempre compare o balanço ao longo dos anos

“O balanço patrimonial é uma foto da empresa.”

Se você nunca ouviu essa frase, bom, ouviu agora e vai ouvir muito no futuro.

Apesar de parecer irrelevante, ela traz uma questão fundamental sobre o balanço patrimonial: assim como uma foto, ele retrata apenas o que a empresa é hoje, negligenciando todo o histórico e evolução dela.

Dessa forma, é desaconselhável tirar conclusões observando o balanço de apenas um ano da empresa.

O mais utilizado pelos analistas é a comparação entre 3 a 5 anos, no curto prazo, ou até 10 anos para empresas maiores e com vasto histórico.

Este último era o mais utilizado por Benjamin Graham, que chegava a comparar 50 anos de dados dos balanços em suas análises.

Procure acompanhar os seguintes pontos:

  • Evolução do estoque: o crescimento excessivo do estoque pode significar que ele está sendo mal gerenciado, o que aumenta a necessidade de capital de giro, prejudicando o lucro da companhia.
  • Clientes x Fornecedores: é muito importante que a companhia consiga pagar os fornecedores o mais tarde possível e que receba dos clientes o quanto antes. Caso a conta clientes esteja aumentando, significa que a empresa está deixando de receber. Em contrapartida, se a fornecedores estiver diminuindo, significa que a empresa não está conseguindo parcelar suas compras. Isso pode levar a um descontrole nas contas da companhia e em casos extremos à sua falência.

4 – Nunca compare balanços de empresas de setores diferentes

Um dos maiores erros na análise de balanços é querer comparar dados de empresas de setores diferentes.

Na prática, é a mesma coisa que comparar um jogador de futebol com um piloto de fórmula 1 a fim de descobrir qual dos dois é melhor. Simplesmente não faz sentido.

Empresas do setor de tecnologia, por exemplo, tendem a ter muito menos ativos (já que não possuem estoque físico) do que supermercados (que tem um grande estoque).

Por isso, sempre que for comparar o balanço de duas empresas — o que é muito aconselhável — , garanta que elas sejam do mesmo setor.

5 – Fique de olho nos indicadores de liquidez

Sabe qual o melhor jeito de não perder dinheiro na bolsa? Não investir em uma empresa à beira da falência.

Para garantir que isso não aconteça, vamos mostrar alguns indicadores extremamente simples que mostra a capacidade da empresa de honrar com suas dívidas.

  • Índice de Liquidez Corrente: Ativo Circulante ÷ Passivo Circulante

É o mais abrangente dos indicadores, oferecendo apenas uma visão superficial sobre a solvência (capacidade de arcar com as dívidas) da empresa.

Indica a capacidade da companhia de arcar com seus compromissos no curto prazo (1 ano).

Em linhas gerais, caso esse indicador fosse maior que 1, a empresa não correria risco de falência (insolvência).

No entanto, imagine que metade do seu ativo circulante é composta por estoques difíceis de vender (prédios, por exemplo). Será que ela ainda conseguiria pagar suas contas?

  • Índice de Liquidez Seca: (Ativo Circulante – Estoque) ÷ Passivo Circulante

Para resolver esse problema, foi criado o índice de liquidez seca. Agora, o estoque não é mais levado em conta no cálculo. Isso permite uma análise mais precisa da situação da empresa.

Novamente, em linhas gerais, quando esse indicador é superior a 1, não há risco de insolvência na empresa.

  • Índice de Solvência de Caixa: Caixa ÷ Passivo Circulante (trazido a valor presente)

Se mesmo assim você ainda não se sente seguro, então use esse indicador.

Ele possui o rigor máximo em termos de liquidez, mostrando se a empresa consegue pagar hoje, à vista, todas as suas dívidas.

O trazido a valor presente significa simplesmente aplicar o desconto por ter feito o pagamento à vista.

6 – Dê atenção extra às Notas Explicativas

Todo o balanço é acompanhado de Notas Explicativas. Como o próprio nome diz, elas explicam detalhes importantes que ajudam o investidor na análise da empresa.

Por exemplo, às vezes a empresa é pouco endividada, mas sua dívida é em moeda estrangeira. Isso a deixa suscetível a variações na taxa de câmbio que, dependendo da magnitude, podem prejudicar e muito seu resultado.

Há também a arriscada “Síndrome dos Outros”, como relatado pelo economista Alexandre Póvoa.

Nela, alguns ativos e passivos são declarados como “outros ativos” e “outros passivos”, ficando a explicação do que realmente se tratam nas Notas Explicativas.

O volume de dinheiro contido nesses “outros” muitas vezes é gigantesco.

7 – Onde encontro o balanço das empresas?

Pode parecer um detalhe bobo, porém quem está iniciando no mercado financeiro frequentemente sofre por não saber onde encontrar os documentos das empresas.

Por lei, toda companhia de capital aberto (listada na bolsa) deve fornecer os 3 documentos que citamos acima, tanto em seu site, quanto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Dessa forma, você pode encontrar o balanço patrimonial procurando pela área de relacionamento com investidores no site da empresa.

Para encontrá-lo, basta buscar por “nomedaempresa ri” no Google.

A outra maneira é acessando o site da Bovespa. Basta buscar o nome da empresa e todas as informações que ela forneceu à CVM estarão disponíveis para você baixar.


Quer saber mais sobre analise fundamentalista e investimento em ações?

Nesse artigo, que já ajudou mais de 1000 pessoas, nós explicamos o passo-a-passo para quem quer começar a investir na bolsa de valores.

Como investir na Bolsa de Valores: as 7 coisas que você precisa saber para começar a investir

Caso ainda não se sinta seguro para iniciar na bolsa de valores, fique tranquilo. O importante é investir. Para isso, fizemos um artigo completo sobre renda-fixa.

Ele vai tirar todas as suas dúvidas e permitirá que seu dinheiro renda mais que a poupança sem precisar correr nenhum risco.

Como investir em Renda Fixa: o guia completo para quem nunca saiu da poupança

 


Leandro Siqueira

Seu foco principal é a bolsa de valores. Opera na bolsa desde os 17 anos e aos 20 deixou a faculdade de engenharia para cursar Economia na UFRJ. Tem a missão de trazer conhecimentos novos toda semana, sempre de forma simples e didática.

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